O que é soluço? O que acontece no corpo humano
quando soluçamos?
Pergunta enviada por Cristiana Santos Vieira, Belo Horizonte (MG)
O soluço caracteriza-se por um espasmo repentino e involuntário
do diafragma, músculo que separa o tórax do abdômen,
tem papel fundamental na respiração e está
conectado ao nervo frênico. O soluço acarreta uma
inspiração rápida e curta, que altera o ciclo
respiratório. Seu ruído decorre do fechamento súbito
da glote, que produz vibração nas cordas vocais.
Normalmente, o soluço é assintomático, mas
pode provocar desconforto. Desaparece espontaneamente, na maioria
das vezes em alguns minutos.
O soluço é causado por qualquer irritação
do nervo frênico ou do diafragma, o que acontece em várias
situações do dia-a-dia: distensão gástrica
pela ingestão de bebidas com gás, deglutição
de ar ou alimentação em grande volume; mudanças
súbitas da temperatura de alimentos ingeridos; modificações
da temperatura corporal (como sauna seguida de ducha gelada);
ingestão de bebidas alcoólicas; ou até mesmo
gargalhadas. Quando as crianças comem rapidamente, por
exemplo, algumas vezes engolem ar. Nesse caso, o ar engolido,
sem ter para onde ir, pode sair na forma de soluços. Entretanto,
o soluço pode ser persistente ou recorrente, o que pode
estar relacionado a: acidente vascular cerebral, tumor cerebral,
insuficiência renal devido ao aumento da tireóide,
esofagite, pneumonia, tumores de cabeça, pescoço
ou abdômen, hepatite ou pancreatite. A anestesia geral também
pode acarretar soluço.
Geralmente, os quadros agudos e benignos de soluço podem
ser resolvidos com algumas manobras, como puxar a língua
para fora, ingerir uma colher de açúcar, pão
seco ou gelo triturado, prender a respiração, beber
um copo de água fria, assoar o nariz, dobrar as pernas
sobre o abdômen, respirar em um saco de papel e fazer gargarejo
com água. O alívio da distensão abdominal
por eructação (arroto) também melhora o soluço.
Quando o soluço é de tal intensidade que faz o indivíduo
procurar assistência médica, geralmente já
está presente há pelo menos várias horas
ou dias. O tratamento deve ser direcionado às suas causas,
descobertas a partir de vários exames (neurológico
detalhado, de sangue e radiológico).
Patrícia Rieken Macedo Rocco
Laboratório de Investigação Pulmonar,
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho,
Universidade Federal do Rio de Janeiro