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SABE FAZER TRICÔ?
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FAÇA
BEM
COLORIDO!
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Em 1965,
Giuliana
decidiu tecer uma blusa bem colorida que os vizinhos adoraram. Luciano
começou a vender as roupas coloridas que a sua irmã confeccionava nos
tempos livres. Com 30 mil liras, obtidas à custa da venda de uma
bicicleta e um acordeão, adquiriram uma máquina de fazer malhas,
passando a produzir regularmente. Com o êxito obtido foi necessário
investir novamente na empresa e o negócio floresceu.
Luciano com uma estratégia
de marketing até então inovadora, conseguiu modificar por completo o
mercado do vestuário. Ao vender apenas a lojas de varejo
especializadas em roupa de malha, ele aproveitou a experiência e o
empenho dos vendedores; concedeu descontos de pronto pagamento;
comprou e adaptou máquinas de segunda mão, que ao serem mais baratas
continuavam a executar o trabalho pretendido.
Deste modo foi criada a
empresa
Maglificio di Ponzano Veneto dei
Fratelli,
uma empresa familiar gerida pelos quatro irmãos
Luciano, Giuliana, Gilberto e
Carlo. A
aposta de Luciano foi marcadamente na diversidade das cores, criando a
mensagem comercial
United Colours of Benetton.
Essa idéia de cor tornou-se assim mundialmente conhecida.
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O grupo
Benetton
considera-se que está em casa, em toda a parte do mundo. Fundada em 1965
em Ponzano Veneto próximo a Treviso, a
Benetton
neste momento é um conceito mundial que exporta não só os seus próprios
produtos, que vão desde malhas até roupas e acessórios, como também
produção tecnológica e know-how, que adapta a cada ambiente particular.
A sua produção e rede de
vendas que têm os seus principais centros operacionais em Itália,
França e Espanha, cobrem 120 países com mais de 7000 lojas. A sua
expansão é baseada num programa de crescimento com planos para uma
forte presença de Grupo fora da Europa. - Durante mais de uma
década, o grupo Benetton exportou 65% da sua produção, e possui já
um total de vendas no valor aproximado de 3000 bilhões de liras
Italianas.
Giuliana Benetton
desde o início que está encarregada da criação dos modelos, gerindo uma
equipe que tem por função a constante atualização da produção, quer em
termos de design, como na qualidade dos materiais e acima de tudo nas
cores. De modo a corresponder às expectativas de qualidade relacionadas
com a marca e ao mesmo tempo atender às encomendas, estas devem ser
feitas com pelo menos nove meses de antecedência.
Para que exista uma total
correspondência entre o produto, mais concretamente as cores, e o
gosto do cliente, as peças são tingidas depois de estarem já
confeccionadas. Assim, os retalhistas podem encomendar mais tarde as
cores que os seus clientes preferem. Isto é produzir para os
requisitos do mercado em vez de ser para o estoque.
A maioria da produção é
sub-contratada, mas pela assistência contínua da empresa às unidades os
artigos possuem sempre boa qualidade. De modo a apresentar uma imagem
uniforme as lojas Benetton possuem preços comuns, material publicitário
igual e obedecem a um layout pré-definido.
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Três anos após o aparecimento da 1ª fábrica, a
Benetton
inaugurou a primeira loja própria. Esta teve um sucesso imediato devido
às características apelativas das roupas e ao ambiente acolhedor do
estabelecimento. A
Benetton
apostou no mercado doméstico nos dez primeiros anos de vida, tendo
conseguido abrir mais de 200 lojas nesse período. Um fato interessante é
que o nome Benetton não aparecia em todas as lojas. Algumas delas eram
antes denominadas pela marca que vendiam: "Sisley,
Tomato, Merceria e 012",
deste modo, caso alguma dessas marcas tivesse fracasso, a marca
Benetton
não iria ter conseqüências negativas.
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Quando, em meados dos anos
70, as vendas no mercado italiano estabilizaram, a
Benetton
passou a prestar mais atenção aos restantes mercados europeus. Países
como a França, onde já se encontrava desde 1969, Alemanha, Reino Unido,
Suíça e as nações escandinavas proporcionaram então à
Benetton
um grande crescimento comercial.
Em apenas cinco anos, as
vendas no estrangeiro evoluíram de cerca de 65 bilhões de liras para
aproximadamente 550 bilhões em 1982, e a rede própria de
comercialização espalhada por toda a Europa passou a contar com 2600
lojas..
Na procura de novas
oportunidades, também os EUA e o Japão foram alvo da atenção da família
Benetton,
logo no início da década de 80. Mais recentemente, reforçaram melhor a
sua presença no mercado asiático com a abertura de 50 lojas na China.
A Benetton encontra-se em
países tão diversos como Portugal, Áustria, Hungria, Síria,
Paquistão ou Singapura. Não é pois de admirar que as suas
exportações constituam já cerca de 70% do volume total de vendas.
A empresa, os agentes e os
proprietários das lojas constituem a rede de distribuição da
Benetton,
mas fugindo à crescente corrente de franchising, já que a
Benetton
não se rege por este tipo de contrato. Sendo assim, há independência das
lojas com a empresa, embora esta obedeça a certas leis, tais como a
organização da loja, a imposição dos preços sobre os artigos e a
retirada de um produto que não esteja a vender como desejado, por
imposição do agente. O agente é o intermediário entre a empresa e os
postos de venda da sua área geográfica, sendo críticos ao funcionamento
do processo, embora não pertençam aos quadros da empresa. São essenciais
ao sistema porque têm a seu cargo tarefas importantes como:
-
Seleção do local de
uma loja nova e seu projeto;
-
Procura e seleção dos
potenciais investidores;
-
Treino de integração
da doutrina da Benetton aos novos proprietários;
-
Definição dos artigos
com um ano de antecedência;
-
Supervisão e
orientação na fiscalização e administração da loja;
-
Estímulo à competição
entre as lojas.
-
Como são pagos à
comissão, os agentes têm o maior interesse que o posto de venda
tenha sucesso.
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Através
da sua publicidade a Benetton
tornou-se não apenas uma empresa de vestuário, mas quase uma instituição
que visa provocar a controvérsia através da publicidade que apresenta.
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Já não é para vender um produto
que a publicidade atual é difundida, mas sim para criar e manter uma
imagem.
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Olivero Toscani, o fotógrafo oficial da
Benetton,
produz imagens chocantes, irreverentes, ou até mesmo reveladoras do que
se passa no mundo de hoje.
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As sua mensagens abordam os
temas mais diversos, como o racismo, a AIDS, a guerra, a política, ou
até mesmo a ajuda humanitária.
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Deste modo a Benetton
fomenta o debate sobre temas polêmicos da atualidade, conseguindo ao
mesmo tempo captar a atenção dos órgãos de comunicação mundiais
durante algum tempo. No caso da AIDS, a Benetton iniciou uma
campanha em 1991 contra essa doença, tendo-a continuado até 1997. Em
1993, no Dia Mundial da AIDS a campanha atingiu o auge quando o
Obelisco da Place de la Concorde foi coberto por um preservativo
gigante.
Em 1998,
Olivero Toscani
propõe-se fazer uma campanha sob o tema das convivências pacíficas entre
judeus e árabes. Mas a ação não se restringe ao lançamento de mensagens,
a
Benetton
participa ativamente em campanhas e organizações para resolução de
alguns dos grandes problemas da humanidade
(o racismo, a fome, etc.).
Como refere o diretor criativo da empresa:
Hoje, uma grande empresa tem
responsabilidades sociais e políticas, não produz só camisolas ou
outro produto qualquer, também produz civilização, produz trabalho,
produz vida, mais do que cultura. As grandes companhias são hoje o
que costumavam ser antigamente as religiões e as igrejas.
A imagem Benetton é
normalmente apresentada ao consumidor em revistas ou cartazes, sendo
dada especial atenção às publicações para o público jovem. Neste campo a
Benetton
usa a publicidade advertorial, dado que elabora inteiramente reportagens
e artigos que são fornecidos gratuitamente à imprensa mundial. Ela
própria publica uma revista bimensal, a
Colors,
distribuída na Europa, América e Ásia.
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A imagem das lojas é também um fator publicitário importante, divulgando
os produtos e a imagem da marca. Existem certos casos em que as lojas
promovem eventos culturais para jovens. Na opinião de uma consumidora
assídua da marca, o cliente
Benetton
é levado a comprar pelas cores e modelos das roupas, e pela sua
apresentação nas lojas.
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A Benetton é muito mais que uma empresa de fazer cores. Depois de mais
de 32 anos de existência ativa no sector têxtil, o seu ritmo de
crescimento diminuiu, face aos seus rivais concorrentes. Por isso, ela
decidiu ingressar noutras áreas.
No ano de estréia de 1981, a
Benetton começou por investir numa empresa de design, adquirindo 50%
do seu capital e no ano seguinte investiu em 70% de uma fábrica de
calçado. Em 1985 decidiu vender a sua parte da empresa de design
devido ao insucesso verificado e comprar 5% de uma empresa no ramo
da informática.
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A Timex acordou com a
Benetton fazer a produção e distribuição de relógios por todo o
mundo, depois desta ter obtido o licenciamento da marca Benetton.
Também a Polaroid foi autorizada a produzir óculos com a marca
Benetton e a empresa Renault fabricou o carro Twingo Benetton.
A
Benetton
está igualmente relacionada com perfumes, cosméticos, roupa para casa,
artigos para bebê e investiu no seu país de origem em 70% no capital
social de uma empresa de factoring, 50% em duas empresas de leasing e
20% num banco privado. Tem ainda uma escola chamada Fabrica, que foi
concebida inteiramente pela Benetton. Foi inaugurada próximo de Treviso,
a cidade berço da empresa, e tem como propósito alojar jovens de todo o
mundo para prosseguir projetos sobre a linguagem dos mass-media.
A Benetton nasceu do
espírito de um gênio do marketing, que soube transformar um
insignificante negócio familiar num dos maiores e mais
revolucionários impérios da indústria do pronto-a-vestir.
Multicolorida como os artigos que produz, a saga da Benetton é a
história de uma família e de uma empresa implantada nos cinco cantos
do globo. Além do sector têxtil, Luciano Benetton conseguiu
situar-se em áreas tão diversas como a banca, a indústria do
calçado, os seguros e até mesmo a indústria automóvel.
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É na capacidade de ter
idéias que reside a diferença entre a vitalidade e a apatia.
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Luciano Benetton.
Desde o início,
Luciano Benetton
procurou a diferenciação no negócio dos têxteis, introduzindo peças de
vestuário com cores vivas e variadas, que passaram a constituir, por si
só, a base da sua mensagem comercial. Assim surgiu a denominação
"United Colors of Benetton".
Na verdade, existem muitas outras empresas que oferecem uma grande
variedade de cores, mas apenas a
Benetton
consegue impor uma imagem de
"marca das cores"
de uma forma tão poderosa.
O processo de
fabricação na Benetton tem início no design dos artigos, cuja
supervisão está, desde a fundação da empresa, a cargo de Giuliana
Benetton. Esta atividade integra-se no departamento de investigação
e desenvolvimento e conta com a contribuição de cerca de 200
colaboradores de diferentes nacionalidades.
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A sua única função é responder às constantes mudanças no mercado
têxtil, adaptando o design, as cores e a qualidade das
matérias-primas aos padrões de exigência dos clientes. Da pesquisa
conjunta das tendências no mundo da moda resultam aproximadamente 4
mil novos modelos por ano! Este grande volume de negócios obriga
naturalmente a um planejamento cuidadoso e antecipado das
matérias-primas necessárias à produção, essencialmente, lã e
algodão.
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De fato, para que a Benetton
possa programar, produzir e fornecer os seus produtos, as encomendas
devem ser efetuadas com nove meses de antecedência. Ainda assim, o
plano de produção permite alguma flexibilidade, uma vez que as peças
de roupa são tingidas após a sua confecção, o que constitui aliás a
principal diferenciação produtiva da Benetton.
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Como os retalhistas têm a
possibilidade de encomendar mais tarde os modelos com as cores
preferidas dos clientes, é possível produzir apenas de acordo com os
requisitos do mercado e não para estoque, como é habitual neste
negócio.
Ao
todo, cerca de 80%
da produção é sub-contratada a pequenas empresas independentes da região
que, na sua maioria, trabalham exclusivamente para a Benetton. Os
restantes 20% correspondem à compra das matérias-primas, ao planejamento
da produção, ao desenvolvimento do produto, ao corte do molde e ao
tingimento, atividades realizadas pela própria empresa. Naturalmente,
entre a Benetton e as unidades por ela sub-contratadas existe uma
ligação muito próxima.
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Por exemplo, a Benetton
fornece a quantidade exata da matéria-prima necessária ao processo
produtivo, presta apoio técnico, dá indicações sobre os tempos de
duração de cada atividade, aconselha o tipo de maquinaria a comprar e
proporciona auxílio financeiro para o leasing e factoring do
equipamento. Através da assistência contínua, a empresa consegue assim
que as unidades sub-contratadas dominem os procedimentos e técnicas
exigidas pela produção dos artigos Benetton com boa qualidade e a baixos
custos.
A concentração geográfica da
produção facilita também o intercâmbio de informação, já que mais de
75% das atividades fabris da Benetton são levadas a cabo na Europa.
O principal centro produtivo situa-se em Castrette, Treviso, mas
existem também unidades em Espanha, França, Escócia e Estados Unidos
da América.
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O investimento nestas
fábricas situadas fora de Itália visa sobretudo contornar as
dificuldades encontradas a nível de tarifas aduaneiras e outras
barreiras protecionistas à importação, e por isso a sua produção
destina-se apenas a satisfazer parte das necessidades locais.
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Em complemento, o
processo de distribuição é também gerido com muito cuidado. Entre as
várias inovações aplicadas no principal centro de distribuição da
empresa em Castrette encontra-se um sistema com capacidade para
detectar, através da leitura de códigos de barras, a área geográfica
e a loja a que se destina a encomenda e um sistema automático de
embalagem dos produtos.
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Este último contribui decisivamente para a otimização da gestão
logística global, tendo, só no primeiro semestre do ano,
possibilitado uma redução de cerca de 7 bilhões de liras em custos
de transporte.
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O centro de
distribuição está ligado por uma passagem subterrânea à principal
unidade de produção e foi completamente automatizado, funcionando
com apenas 20 funcionários que expedem um volume aproximado de 30
mil embalagens por dia.
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