Em prol da vida
Drauzio – Enfrentamos uma verdadeira guerra legal a respeito
do tema clonagem. Como você vê a legislação
brasileira que aborda o assunto? Vamos poder avançar nessa
área ou seremos empurrados para os subterrâneos da
ciência?
Mayana Zatz – Tínhamos um projeto de biossegurança
escrito por Aldo Rabelo que abordava tanto o problema dos transgênicos
como a pesquisa com células-tronco embrionárias.
Entretanto, apesar de o projeto ser muito bom e permitir avanços
nessas duas áreas, foi rejeitado pela Câmara dos
Deputados que proibiu as pesquisas com células-tronco e
a plantação de plantas transgênicas sem considerar
o benefício gigantesco que estas últimas, por exemplo,
poderiam representar para a população em geral.
Esse projeto foi encaminhado para o Senado e nós propusemos
sugestões tentando incluir nele a possibilidade de usar
os embriões descartados para fazer clonagem terapêutica.
Por enquanto ele está parado e, se não for aprovado,
estaremos ficando realmente para trás, o que vai ser uma
lástima porque vários laboratórios no Brasil
dominam essa tecnologia e só estão esperando autorização
do governo para iniciar as pesquisas.
Drauzio – Além da ignorância, o que move as
forças contra esse tipo de trabalho? São interesses
políticos, religiosos ou de que outro tipo?
Mayana Zatz – Nessa votação que houve na Câmara
dos Deputados, parece que a oposição foi feita por
grupos religiosos motivados pela idéia de que mexer no
embrião é destruir uma vida.
Drauzio – Sempre me pergunto que direito têm essas
pessoas de impedir o tratamento e a cura de tanta gente que sofre?
Mayanaa Zatz – Esse é um aspecto extremamente importante
a ser discutido. De novo vale a pena considerar que essas pesquisas
estão liberadas na maior parte dos paises da Europa, no
Canadá, Austrália, Japão e Israel. Portanto,
se amanhã houver tratamento fora do Brasil, o governo terá
de pagar royalties por eles. Podendo usar embriões para
curar doenças, será que as pessoas da Comunidade
Européia ou esses outros países valorizam menos
a vida do que nós ou é exatamente o contrário?
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