| Alcoolismo Feminino
Desde que a mulher, após seu movimento de emancipação
ampliou seu espaço social e aumentou sua participação
na disputa pelo mercado de trabalho, incrementando sobremaneira
suas responsabilidades (mãe, amante, dona de casa
e agora provedora), houve uma modificação
na gravidade e nos tipos de doenças que incidem no
sexo feminino. Doenças como o infarto agudo do miocárdio,
acidente vascular cerebral e outras, mais frequentes no
sexo masculino porque ligadas a um aumento de responsabilidade,
competitividade e nível de stress, estão agora
também incidindo mais sobre as mulheres. Também
as mulheres estão cada vez mais usando drogas, tanto
as permitidas como o cigarro, álcool, antidepressivos,
hipnóticos, ansiolíticos, etc quanto as proibidas
como maconha e cocaína entre outras.
A distinção
entre o uso aceitável e a dependência do álcool
não é nítida, é variável
entre as diversas culturas e grupos sociais. O CID-10 (décima
versão da Classificação Internacional
de Doenças) define farmacodependência como
"um conjunto de fenômenos fisiológicos,
comportamentais e cognitivos nos quais o uso de uma substância
ou classe de substâncias torna-se prioritário
em relação a outros comportamentos que antes
tinham maior importância para um dado indivíduo.
Uma característica descritiva central desta síndrome
é o desejo (frequentemente forte, às vezes
irresistível) de usar drogas psicoativas (que podem
ou não terem sido prescritas), álcool ou tabaco."
Desde os tempos mais remotos da história do homem
ele abusou do consumo do álcool com propósitos
eufóricos, para celebrar várias festividades,
para dar cunho solene a rituais religiosos, no exercício
de atividades sociais e para proporcionar alívio
do seu stress emocional imediato ou contínuo.
Os problemas relacionados
ao alcoolismo ocorrem, em média, por volta dos quarenta
anos. São a conseqüência do hábito
de beber iniciado muitos anos antes, na maioria das vezes
durante a adolescência. Em geral se verifica que o
alcoólatra começa a se habituar através
do etilismo social, no qual ele tanto encontra alívio
das tensões usuais da sua vida quanto descobre que
suas tensões internas podem ser neutralizadas pela
ingestão de bebidas alcoólicas. Com o decorrer
do tempo ele se torna cada vez mais dependente da bebida
como um meio de reduzir a ansiedade.
O alcoolismo ainda
é mais comum entre os homens do que entre as mulheres.
Igualmente, o reconhecimento da sua existência como
um hábito ou vício gradual tem lugar, em média,
quase uma década antes nos homens do que nas mulheres,
apesar de que nota-se uma tendência à diminuição
deste tempo. Muitas mulheres casadas começam a beber
na meia idade, quando seu papel de mãe e esposa é
desafiado pela partida de seus filhos - o desafio do "ninho
vazio". Quando se examinam as famílias e os
parentes de alcoólatras em relação
ao risco de doença psiquiátrica, parece que
os distúrbios afetivos primários são
descobertos em uma considerável proporção
de mulheres alcoólatras - nas quais este termo é
usado para significar um distúrbio presente antes
que tenha ocorrido o etilismo excessivo.
A genética,
a constituição e as experiências emocionais
da mulher, em suas transações familiares e
sociais, contribuem para predispor ao alcoolismo. As influências
culturais reforçam os padrões familiares,
estabelecendo a predileção pelo abuso do álcool
como o meio de obter alívio da ansiedade e da depressão
(que realmente ocorrem muito mais em mulheres que em homens).
Experiências posteriores de privação
do apoio emocional podem agir, às vezes repetitivamente,
como precipitantes de períodos de etilismo ou do
retorno ao álcool, por parte daquelas que abandonaram
o hábito.
O álcool é
descoberto como um alívio para as penosas emoções
interiorizadas porque os pais são permissivos em
relação à bebida. O alcoolismo de alguma
forma é muito mais comum nos pais, irmãos
e no cônjuge do que na população em
geral. É esta indulgência franca para com o
álcool, na família ou no grupo adolescente
da futura viciada, que favorece o defeito do superego que
permite seu uso repetido. Secundariamente, surge a dependência
psicológica e farmacológica que, a princípio,
proporciona euforia, mas que, mais tarde, à medida
que as frustrações do ego aumentam, oferece
pouco mais do que um lenitivo para as tensões insuportáveis.
As bebidas alcoólicas
mais consumidas entre nós costumam apresentar, com
variações, a composição por
100 ml abaixo:
| BEBIDA |
ÁLCOOL |
GLICÍDIOS |
| Cerveja |
3,8 |
3,5 |
| Vinho tinto |
10,5 |
2,0 |
| Vinho branco |
10,5 |
4,0 |
| Champanha doce |
11,0 |
10,0 |
| Champanha seco |
11,5 |
1,0 |
| Vinho do Porto |
15,0 |
6,0 |
| Vinho Madeira |
14,0 |
3,0 |
| Vermute italiano |
18,0 |
12,0 |
| Xerez |
15,0 |
3,0 |
| Aguardente |
35,0 |
|
| Rum |
35,0 |
|
| Vodca |
45,0 |
|
| Uisque |
35,0 |
|
| Bourbon |
40,0 |
|
| Gim |
28,0 |
|
| Conhaque |
35,0 |
|
Os fatos principais
referentes ao metabolismo do álcool podem ser resumidos
dentro dos itens que se seguem:
- O álcool é absorvido
no estômago e no intestino delgado.
- O alcool absorvido pode aparecer
logo no ar expirado e na urina, mas é muito pouco
eliminado por estas vias.
- A absorção do
álcool é maior quando ingerido com o estômago
vazio e se retarda quando usado no curso das refeições
ou juntamente com leite e com alimentos gordurosos.
- O álcool absorvido fornece
ao organismo 7 calorias por grama.
- A metabolização
do álcool se dá quase inteiramente no
fígado.
O álcool provoca
doenças no sistema nervoso, estômago, fígado,
pâncreas, além de distúrbios nutricionais,
alterações da imunidade e sociopatias.
Num estudo retrospectivo
(década de 80), onde foram analisados 400 prontuários,
200 de homens e 200 de mulheres, a fim de verificar-se a
freqüência do consumo de bebidas alcoólicas,
os indivíduos em pauta eram, em grande maioria, de
nível social médio alto, com bom padrão
educacional, econômico e social. Tais pacientes foram
catalogados com relação ao uso de álcool
da seguinte maneira:
- Grupo zero= indivíduos
abstêmios, ou quase. Raramente ingeriam quantidades
mínimas de bebidas alcoólicas.
- Grupo um = indivíduos
que aceitam bebidas em festividades ou ocasiões
especiais, tomando pequenas quantidades em grandes intervalos.
Ocasionalmente um chope, um vermute ou um vinho.
- Grupo dois= indivíduos
que começam como social drinkers, bebendo e repetindo
as batidas e coquetéis servidos em reuniões.
Gostam do uísque e da vodca, usando-os em casa.
Ingerem de 10 a 30 g de álcool/dia.
- Grupo três= pacientes
já considerados grandes bebedores, consumidores
de gim, uísque, vodca ou cachaça. Bebem
cerca de 100 a 120 g de álcool ou mais, por dia.
A tabela abaixo
mostra as freqüências com que foram assinalados
os vários grupos.
|
USO DE ALCOOL
|
HOMENS
|
MULHERES
|
|
0
|
64%
|
76%
|
|
1
|
20%
|
12%
|
|
2
|
12%
|
10%
|
|
3
|
4%
|
2%
|
Além de várias
outras conclusões este estudo, comparado com outro
feito anteriormente, mostrou um aumento de mulheres que
usavam álcool e que era mais difícil conseguir
dados do grupo feminino (as mulheres conseguem beber por
mais tempo sem serem detectadas).
Dr. Paulo Cesar Madi
Clínica Médica
- Santo Antonio da Posse - SP
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