Saúde e Higiene: Consenso da Associação Brasileira do Climatério

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Fonte do texto: Internet


Consenso da Associação Brasileira do Climatério

Benefícios

Os estudos mostram que a terapêutica hormonal alivia efetivamente os sintomas do climatério, como ondas de calor (fogachos), insônia, irritabilidade, depressão e distúrbios relacionados aos órgãos genitais (ressecamento vaginal, prurido vulvar e incontinência urinária, entre outros), proporcionando melhor qualidade de vida às mulheres.

O presidente do Conselho Científico da Sobrac e coordenador geral do consenso, Dr. César Eduardo Fernandes, explica que outra vantagem da TH é prevenir e tratar a osteoporose (redução da massa óssea que provoca manifestações dolorosas e aumento do risco de fraturas). "Há evidências na literatura sobre a eficácia da TH na redução de fraturas por osteoporose quando é feito o uso de estrogênio isolado ou associado ao progestagênio", informa.

Indicações e contra-indicações

Para indicar a TH, o consenso da Sobrac informa que o médico deve observar se os sintomas da menopausa, principalmente ondas de calor, alterações menstruais, atrofia urogenital e tendência à osteoporose, interferem na qualidade de vida da paciente. "Nesses casos, os estudos científicos apresentam benefícios comprovados", destaca Fernandes.

Mas as contra-indicações devem ser igualmente avaliadas. O médico deve verificar se a paciente possui antecedentes ou riscos elevados de doenças como tromboembolia, câncer de mama, câncer de endométrio e doença hepática, além de apresentar sangramento vaginal não diagnosticado ou porfiria (distúrbio provocado por deficiências de enzimas).

Menor dose efetiva

Muitos dos efeitos benéficos e adversos da terapia estão relacionados à dose hormonal, por isso, a tendência é que elas sejam reduzidas, de forma a trazer perspectivas para diminuir os riscos do tratamento. "A menor dose efetiva é a mais indicada", informa Fernandes.

Tratamento individualizado

Até quando a TH deve ser mantida? De acordo com o documento da Sobrac ainda não há um consenso sobre essa questão, mas a continuação ou interrupção depende de criteriosa análise da relação risco/benefício. "O tratamento deve ser individualizado, pois é preciso acompanhar a manutenção dos benefícios, a melhora da qualidade de vida e o aparecimento de efeitos adversos", ressalta o médico. "A preferência da mulher em continuar ou não o tratamento é um item importante a ser considerado", completa.

Os hormônios

Os principais hormônios empregados na TH são os estrogênios e os progestagênios, além dos androgênios e outros.

Os estrogênios naturais são aqueles constituídos por moléculas idênticas às produzidas pelo organismo feminino, mesmo que sejam através de síntese em laboratório. Esse é o caso dos hormônios estradiol, estrona e estriol, e seus ésteres (valerato de estradiol).

Os progestagênios foram inseridos na terapêutica para proteger o endométrio (revestimento interno do útero). Os estudos indicam que o uso desses hormônios pode contribuir para a piora de alguns dos sintomas da menopausa, por exemplo, irritabilidade, depressão, aumento do peso e retenção de líquido. Outro fato é que alguns progestagênios podem neutralizar o efeito positivo do estrogênio sobre alguns órgãos e sistemas, por exemplo sobre os vasos sangüíneos e lípides plasmáticos, e também podem aumentar os riscos de câncer de mama. Por isso é importante que a associação escolhida para a terapia hormonal contenha um progestagênio diferenciado e que não interfira nos efeitos benéficos do estrogênio.

Com o aparecimento de androgênios derivados da testosterona natural, que permite a liberação de quantidades mais constantes, mas em doses menores, existem boas possibilidades de que esse hormônio seja adotado com maior freqüência para a terapia hormonal.

A tibolona e os chamados SERM (moduladores seletivos dos receptores de estrogênio), são substâncias com ações distintas dependendo do órgão ou sistema considerado, que podem ter ações estrogênicas, progestagênicas e androgênicas. São modalidades de tratamentos com indicações específicas para determinado objetivo terapêutico, em geral indicados para mulheres na pós-menopausa.

Influência da TH sobre as doenças cardiovasculares (DCV)

Até meados da década passada estudos observacionais mostravam que a terapêutica hormonal poderia oferecer proteção cardiovascular às mulheres na pós-menopausa. Após 1998, foram publicados estudos que questionaram o papel da TH na prevenção das doenças cardiovasculares (DCV), o que gerou grande controvérsia sobre o assunto.

O documento da Sobrac relata um aspecto importante da TH versus o risco vascular: a chamada "janela de oportunidade", que pressupõe a existência de um período oportuno para iniciar a terapia e prevenir as conseqüências da deficiência estrogênica. Se ultrapassada essa fase, ou perdida essa oportunidade, a TH não seria eficaz para prevenir distúrbios do coração.

O consenso informa que não se pode afirmar que a TH só apresente riscos cardiovasculares e não ofereça qualquer benefício de proteção. Apesar da necessidade de confirmação por estudos controlados, parece que a terapia, se corretamente empregada, pode ser de grande valor na prevenção primária das DCV. Mas, devido à ausência de comprovação desse aspecto, essa indicação não é recomendável. Além disso, a TH não deve substituir as medidas de prevenção das doenças cardiovasculares já consagradas pela comunidade médica.

Para o coordenador geral do consenso, outras medidas são importantes para minimizar os fatores de risco das DCVs. "A paciente deve ser estimulada a mudar hábitos de vida, com orientação nutricional apropriada e prática de exercícios regulares", orienta Fernandes.

Influência da TH sobre o câncer de mama

As pesquisas apontaram que a adição de progestagênios aos estrogênios em TH aumenta o risco de câncer de mama após 5 anos de uso, enquanto a terapêutica apenas com estrogênios isoladamente não parece aumentar este risco.

Em recente divulgação, o Instituto Nacional de Saúde (NIH - National Institute of Healthy) dos Estados Unidos encerrou um importante braço da pesquisa do Women's Health Initiative (WHI) - estudo polêmico sobre a TH publicado em 2002 que revelou o risco de câncer de mama - com 11 mil mulheres tratadas aleatoriamente com estrogênio isolado ou placebo. Após sete anos completos do trabalho não houve alteração na incidência de câncer de mama.

Se o câncer de mama for diagnosticado, a recomendação atual é que a terapêutica hormonal seja interrompida, independentemente da existência de estudos retrospectivos que não demonstram piora no prognóstico a curto prazo.

Sobre a Sobrac

A Associação Brasileira de Climatério (Sobrac) foi fundada em 1986 por um grupo de médicos interessados no estudo do climatério (masculino e feminino). Hoje a instituição conta com mais de três mil sócios no País, congregando profissionais da saúde, professores e pesquisadores. A entidade tem como objetivo contribuir para o aperfeiçoamento da classe médica, particularmente ginecologistas, por meio de publicações e eventos, além de difundir informações atualizadas sobre o assunto à sociedade.

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