O que é SER MULHER?
Pergunta geradora de muitos questionamentos em solo fértil
de tantas respostas. SER MULHER ... assumir polaridades feminino-masculino,
criando e re-criando, como em um caleidoscópio, imagens
e formas de viver. Viver sendo, fazendo, conhecendo e re-conhecendo
a criação construída a cada dia. Momento
fugaz que mostra e esconde a essência do feminino presente
em todos nós.
Mulher-criança, mulher-adolescente, mulher-madura, mulher-mulher,
que assume papéis diversos. Heroínas do viver, quando
o viver é prova de flexibilidade.
Mulher-mãe, sedutora, intelectual, espiritualizada, facetas
de um mesmo ser que aparecem - desaparecem no jogo de luzes e
sombras. Escolhe, enterra, desenterra, descobre, mistura possibilidades,
caminhos de SER, encontros consigo.
No início da vida no planeta Terra foi centro de tudo.
Grande geradora, com poderes de criar, cooperar, plantar e colher
frutos para alimentar, nutrir. Depois transformou-se em "propriedade".
Quando descobriram a competição pela escassez, o
Sedentarismo, as armas, e que o compartilhar das sementes e do
sexo era necessário para gerar novas vidas, tornou-se cativa.
Fixada na polaridade feminina, represando o rio caudaloso da polaridade
masculina.
Em um salto de milênios e gerações , surge
novamente a necessidade da participação da mulher
no âmbito público através do trabalho. O suor
nas fábricas marca a Revolução Cultural...
Industrial... novos tempos, novos papéis - emblema da Dupla...
Tripla jornada de Trabalho. Do espaço doméstico
volta-se também para o espaço público, domínio
masculino. Surge a necessidade do delimitar, rompendo os limites,
regras anteriores. Na década de 60 surge o Movimento Feminista,
buscando desmoronar barreiras e diferenças ... rever papéis,
direitos, costumes.
Homens e mulheres degladiam-se pela igualdade... de condições,
de direitos, de efeitos, de papéis, de salário,
de respeito. Esquecem da mínima diferença que aparta,
une e facilita a construção da singularidade nas
relações Homem-Mulher. Identidades construídas
a partir de polaridades que se cruzam e entrecruzam na busca do
SER-EU, SERMOS NÓS.
Homens e mulheres se fazem gênero na relação
escolhida, talhada, esculpida com homens e mulheres. Pai, Mãe,
irmãos, irmãs... primeiros modelos, referências
das construções ao longo da vida do que é
SER MULHER. Que papéis assumir? Quando? Onde? Como? O que
é meu e o que é do outro? Mulher-executiva, Mulher-Política,
Mulher-afeto, Mulher des-afeto... mulher... simplesmente mulher.
Mas, que mulher?
Mulher em busca, nas relações, no ser feminino-masculino,
passivo-ativo, movimentos opostos e complementares. Mulher, Homem,
espaços distintos delineados com o mesmo jogo de opostos
(feminino, masculino). Então, onde está a diferença,
o limite? Mulher e homem, como sair da competição
pelo mesmo espaço? Como ser diferentes na igualdade? Sair
do mito de papéis pré-estabelecidos, construindo
realidades peculiares a cada relação? Como desapegar
da necessidade de controlar o outro, sobrepujando e anulando-o?
Homem, mulher, como alcançar os matizes do viver - cooperar,
plantar e colher frutos da simplicidade, saindo da complexidade
do competir, retomando a possibilidade do dividir? Criar, metamorfoseando
novas gerações, ideais, diferenças, semelhanças,
territórios divididos, compartilhados, negociados. É
possível?
Adriana Marques dos Santos
Psicóloga formada pela UERJ, Gestalt-terapeuta, especializada
em Grupos pela Universidad de Barcelona. Atualmente em formação
em Psicoterapia Reichiana. Atende individualmente e a grupos.
Atualmente desenvolve trabalho específico com GRUPOS de
MULHERES - espaço para reflexão, no Portal Violeta,
Tijuca. Telefone: 21 234-2533.
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