Final Fantasy Tactics Advance
Game Boy Advance
"Um fantástico reino repleto de magia, monstros e
muito heroísmo."
A maior surpresa de "Final Fantasy Tactics Advance"
é, provavelmente, o fato de ser o primeiro jogo da Square
para um videogame da Nintendo em oito anos. Mas fãs do
game que carregava o mesmo nome no PlayStation (que, por sua vez,
era um projeto alternativo da empresa usando recursos de "Tactics
Ogre") chega bastante diferente no portátil Game Boy
- e isso não quer dizer que o game apenas ficou menor.
Enquanto o game original se apoiava em uma das mais complicadas
tramas de golpe de estado, arremessando dezenas de nomes de figuras
políticas, grupos terroristas, líderes religiosos
e referências suficientes para exigir um glossário
dentro do próprio game (e ainda assim deixar a maioria
dos jogadores coçando a cabeça metade do tempo),
a edição "Advance" tem pretensões
menores: quatro jovens crianças que vivem em um mundo como
o nosso são trazidas para um fantástico reino repleto
de magia, monstros e muito heroísmo através dos
poderes do que parece ser um livro mágico. Através
de inúmeras aventuras essas crianças aprendem a
lidar com seus problemas do mundo real.
Crianças no comando
Para os fãs de RPGs convencionais o desenvolvimento dos
protagonistas é extremamente bem desenvolvido - especialmente
levando em conta que você nunca controla os protagonistas
fora dos combates estratégicos. Mesmo assim, é impossível
não simpatizar com o tímido Mewt, a forte Ritz,
ou Marche e seu irmão doente. Apesar da premissa aparentemente
infantil, os temas tratados devem criar alguma reação
em jogadores de qualquer idade.
Mas quando esses garotos não estão nas cenas não-interativas
que desenrolam a história, eles estão buscando fama
e fortuna pelo reino de Ivalice. Lá, guerreiros se juntam
em clãs, que procuram missões em bares e viajam
pelo Estado enfrentando todo tipo de perigo. Cada missão
vencida resulta em itens, dinheiro, experiência e fama -
essa última ajuda na hora de recrutar mais membros, o que
permite ao clã enfrentar desafios mais pesados.
Às armas!
Cada batalha exige que o jogador selecione um pequeno grupo de
integrantes do clã e os coloque em um campo quadriculado
para enfrentar outro clã ou grupo de bandidos. Cada participante
pode receber e executar ordens em função do seu
coeficiente de prontidão: cada um é alinhado em
uma ordem crescente e devem, um por um, realizar seus movimentos
e comandos de combate.
Mas além de levar em conta suas posições
relativas nesse campo tridimensional, o título do GBA traz
uma novidade: leis. Cada uma das arenas traz leis que proíbem
certas ações e recompensam outras. Em alguns casos
é proibido usar itens ou atacar com espada, e o uso de
determinadas habilidades ou magias é recompensado. Infringir
essas regras pode render um cartão amarelo ou, muito pior,
um cartão vermelho. Caso receba um desses, o lutador é
tirado de campo e levado para a cadeia, onde sai depois de cumprir
a pena e pagar uma fiança. Essa novidade, somada à
opção de usar cartas que removem ou adicionam regras,
cria uma nova camada de estratégia ao jogo.
O sistema de experiência é o mesmo utilizado no
jogo de mesmo nome para PlayStation e uma mistura dos de "Final
Fantasy V" e "IX": cada jogador pode trocar de
classe sempre que está fora de combate. Certas classes,
ao equipar determinados itens, ganha acesso a certas habilidades.
No final da batalha pontos são conferidos ao vencedor,
que pode aprender permanentemente a habilidade, e então
trocar de item ou classe para memorizar novos truques. Ao aprender
um determinado número de habilidades de uma classe, novas
versões da mesma são liberadas. O sistema é
funcional e permite uma profunda personalização
dos combatentes.
O clã, assim como seus integrantes, também influencia
o desenrolar do jogo. Além de níveis maiores trazerem
melhores ofertas de membros e melhores missões, em um determinado
momento seu clã começa a lutar pelo controle de
Ivalice, adicionando ainda mais estratégia à mistura.
Obra de arte padrão Square
A produção do jogo é excelente, e apesar
de ser um jogo portátil, "Tactics Advance" não
deve em nada em sua apresentação artística.
Cada fundo de tela é extremamente detalhado (algo impressionante
para um aparelho preso em uma tela com pouca resolução)
e as músicas são belas e acompanham bem a ação.
Em suma, a típica qualidade que se espera da apresentação
de um jogo da Square.
Um detalhe quase remendado no game é a criação
do reino de Ivalice. Ao atingir certos pontos da trama, jogadores
ganham novas cidades e pontos geográficos, que podem ser
colocados em qualquer lugar do mapa - uma opção
que parece ter sido tirada diretamente de "Legend of Mana".
Só que desta vez ela não parece estar ligada à
trama (talvez pelo fato de Ivalice ser um mundo imaginário?),
mas influencia um aspecto do game: ao colocar seu primeiro ponto,
você é avisado que isso resultará em diferentes
itens em uma caça ao tesouro. Só que as dicas disso
são dadas, muitas vezes, DEPOIS da colocação
do lugar. É verdade que isso é apenas mais um de
uma longa lista de razões para jogar "FFTA" repetidas
vezes, mas parece um descuido na produção.
Esse não é o único defeito. Outros pequenos
erros parecem quase idiotas quando se leva em consideração
o grau de acabamento do todo. Equipar itens é um sufoco:
ao trocar de classe, todos os itens são removidos, já
que cada classe tem uma compatibilidade de acessórios.
E ao escolher itens para troca, o jogo não disponibiliza
uma boa tela para comparar as diferenças de ataque e defesa
de cada um deles.
Poké-Tactics
A opção de conexão com o cartucho de outros
jogadores, por outro lado, é impecável: é
possível enfrentar clãs de outros jogadores, unir-se
a eles para enfrentar certas mini-missões, ou até
trocar membros dos times e itens.
"Final Fantasy Tactics Advance" é um dos melhores
jogos de estratégia do gênero, e apesar de dever
muito a "Tactics Ogre" (cuja equipe deve ter ajudado
bastante, visto que a Square comprou a empresa), é um excelente
título por mérito próprio e merece a atenção
de todos os donos de Game Boy que gostam do gênero.
Voltar