Dragon Ball Z: Sagas
GameCube
"...as cenas de desenho animado são confusas e fazem
um resumo bastante pobre da obra."
Uma das mais populares histórias em quadrinhos e série
de desenho animado a sair do Japão, "Dragon Ball"
só começou a decolar no resto do mundo anos depois
de sua energia terminar em sua terra natal. Isso acabou levando
empresas americanas a tentar aproveitar o sucesso criando seus
próprios games. "Sagas" é a prova de que
isso é uma idéia muito ruim.
Produzido pela desconhecida Avalanche, "Dragon Ball Z: Sagas"
entrega o que o nome sugere: ele recria as principais sagas da
fase "Z" do desenho. Jogadores devem controlar Goku
e diversos outros guerreiros Z dos eventos que cobrem as sagas
de Vegeta, Freeza e Cell, ganhando experiência e novos golpes
para enfrentar desafios cada vez maiores.
Poder de luta: Zero
Mas se a idéia parece interessante, a execução
é deprimente. O jogador é forçado a controlar
o personagem ditado pela trama tendo de seguir um "corredor"
repleto de inimigos genéricos e completar uma missão:
encontrar as "Esferas do Dragão", comprar um
golpe, defender alguém até chegar ao chefe. Como
o caminho é único e forçado, encontrar objetos
é simples e repetitivo. A escolha do personagem não
faz a menor diferença, visto que a única mudança
é o visual e a voz: suas capacidades são idênticas.
Se essa mecânica já não fosse um problema,
o sistema de luta deixa a desejar. Você começa o
jogo apenas com combos que usam somente chutes ou somente socos,
e leva um bom tempo até outro mais interessante aparecer.
Acertar a mira dos golpes é mais difícil do que
deveria ser, e os movimentos dos personagens são lentos
e forçados, deixando sua guarda aberta. Como você
é obrigado a enfrentar grupos de quatro ou cinco inimigos
que correm ao mesmo tempo contra você (e muitas vezes um
é capaz de atirar bolas de energia), é preciso explorar
a péssima inteligência artificial para não
ser derrotado - um verdadeiro exercício de frustração
e enrolação. Se a meta do fã de "Dragon
Ball" é exibir todo o poder do personagem, o "Ki",
aqui você fica com a sensação oposta.
"Sagas" oferece uma opção multiplayer
cooperativa para dois jogadores, mas a única utilidade
imaginável é tentar dividir o sofrimento e a frustração
para tentar compensar a raiva de ter gasto dinheiro em algo dessa
qualidade punindo outra pessoa.
Pior que bonecos falsificados
O jogo tenta capturar diversas marcas registradas do desenho:
a capacidade de arremessar oponentes e derrubar montanhas; e carregar
"Ki" parando e gritando enquanto energia emana do personagem.
Infelizmente, todos esses elementos acabam piorando a experiência:
arremessar oponentes funciona de vez em quando e não passa
a idéia da força desse ataque e carregar "Ki"
é um processo tedioso que deixa o ritmo pior.
Apesar do jogo tentar capturar a emoção da série
original em imagens, as cenas de desenho animado são confusas
e fazem um resumo bastante pobre da obra, além de privar
o jogador da oportunidade de participar de momentos clássicos,
como o sacrifício de Goku para derrotar Raditz.
Seja na versão para GameCube, PlayStation 2 ou Xbox, os
gráficos são inferiores à média dessa
geração. A dublagem é feita pelos mesmos
atores do desenho norte-americano, mas a qualidade do som deixa
muito a desejar. A música fica no mesmo patamar de mediocridade.
"Dragon Ball Z: Sagas" é uma óbvia tentativa
de se aproveitar da popularidade da obra de Akira Toriyama - que
certamente merecia mais respeito do que isso. Nem mesmo os fãs
são encorajados a gastar seu tempo nesse título.
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