Saúde e Higiene: A Matemática do Amor

www.economizando.com www.economizando.com

Fonte do texto: Internet

A matemática do amor

À procura de sua alma gêmea? Os números podem ajudar. Estudos estatísticos oferecem fórmulas para encontrar e manter um namoro.

AIDA VEIGA E INÊS DE CASTRO
COLABORARAM ELISA MARTINS, DO RIO DE JANEIRO, E MARCO BAHÉ, DO RECIFE

Existe uma fórmula do amor? Neurocientistas e químicos analisam a estrutura biológica em busca de pistas. Psicólogos, antropólogos, sexólogos tentam cravar uma teoria. Além, é claro, do pessoal que faz horóscopo e lê cartas. Agora, uma nova turma tenta trazer uma luz diferente sobre o tema. São os matemáticos, que analisam as idas e vindas do coração por meio de números. Não se pode dizer que eles tenham, realmente, encontrado a pedra filosofal. Mas os achados vão interessar quem está em busca de sua alma gêmea. A inglesa Clio Cresswell, professora de Matemática na Austrália, escreveu um livro que está na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos e acaba de ser lançado na Inglaterra. Mathematics and Sex é uma compilação das últimas andanças da ciência exata nos trilhos do amor. As conexões entre a Matemática abstrata e o cupido são interessantes, inesperadas e, acima de tudo, divertidas. ''A Matemática estuda padrões - estejam eles na bolsa de valores ou na sociedade. E os psicólogos mostram que existem padrões de comportamento comuns entre amantes'', explicou Clio em entrevista a ÉPOCA. ''Criamos equações a partir desses padrões para conseguir prever o comportamento, otimizando os resultados.''


30% das mulheres disseram ter tido um único parceiro sexual ao longo da vida

Fonte: Mirian Goldenberfg/Universidade Federal do Rio de Janeiro

Na teoria, parece difícil de acreditar. Na prática é difícil conferir se os cálculos funcionam. Não basta contar 2 + 2. As fórmulas são quase indecifráveis. Dizem respeito a tópicos diversos: quanto um homem e uma mulher devem renunciar para manter um casamento, como encontrar o parceiro ideal, qual é o grau de atração necessário para manter um romance e por aí vai. Nenhuma delas, diga-se, foi criada pela inglesa, que apenas as compilou. Todas são de professores conhecidos no meio acadêmico. A mais interessante foi desenvolvida pelo matemático Peter Todd, do Max Planck Institute for Psychological Research, na Alemanha. A complicada equação levou em conta que, ao longo de uma vida, uma pessoa tem chances de ter relacionamentos com algo entre cem e mil pessoas conhecidas. Parece muito, mas esse universo contabiliza colegas de escola e trabalho, conhecidos da academia e de viagens, amigos de amigos etc. Todd também usou dados sobre índice de divórcio e expectativa de vida. Chegou ao seguinte resultado: depois de ter relacionamentos com 12 pessoas pode-se ter uma idéia clara o suficiente para identificar qual é o perfil de parceiro com o qual ''vai dar certo''. Daí, entra em cena a sorte - esse pode ser a pessoa número 13 ou 113. Pelos cálculos de Todd, quem fizer essa escolha baseada na experiência adquirida com os 12 primeiros parceiros tem 75% de chance de acertar o par ideal. ''Não é preciso fazer sexo com as 12, mas, como uma mulher moderna, eu diria que as qualidades na cama são tão importantes quanto as outras'', confessa Clio, que, apesar de ter 30 anos e ter sido eleita uma das mulheres mais bonitas da Austrália, continua solteira.

Ninguém consegue ser muito racional quando se trata de assuntos do coração. A matemática do amor busca, justamente, uma certa lógica. ''Se uma pessoa quer comprar um DVD, ela procura informações sobre as marcas, pede a opinião de amigos que têm o aparelho. Quando se trata de relacionamento amoroso, o que vale é o emocional. Ninguém aceita o que os outros dizem. A matemática ensina que, assim, a chance de sucesso é mínima'', diz Clio. Outra fórmula divertida diz respeito à existência de uma única alma gêmea. No cálculo, foram contabilizados dados como: 30% dos americanos casam com seus primeiros namorados e o índice de divórcio nos Estados Unidos é de 50%. ''A matemática sugere que existem muitas pessoas com quem se pode ser feliz'', afirma. Alguns dos ''resultados'' não são nenhuma novidade. Por exemplo: uma das fórmulas criadas pelo professor Steven Strogatz, da renomada Universidade Harvard, diz que quem se apaixona experimenta uma montanha-russa emocional. Qualquer autor de música romântica é capaz de tirar a mesma conclusão...

Mais de 50% dos homens não sabem o número exato das parceiras que já tiveram

Fonte: Mirian Goldenberg/Universidade Federal do Rio de Janeiro

Por mais abstratos que sejam números e fórmulas, eles ainda fazem mais sentido do que toda sorte de superstições que a sabedoria popular inventa. Em um país como o Brasil, o que não faltam são simpatias - em geral, evocadas a Santo Antônio, o santo casamenteiro. Para arranjar namorado, uma das mais conhecidas diz que se deve colocar uma imagem do santo na geladeira e só tirá-la quando o amado aparecer em sua vida. Perto de costumes como esse, a idéia de sentar-se à mesa com uma calculadora científica na mão fica bem menos estranha.

Segundo cálculos matemáticos, depois de 12 relacionamentos, uma pessoa tem 75% de chance de encontrar o parceiro ideal - desde que, é claro, tenha aprendido qual é o perfil que lhe satisfaz

Fonte: Mirian Goldenberg/Universidade Federal do Rio de Janeiro

Com ou sem o auxílio de números e superstições, a verdade é que homens e mulheres continuam em busca do mapa do amor no século XXI. No dia-a-dia, quando se trata de encontrar a cara-metade, todos os recursos são válidos.

Otavio Dias de Oliveira/ÉPOCA

SOLTEIRA
Viviane prefere ficar em casa a sair direto para achar alguém

Uma caneta, uma folha de papel. Era tudo o que o advogado Rafael Cavalcanti, de 33 anos, tinha em mãos quando o destino colocou seu carro lado a lado com aquela que poderia ser a mulher de sua vida, num dos incontáveis sinais de trânsito do Recife. Ele tinha menos de um minuto e precisava agir rápido. Escreveu a primeira frase que lhe veio à cabeça: ''Tô tão carente''. Apelativa, é verdade, mas funcionou. A moça riu, baixou o vidro (e a guarda) e concedeu a Rafael o precioso número de telefone. Namoraram, até Rafael descobrir que aquela não era a mulher de sua vida. De lá para cá, o advogado adotou a tática de paquera no trânsito. ''São pessoas parecidas comigo. Estão indo ou voltando do trabalho na mesma hora. Provavelmente, moram próximas a mim. As chances de encontrar alguém com afinidades é grande. Acho muito melhor que paquerar em boates, onde você literalmente dá um tiro no escuro'', filosofa ele, que está há sete meses sem namorar.

FONTE: revista ÉPOCA de 31/janeiro/2005 - Edicao 350 - A Matematica do Amor

  Nova pagina 1
 
<