Psoriase
Psoríase (do grego psoríasis = erupção
sarnenta) já era conhecida desde os tempos mais remotos,
existindo sua descrição e tratamento no Papiro de
Ebers datado de 1550 a.C., foi descrita modernamente por Willan
em 1801. Esta doença é uma afecção
típica da espécie humana, não podendo ser
reproduzida experimentalmente. Como a acne e o eczema, a psoríase
é uma das dermatoses mais freqüentes e de distribuição
universal, sendo possível que ela ocupe o segundo lugar,
por ordem de freqüência, depois dos eczemas. Nas grandes
estatísticas dermatológicas, a psoríase figura
entre 5 a 7% dos casos. É uma doença muito comum,
crônica e recorrente, caracterizada por placas e pápulas
descamativas, bem delimitadas, de vários tamanhos e de
cor prateada.
A gravidade da psoríase pode variar desde 1 ou 2 lesões
praticamente assintomáticas, até doença generalizada
com esfoliação e artrite debilitantes. A causa da
doença é desconhecida, mas sabe-se que a descamação
espessa deve-se a um aumento na velocidade de proliferação
das células epidérmicas. Cerca de 2 a 4% da população
branca é acometida. Entre os negros esta porcentagem é
bem menor. O aparecimento da doença em geral se dá
entre a 1ª e a 4ª décadas de vida, mas nenhum
grupo etário está livre do risco. É comum
haver história familiar de psoríase. O estado geral
do paciente não é afetado, exceto pelo estígma
psicológico de uma doença "feia", a menos
que haja artrite grave ou esfoliação resistente
ao tratamento.
A psoríase é mais freqüente no sexo feminino
antes da puberdade, enquanto que no homem, a doença costuma
iniciar-se mais tarde, entre os 15 e 30 anos de idade. Em apenas
2% dos pacientes, a psoríase se instala após os
60 anos de idade. O aparecimento da doença em geral é
gradual. A evolução típica do quadro se dá
com remissões e recidivas crônicas (às vezes
com exacerbações agudas), que variam tanto na freqüência
quanto na duração. Há diversos fatores relacionados
com o aparecimento das erupções psoriásicas.
Entre eles temos traumatismo local (fenômeno de Koebner,
que se constitui no aparecimento de lesões sobre o local
onde ocorreu um trauma), queimadura solar intensa, estado emocional,
medicamentos tópicos, suspenção de tratamento
com corticóides, pós infecção das
vias aéreas superiores (principalmente em crianças).
As lesões, eritemático-escamosas ou descamativas,
têm limites nítidos, tamanhos e formas diversas,
podendo surgir em qualquer parte da pele, ainda que sejam mais
habituais em certos locais (couro cabeludo, cotovelos, joelhos,
o dorso e as nádegas). Com efeito, as lesões podem
ser muito pequenas, em pontos (psoríase pontuada), de tamanho
lenticular (psoríase em gotas ou psoríase lenticular),
ou do tamanho de moedas (psoríase numular), porventura
em forma de anéis (psoríase anular) ou em figuras
serpiginosas (psoríase serpiginosa), às vezes muito
extensas (psoríase geográfica). É óbvio,
porém, ser possível aparecerem no mesmo doente diversas
modalidades morfológicas. As lesões podem ser muito
discretas em qualquer região do corpo, surgir em locais
dispersos e até em toda a superfície cutânea.
Sendo habitualmente fácil o diagnóstico da psoríase,
em alguns casos pode ser necessário comprová-lo.
Para isso, tem importância a curetagem metódica de
Brocq, que consiste em rapar a lesão psoriática
com uma cureta ou simplesmente com a unha, destacando sucessivas
camadas de escamas (sinal da vela). Aparecerá uma última
fina camada epidérmica, a qual, arrancada, evidencia uma
superfície brilhante e momentos depois hão de surgir
algumas gotículas de sangue (sinal do orvalho hemorrágico
ou sangramento de Auspitz). Em volta das lesões observa-se,
freqüentemente, uma área pálida, decorrente
de provável constricção vascular (anel ou
halo de Woronoff).
Podemos distinguir três modalidades clínicas da
psoríase, a psoríase vulgar, a psoríase pustulosa
e a psoríase artropática. A psoríase vulgar
responde por cerca de 90% dos casos que, por sua vez, apresenta
as formas "pontuada", "em gotas", "numular",
"geográfica", etc. A psoríase pustulosa
caracteriza-se por pústulas estéreis, que acometem
as palmas e as plantas ou são generalizadas, nem sempre
apresentando lesões típicas da psoríase.
A psoríase artropática lembra muito a artrite reumatóide
e pode ser tão debilitante quanto ela, não se encontra,
no entanto, o fator reumatóide no soro do paciente.
A doença evolui por surtos de intensidade variável
durante toda a vida. Pode, porém, desaparecer durante um
tempo mais ou menos longo, de meses ou anos, espontaneamente ou
após terapêutica.
O prognóstico depende da gravidade e da extensão
do acometimento inicial. Em geral, observa-se que quanto mais
cedo ocorrer a doença, pior o prognóstico. As crises
agudas em geral melhoram logo, mas a remissão total do
quadro é rara. Nenhum dos métodos terapêuticos
conhecidos até hoje garantem a cura, mas é possível
controlar a doença na maioria dos casos. O tratamento deve
ser sempre acompanhado por um médico.
Dr. Paulo Cesar Madi
Clínica Médica - Santo Antonio da Posse - SP
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