Artrite Reumatóide
A Artrite Reumatóide (AR) é
uma doença inflamatória crônica sistêmica
que afeta as articulações e outros órgãos.
A causa é desconhecida e não possui nenhum
teste diagnóstico específico.
O American College of Rheumatology recentemente
revisou os critérios diagnósticos da doença
para dar uniformidade em sua investigação
eepidemiologia e são eles:
- rigidez articular matinal com duração
> ou = a 1 hora
- edema (inchaço) de 3 ou mais articulações
- edema das articulações das mãos
(dedos), interfalangeanas, e/ou pulso (punho) metacarpofalangeanas
- edema simétrico (bilateral) dos tecidos moles
periarticulares
- presença de nódulos subcutâneos
- Fator reumatóide no sangue positivo
- erosões articulares e/ou periarticulares
com diminuição da densidade óssea,
nas mãos ou pulsos, observadas em exames radiológicos.
O critério para o diagnóstico
é a observação contínua por
6 semanas ou mais e 4 dos 7 critérios estarem presentes.
Seu aparecimento ocorre entre a 4 e 6
década de vida (exceto a forma juvenil). As mulheres
são mais freqüentemente acometidas que os
homens (2a 3 vezes).
Sua etiologia (causa) permanece desconhecida
e os pesquisadores tentam 3 pontos de investigação
que são promissores:
1) fatores genéticos.
2) anormalidades autoimunes e
3) uma infecção microbiana
aguda ou crônica como gatilho para a doença.
Os achados clínicos podem variar.
As articulações das mãos, pulsos,
joelhos, pés e tornozelos, pescoço, cotovelos,
ombros, quadris, esterno-claviculares, têmporo-mandibulares
e cricoaritenóide (na frente do pescoço)
podem ser acometidas (dor, inchaço e inflamação
com destruição progressiva articular). Outros
órgãos ou tecidos como a pele, tecido subcutâneo,
unhas, músculos, rins, coração, pulmão,
sistema nervoso, olhos e sangue podem apresentar alterações.
A chamada Síndrome de Felty (aumento do baço,
dos gânglios linfáticos e queda dos glóbulos
brancos em paciente com a forma crônica da AR) também
pode ocorrer.
Laboratorialmente a anemia é um
achado comum, assim como o nível de ferro sangüíneo.
O fator reumatóide no sangue é positivo
em cerca de 80% dos casos e anticorpos antinucleares,
detectados por imunofluorescência em geral em baixa
titulagem são encontrados em 30 a 40% dos casos.
O tratamento tem como objetivos: aliviar
a dor, reduzir a inflamação, minimizar os
efeitos colaterais indesejáveis, preservar a força
e a massa muscular (atrofias são freqüentes)
assim como a função da articulação
e o retorno ao estilo de vida normal do paciente o mais
rapidamente possível.
O programa inicial básico que
deve ser proposto para a grande maioria dos pacientes
é: repouso adequado, terapêutica antiinflamatória
e medidas físicas (fisioterápicas) para
manter a função articular e a massa muscular.
Geralmente a hospitalização é desnecessária.
Os exercícios, mesmo passivos (feitos com ajuda)
devem ser mantidos assim como a terapia com calor (que
causa dilatação dos vasos sangüíneos,
com aumento do fluxo de sangue para a área e maior
velocidade na remoção das substâncias
metabólicas indesejáveis).
Os antiinflamatórios não
esteróides são a base do tratamento e dentre
eles podemos usar o ácido acetil salicílico,
ibuprofeno, naproxeno, tolmetim, indometacina, sulindac,
piroxicam, diclofenaco e outros. O ácido acetil
salicílico geralmente é mais efetiva que
os outros, mas pela necessidade de altas dosagens os outros
podem ser melhor tolerados.
Os efeitos colaterais destas drogas podem
tornar-se um problema terapêutico e os mais comuns
são: irritação gastrointestinal,
reações na pele, aumento do tempo de coagulação
sangüíneo, toxicidade hepática reversível
e comprometimento da função dos rins.
Se os medicamentos acima falham podemos
usar os antimaláricos, sais de ouro, penicilamina
e o metotrexate.
O antimalárico mais usado é
a hidroxicloroquina que pode causar lesões retinianas
e o acompanhamento oftalmológico se faz necessário.
Os sais de ouro produzem remissão
do quadro em muitos casos tendo como efeitos colaterais
a lesão renal e da medula óssea, também
devendo sermonitorizado o uso da droga.
A penicilamina é também
usada e pode produzir melhora e até remissão
mas, como os sais de ouro, seus efeitos demoram a ocorrer
e os mesmos cuidados acima mencionados devem ser feitos.
Pode ainda induzir outras doenças autoimunes como
a Miastenia Gravis, o Lupus Eritematoso e a Síndrome
de Goodpasture.
As drogas imunosupressoras como a azatioprina,
o metotrexate, a ciclofosfamida e o clorambucil são
usados nos casos graves de AR. O mais efetivo no tratamento
é o metotrexate, mas possui inúmeros efeitos
colaterais.
O uso dos chamados corticóides
possuem efeitos consideráveis na AR, mas devem
ser evitados rotineiramente e a longo prazo, devido a
suas complicações. São indicados
no fracasso da terapêutica conservadora, lesões
articulares severas, presença de importantes manifestações
sistêmicas (outros órgãos) e existência
de alterações oculares. Quando usados devem
ser prescritos na menor dose possível, mas em alguns
casos grandes doses são necessárias (neuropatia,
cardite, pleurite, etc...). Podem causar aumento excessivo
de peso, face de lua cheia, acne, manchas arroxeadas pelo
corpo (equimoses), hirsutismo, diabetes, úlcera
péptica, osteoporose, catarata, miopatia, distúrbios
mentais e aumento do número de infecções
oportunísticas. O sal mais indicado é a
prednisona.
Dr. Jorge W. Magalhães de Souza
Clínica Médica e Perícia
Rio de Janeiro - Brasil
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