Bem diferente de algumas décadas atrás, o homem
tem participado mais ativamente do processo gestacional e de parto.
A freqüência masculina nas clínicas obstétricas
cresceu consideravelmente, pelo acompanhamento de esposas e namoradas
grávidas. Conclui-se então, que a gestação
é uma etapa não só da vida da mulher, mas
sim do casal envolvido.
Sendo assim, não podemos deixar de lado, o que vem e virá
por trás de tudo isso, no que diz respeito ao relacionamento,
à sexualidade do casal grávido. Homens e mulheres
passam por diversas modificações e adaptações
físicas, emocionais, familiares e sociais no decorrer da
gestação, havendo inclusive casos de alterações
no próprio homem como aumento de peso, desconforto, insegurança
depressão, ansiedade, e até mesmo intolerância
gástrica. (Couvade).
Porém, na mulher, os efeitos de uma gravidez tendem a
ser mais contundentes, pois além de envolver diversas questões
existenciais, há uma certa revolução hormonal,
e profundas modificações em todo o seu esquema corporal.
Aparece o conflito entre a mistura de papéis: o de amante,
de esposa, de mulher e de mãe, gerando instabilidade emocional,
e comprometendo seriamente a libido, pois a mulher pode não
se sentir atraente, ou feminina, diminuindo assim a auto-estima.
Quando rebaixada, a auto-estima se manifesta por extrema insegurança,
dando um certo descrédito com relação aos
sentimentos do parceiro. Portanto, a maneira como a mulher se
percebe, e percebe a atração do parceiro, se amada
e desejada, irá influir decisivamente em sua auto-estima,
em sua afetividade, e conseqüentemente em sua sexualidade.
Para o homem, as tensões e responsabilidades sobre o futuro
não exercem tanta influência sobre a sua performance
sexual. Dependendo de suas preferências, as alterações
estéticas corporais da mulher são mais significativas,
e podem servir como barreira ao estímulo de sua libido.
O desejo sexual varia muito durante a gravidez. Vale lembrar que
isso não é uma regra, e pode ser diferente entre
várias mulheres ou numa mesma mulher em gestações
diferentes.
No primeiro trimestre de gestação, a tendência
é a de diminuição do desejo sexual da mulher.
A emoção da realização do desejo de
ser mãe encobre todos os outros desejos, voltando-se assim
para o preparo do enxoval, os cuidados como corpo, e outras preocupações
características da gestação. As fantasias
sobre o aborto aparecem, e alguns desconfortos decorrentes dessa
fase, como enjôos, náuseas e sonolência também
contribuem para um certo afastamento do sexo. Pode acontecer também,
para ambos, o surgimento do conflito da mulher-esposa-amante X
mulher-esposa-mãe, causando uma certa confusão de
papéis e como conseqüência um certo bloqueio
sexual.
A partir do segundo trimestre, a tendência do desejo sexual
é a de voltar ao normal, podendo muitas vezes até
ser aumentado. Devido ao aumento do fluxo sangüíneo,
as secreções vaginais são muito profusas.
Portanto, a gestante geralmente torna-se pronta para a penetração
muito mais cedo do que o usual. A mulher, desta forma, pode passar
a achar o sexo bem mais excitante e satisfatório que antes
de engravidar. Muitas mulheres confessam ter atingido o orgasmo
pela primeira vez nessa fase, ou até mesmo ter conseguido
orgasmos múltiplos. Para o homem, pode haver seu primeiro
impacto com relação ao corpo da mulher, pois é
nessa fase que as alterações físicas tornam-se
mais perceptíveis.
O terceiro e último trimestre é cercado de dificuldades:
algumas advindas do crescimento da barriga, tais como posição
satisfatória para o sexo e o aumento da freqüência
urinária. Outras, de caráter mais emocional, pois
é nessa fase que os movimentos fetais são mais fortes
e mais facilmente percebidos pelo parceiro, causando assim a sensação
de o casal estar sendo espionado por uma terceira pessoa. Alguns
homens temem "machucar" o bebê. Há o retorno
do receio de aborto ou do parto prematuro. Sendo assim, alguns
casais se abstêm totalmente das relações sexuais,
e outros diminuem consideravelmente. Essa fase normalmente coincide
com uma fase de intensa queda na auto-estima, devido às
alterações corporais, preocupação
excessiva com o parto, diminuição do interesse do
parceiro, etc.
As opiniões dos obstetras nessa fase são um pouco
contraditórias. No último mês, alguns recomendam
total abstinência. Outros deixam essa questão livre,
muitas vezes até incentivando a prática sexual,
ajudando na diminuição da ansiedade da mulher. Porém,
concordam sempre na suspensão do sexo caso haja algum risco
obstétrico, como descolamento placentário, risco
de parto prematuro, entre outros.
Para concluir, podemos dizer que: maternidade e libido caminham
juntos. Portanto, é sempre bom lembrar, que uma não
anula a outra. Quando a gravidez não é de risco
(fato esse ressaltado pelo médico durante o pré-natal),
faz bem manter relações sexuais. O sexo aumenta
a cumplicidade do casal, alivia tensões, relaxa e, acima
de tudo, dá um enorme prazer. Além disso, o sexo
exercita os músculos pélvicos, mantendo-os firmes
e flexíveis para o parto. O que pode atrapalhar, como foi
dito anteriormente, é o crescimento da barriga e a falta
de posições para o sexo. Porém, lembre-se
sempre que sexo não se restringe apenas à penetração.
Há outras práticas que podem ser muito prazerosas,
e quem vive bem com a sexualidade durante a gravidez só
tem a ganhar!
Denise P. Bueno da Silva - Psicóloga/Doula
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