Todos os dias, vejo gente atenta ao que põe para dentro
do estômago. Quantas torradinhas comeu no café da
manhã, quantas colheres de arroz no almoço... Mais
raro é perceber nas pessoas uma atenção semelhante
com o que sai de seu organismo. Ok, não é necessário
ficar falando do assunto publicamente, mas me permita uma pergunta
indiscreta: seu intestino funciona normalmente? Ou será
que você nem pensa nisso? Nossa cultura tende a reprimir
tudo o que se refira à parte inferior do corpo. Não
por acaso, as mulheres – que a tradição patriarcal
sempre exigiu que fossem modelo de recato e pureza – têm
muito mais propensão do que os homens a sofrerem de intestino
preso.
Na vida corrida que a gente leva, fica fácil engolir qualquer
lanche no carro mesmo. Mas você não pára em
qualquer lugar para ir ao banheiro! E, às vezes, entre
um telefonema e outro, até esquece dos avisos que seu corpo
dá. O resultado é pele inchada e ruim, retenção
de líquidos, aumento de pressão, irritabilidade.
Ou aquele mau humor terrível de quem está segurando
todas as toxinas que ingeriu e mais aquelas verdades que gostaria
de despejar em cima de um chefe ranzinza... É isso mesmo:
as emoções represadas têm tudo a ver com o
funcionamento de seu aparelho digestivo. Pegue o dicionário
e procure o conceito da palavra “intestino”. Para
facilitar, adianto o resultado da pesquisa: entre os vários
significados, você encontra termos como “interior
do corpo ou da alma; interno, íntimo”.
Para sua saúde física e mental, às vezes
é preciso pôr para fora tudo o que está contaminando
suas entranhas. Vamos, primeiro, ao que é mais fácil:
a dieta. Nada melhor do que introduzir itens desintoxicantes na
alimentação. Abuse dos caldos e das sopas leves,
tome bastante líquido, troque doces por frutas, carnes
por verduras, o arroz branco pelo integral.
Por uma semana, pelo menos, enfrente o desafio de cortar itens
industrializados e refinados. Com uma dieta rica em líquidos
e fibras, os sistemas urinário e digestivo funcionarão
melhor e você sentirá uma diferença imediata
na cintura. Para que isso aconteça, é preciso respeitar
também o ritmo de seu organismo. Dê-se ao direito
de parar alguns minutos! Aproveite a pausa na quietude do banheiro
para se desligar do mundo exterior e contar até dez. Por
fim, encare a parte mais difícil deste programa de desintoxicação:
os cuidados com a alma.
Clareie os sentimentos
Ok, não dá para colocar para fora tudo o que gostaria,
mas daí a engoli-los e se envenenar com sentimentos...
Eles devem ter permissão para sair de alguma maneira. Você
escolhe o meio: pode ser na forma de respiração
profunda na aula de ioga, uns bons socos no treino de boxe ou
uma gargalhada solta. Vale também chorar, gritar ou dançar
até suar – e ainda limpar o corpo de mais toxinas...
Livre-se também de frases como “Não consigo”,
“Não levo jeito”, “É difícil
demais”, “Não tenho tempo”. Que tal escrever
todas essas desculpas num papelzinho, amassar bem e jogar no lixo?
Para obter sucesso em qualquer regime, você precisa se afastar
desse comportamento limitador – e eu digo por experiência
própria. Feita essa limpeza de corpo e alma, eliminadas
todas as impurezas, será fácil perceber que começarão
a brotar de você um monte de coisas boas: um brilho a mais
nos olhos, um aroma mais suave na pele, um sorriso mais fácil.
É assim que funciona a vida: deixe-a fluir!
Revista Dieta Já - coluna Tudo de Bom por Lucilia Diniz