Golden Sun
Game Boy Advance
"O jogo é uma verdadeira viagem pela rua da nostalgia"
Não dá para saber quantos RPGs de videoogame foram
lançados desde os dias do Nintendinho e do Master System,
mas é claro que muita coisa mudou no gênero desde
então. A Sega apostou pesado no enredo com a série
Phantasy Star, e a Squaresoft mostrou como aumentar a dramaticidade
em Final Fantasy. Mas depois da geração 16 bits,
faltou 'algo' difícil de definir nos novos RPGs - que parecem
mais preocupados em colocar vídeos assombrosos entupidos
em dúzias de CDs. E quem melhor do que a Camelot (criadora
de Mario Tennis e Shining Force) para tentar reviver os RPGs tradicionais
com um título de Game Boy Advance?
Golden Sun está repleto de vestígios de Shining
Force, mas segue o esquema mais tradicional de RPGs como Phantasy
Star e Final Fantasy. Você é Isaac, um pequeno garoto
de Vale, uma cidade que esconde seus poderes psíquicos
do resto do mundo. Através de uma série de incidentes,
Isaac e seus companheiros viajam pelo mundo para impedir uma terrível
catástrofe (até aí, nada de novo).
O jogo é uma verdadeira viagem pela rua da nostalgia.
A música lembra muito o clássico Secret of Mana
do SNES, e o visual, apesar de muito superior a qualquer outro
RPG de 16 bits, é aconchegantemente familiar - impressionam
por sua qualidade em um portátil. Cada cidade e fundo de
batalha transborda com inúmeras cores, provando que nem
só de polígono se faz belos mundos virtuais.
Mas o aspecto mais cativante de Golden Sun é seu roteiro.
Ao invés de exagerar no mel e recriar verdadeiras novelas
mexicanas, o título emprega diversas técnicas visuais
e narrativas discretas e muito competentes para conferir dramaticidade
sem exageros. Mesmo assim, o jogo às vezes pega meio pesado
nos diálogos, que acabam um pouco longos. Isso sem falar
nas inúteis telas em que você escolhe Sim ou Não:
além de não fazer diferença NENHUMA na história,
ela é feita para perguntas óbvias e a cada 5 minutos!
Essa dualidade mórbida já começa a irritar
logo nas primeiras horas de jogo.
Para aqueles que se preocupam com duração dos jogos,
aí vai uma informação: apesar do cartucho
ser pequeno, a aventura dura algumas dezenas de horas. E com um
sistema de combate divertido e original, tudo se encaixa com uma
precisão incomum. O sistema tem um único incoveniente:
quando você manda mais de um personagem atacar um inimigo,
e um deles mata esse oponente, o próximo se defende, ao
invés de atacar outro. Isso não acontecia desde
os dias de Final Fantasy I.
Ciente da portabilidade de Golden Sun, a Camelot foi esperta
e inclui opções para salvar em praticamente qualquer
ponto do jogo, assim como um 'Sleep Mode', que desliga a tela
do portátil sem salvar, economizando bateria. Além
disso, é possível enfrentar personagens de outros
jogadores em um simples modo multiplayer - nada demais, mas não
deixa de ser uma opção extra.
No fim das contas, Golden Sun não tenta revolucionar o
gênero, nem pretende oferecer algo inédito - mas
resgata com perfeição tudo aquilo que fascinou os
jogadores de outrora. E tudo isso exibindo alguns dos melhores
gráficos e trilha sonora já vistos no Game Boy Advance.
Cabe aqui uma última informação: quando
você termina o jogo, ele pede que você use um dos
espaços para Save para guardar um arquivo especial que
não pode ser carregado. Pode apostar que um Golden Sun
2 para Game Boy Advance ou GameCube está sendo feito neste
exato momento - e permitirá a importação
desse jogo salvo.
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