Grand Theft Auto Advance
Game Boy Advance
"... o grande destaque fica por conta da variedade."
Acredite ou não, a série "Grand Theft Auto"
não começou com os gráficos 3D que garantiram
a fama de "Grand Theft Auto III". Quando a produtora
de "Lemmings" decidiu entrar para a vida de crime no
PC e no PSOne, o game tinha uma perspectiva aérea fixa
e era bem mais simples - traços que foram aproveitados
para a conversão para o Game Boy Advance.
Pequeno notável
Mas a Digital Eclipse, responsável por esta conversão,
não dormiu no ponto e isso é muito mais do que um
simples remake do jogo original. A empresa não apenas recriou
as três ilhas de Liberty City (de "Grand Theft Auto
III"), mas melhorou diversos aspectos do primeiro título
ao mesmo tempo que bolou uma trama original.
"Grand Theft Auto Advance" coloca jogadores no papel
de Mike, um criminoso que está preparando suas malas para
abandonar sua vida ilegal e fugir para outra cidade. Mas depois
de algumas missões seu parceiro é assassinado e
a culpa é jogada sobre ele - fazendo com que ele siga o
resto da aventura tentando encontrar o verdadeiro culpado para
se vingar. Não é exatamente a típica trama
ambientada no Reino dos Cogumelos que o pessoal do Game Boy está
acostumado. Fãs da série verão algumas personalidades
famosas de Liberty City, como 8-Ball, em aparições
especiais.
Quem jogou os primeiros "Grand Theft Auto" reconhecerá
imediatamente o estilão do jogo: você recebe missões,
rouba um carro e tenta completá-las. Enquanto o controle
do carro usa um sistema semelhante ao de "Resident Evil"
(esquerda e direita fazem a rotação do veículo),
a Digital Eclipse mudou o controle do personagem à pé,
fazendo com que ele ande para a direita quando você aperta
para a direita. A mudança é bem-vinda, e um botão
de "strafe" - andar de lado sem mudar a orientação
do boneco - é especialmente útil quando você
usa uma arma de fogo.
Cidade virtual
Para a surpresa de muita gente, os prédios de "Grand
Theft Auto Advance" são representados em três
dimensões, dando uma bela sensação de volume.
A taxa de quadros por segundo é bastante instável,
mas normalmente o game mantém um ritmo bem rápido
- e com um sistema de controle que responde muito bem, é
impressionante ver o quanto a produtora conseguiu espremer no
GBA.
Mas, como em outros GTAs, o grande destaque fica por conta da
variedade. São três ilhas repletas de missões
- tanto obrigatórias quanto secretas - além de outros
passatempos opcionais como dirigir um táxi, matar bandidos
com um carro de polícia e apagar incêndios com um
carro de bombeiros. Isso sem falar nas caixas escondidas.
Alguns podem reclamar da simulação física:
é possível fazer um carro capotar batendo de lado
nele sem muita velocidade - de certa forma, o sistema realmente
não é dos mais realistas, mas não é
ruim a ponto de prejudicar a ação.
Quem te ouviu, quem te ouve
A maior decepção fica por conta do departamento
sonoro e do humor da série - os dois se perderam na conversão
para cartucho. Enquanto é possível ouvir reclamações
dos outros motoristas e as transmissões de rádio
da polícia, as rádios foram trocadas por músicas
curtas de baixa qualidade - e as propagandas e outros elementos
engraçados foram totalmente removidos. Cada música
é associada a um veículo, impossibilitando a seleção
pelo jogador. Isso acaba deixando o departamento sonoro bastante
repetitivo, mas é algo que deve incomodar mais aos fãs
da série.
"Grand Theft Auto Advance" é uma produção
bastante competente - e impressionante, se você levar em
conta as restrições do hardware do Game Boy Advance.
Felizmente, o sistema do jogo oferece uma opção
de salvar a qualquer momento, contanto que você não
esteja em uma missão - além da tradicional base.
É por essas e outras que "Grand Theft Auto" é
uma boa pedida para o público mais velho que se sentia
esquecido no Game Boy.
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