Saúde
e Higiene: CONCEITOS E CAUSAS DA INFERTILIDADE
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CONCEITOS E CAUSAS DA INFERTILIDADE
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- Dra. Maria Cristina S. Biazotti
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A infertilidade afeta aproximadamente
1 em cada 5 casais. As causas da infertilidade podem
estar ligadas a problemas masculinos (40%), femininos
(40%) ou a uma combinação de ambos (15%),
nos outros 5% dos casos não há causas
aparentes para o problema. De qualquer modo, antes
dar início ao tratamento são necessários
alguns exames básicos.
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Para que se faça um diagnóstico
preciso da causa da infertilidade é necessário
uma avaliação clínica e laboratorial
do casal. Portanto, antes de mais nada, a investigação
do casal.
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Infertilidade Masculina
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O espermograma é um exame
de grande importância na avaliação
do homem infértil e deve se solicitado logo
no início. Em caso de alteração
espermática, a rotina é pedir pelo menos
dois testes com intervalo de três meses, isto
porque, este é o período, aproximadamente,
necessário para o nascimento de uma nova família
de espermatozóides. Em alguns casos um fator
ambiental ou medicamentoso poderá estar alterando
temporariamente a qualidade do sêmen.
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É de grande importância afastar uma provável
infecção espermática e até
mesmo uma prostatite.
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Análise do sêmen
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I. Espermograma (OMS - 1992)
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Concentração: ³
20 milhões de espermatozóide/ml.
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Motilidade: > de 50% de espermatozóides
móveis ( grau A + B)
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Grau A: linear rápido (>
25%)
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Grau B: linear lento
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Grau C: móvel não
progressivo (movimento circular)
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Grau D: imóveis
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Morfologia: Assim como a motilidade
progressiva rápida, a morfologia normal é
um parâmetro indicador da capacidade fecundante
do espermatozóide.
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Segundo a morfologia estrita, preconizada
por Kruger & al (1988) um sêmen fértil
deverá apresentar pelo menos 14% de espermatozóides
normais (ovais).
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Vitalidade (teste da eosina-nigrosina):
> de 50% de espermatozóides vivos.
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II. Exames complementares
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Peroxidase ( P.A.S ): < 1 milhão
de células redondas P.A.S positivas por mililitro
de
sêmen. Mais de 1 milhão/ml é sinal
de infecção aguda.
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Swelling Test (teste de hiposmolaridade):
Utilizado para avaliar a integridade da membrana espermática.
Normal: > 50% de espermatozóides inchados.
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Teste de anticorpo anti-espermatozóides
(MarScreen): utilizado para análise da presença
de anticorpos anti-espermatozóides.
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Valores de referência: 0
a 10%: negativo
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11 a 30%: duvidoso
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> 30%: positivo
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Capacitação espermática:
Esta técnica torna o espermatozóide
apto a fertilizar, após um processo de lavagem
e migração ascendente ou descendente.
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Teste de Kremer: para avaliar a
capacidade de penetração espermática
no muco cervical.
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Teste de penetração
espermática ou "teste de Alexander":
Avalia a capacidade dos espermatozóides de
penetrar no muco cervical.
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III. Para evidenciar uma provável
infecção espermática:
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Espermocultura e antibiograma.
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Pesquisa de Chlamydia e Mycoplasma
no sêmen e na uretra.
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Cultura seriada de Stamey: na
suspeita de prostatite
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IV. Dosagens bioquímicas:
Entre outras, a dosagem da frutose pode afastar uma
possível obstrução presente nos
casos de hipospermia.
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Causas mais comuns da infertilidade
masculina
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Produção ou excreção
inadequada do espermatozóide
Infecção espermática
Anticorpos anti-espermatozóides
Varicocele
Obstrução do trato genital
Criptorquidia (falha na descida dos testículos)
Distúrbios do canal da ejaculação
Alterações hormonais
Anomalias genéticas
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Conceitos
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1.Aspermia: ausência de
sêmen.
2.Hipospermia: menos de 2 ml de ejaculado.
3.Hiperespermia: mais de 5 ml de ejaculado.
4.Azoospermia: ausência de espermatozóides.
5.Oligozoospermia: moderada (entre 10 e 20 milhões/ml).
Severa (<10 milhões/ml).
6.Polizoospermia: mais de 250 milhões de espermatozóides/ml
7.Astenospermia: menos de 30% de espermatozóides
progressivos rápidos
8.Teratozoospermia: mais de 50% de espermatozóide
anormais.
9.Necrospermia: todos os espermatozóides mortos.
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Infertilidade feminina
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Na avaliação da infertilidade
feminina é necessário uma investigação
clínica detalhada e em casos de distúrbios
ovulatórios, dosagens hormonais devem ser solicitadas
para afastar alterações endócrinas.
A causa endócrina, pode estar relacionada a
falência ovariana precoce, hiperandrogenismo,
hipotireoidismo, ou causa central hipotálamo-hipofisária.
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É de fundamental importância
a investigação do fator canalicular
(tubo-peritoneal, corporal e cervico vaginal) já
que este sistema desempenha as funções
de captação, transporte e nutrição
dos gametas e do ovo.
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Testes para avaliar a infertilidade
da mulher
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Curva de temperatura Basal (CTB):
No ciclo ovulatório a curva de temperatura
é bifásica, isto porque, a progesterona
(hormônio secretado pelo ovário após
a ovulação) é hipertermizante,
e propicia a elevação da temperatura
na segunda fase do ciclo, mantendo uma platô
térmico de pelo menos 10 dias. A progesterona
é de fundamental importância para a implantação
embrionária no útero. E ainda, a menor
temperatura do ciclo corresponde ao dia ovulatório.
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Score cervical: Características
do muco cervical (volume, filância, tunelização,
cristalização, celularidade) no período
ovulatório. O muco cervical é produzido
no colo uterino (glândulas endocervicais) sob
estímulo estrogênico e é de fundamental
importância para a migração dos
espermatozóides até as trompas.
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Teste pós - coito (Sims - Huhner): para testar
a habilidade do espermatozóide em penetrar
no muco cervical. Esta análise é realizada
no período ovulatório, 6 a 8 horas após
o coito.
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Ecografia transvaginal: Realizada no período
ovulatório, avalia a presença e o grau
de maturidade dos folículos ovarianos e a espessura
da mucosa endometrial.
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Histerossalpingografia (HSG): Radiografia contrastada,
realizada entre o 7o e 10o dia do ciclo mentrual,
útil na avaliação anatômica
do útero e das trompas visando detectar a existência
de obstruções tubárias ou outras
anomalias.
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Histeroscopia: visualização da cavidade
interna do útero para a afastar a presença
de sinéquias pós curetagem uterina ou
ainda pólipos endometriais e miomas submucosos,
assim como uma possível endometrite que dificultaria
a implantação embrionária.
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Laparoscopia: investiga a cavidade pélvica
afastando a presença de aderências pélvicas;
endometriose; obstrução tubária;
má formação uterina; mioma e
doença inflamatória pélvica.
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Causas mais comuns da infertilidade
feminina
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Fator Ovulatório
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Ausência de óvulos
Disfunção ovariana
Anormalidades no eixo hipotálamo hipofisário
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Fator Tubário
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Ausência ou obstrução
das trompas de falópio
Aderências pélvicas
Endometriose
DIP - Doença Inflamatória Pélvica
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Fator uterino
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Anomalias anatômicas
Distúrbios de implantação (alteração
endometrial)
Seqüelas de infecção ou cirurgia
(sinéquias)
Pólipos e miomas.
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Fator imunológico:
Pode estar presente tanto no muco cervical quanto
nos
espermatozóides.
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Fator psicossomático:
Embora seja muito discutido, alguma evidências
diretas e indiretas sugerem a validade da etiologia
psicogênica em determinados casos de infertilidade.
A exemplo de outros distúrbios psicossomáticos,
e a infertilidade psicogênica se desenvolve
através de um processo que partindo de um conflito
intra-psíquico, geralmente se somatiza, a nível
inconsciente, em estruturas neuroendócrinas
e neurovegetativas, alterando, no caso presente, a
fisiologia da ovulação e/ou de outras
vísceras reprodutoras.
Dra. Maria Cristina Biazotti
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Especialista em Reprodução
Humana com formação na Clinique Saint-Antoine,
Rouen, França e Maternité Port-Royal,
Paris, França
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Mestra em Tocoginecologia Pela
Unicamp
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