UEFA Champions League 2004-2005
GameCube
"trata-se praticamente do mesmo jogo lançado no ano
passado, só que com nova embalagem"
Para aproveitar que as oitavas-de-final da Copa dos Campeões
da UEFA está prestes a começar, a gigante norte-americana
EA Sports decide entrar de vez no mercado europeu ao lançar
"UEFA Champions League 2004-2005". Apenas quatro meses
após o lançamento de "FIFA 2005", seria
muito otimista _e até ilusório_ pensar que o mais
recente jogo da fabricante que detém todas as licenças
oficiais da FIFA traria alguma inovação. De fato,
há novidades e números (50 missões, 239 times)
que a EA faz questão de ostentar, mas com o controle na
mão, trata-se praticamente do mesmo jogo lançado
no ano passado, só que com nova embalagem.
Copa dos Campeões não tão campeões
assim
Mesmo que a Copa da UEFA esteja entrando em sua fase final, com
os principais 16 times da Europa se preparando para disputar o
caneco, o jogo traz 239 equipes européias, advindas das
principais _e também das mais distantes_ ligas, que vão
desde as celebradas Primera Liga (Espanha), Serie A (Itália)
e Premier League (Inglaterra) até as distantes Ligat A1
(Israel) e Divizia A (Romênia). Porém, as seleções
nacionais ficam de fora aqui, mesmo que se queira apenas disputar
um amistoso _ou seja, um pacote não inclui o outro.
O principal atrativo de "UEFA Champions League" é
o modo Season, que descende do modo Career de "FIFA 2005".
Nele, você elege um time para gerenciar desde o início
da temporada até a sonhada disputa do caneco. Aqui residem
as principais novidades desta edição: antes de cada
jogo, o presidente do clube estabelecerá metas para você,
gerente de futebol, atingir durante a partida, que vão
desde vitória por determinada diferença de gols
até a participação proeminente de determinado
jogador que se quer valorizar. Caso sejam atingidas, como bônus
serão disponibilizados novas táticas para o técnico
e jogadas ensaiadas inéditas, por exemplo. Senão,
o risco é o de ver um "Game Over" estampado na
sua tela.
Porém, ao mesmo tempo que se deve ser eficaz na obtenção
de resultados, deve-se também reduzir custos operacionais
a qualquer preço: não se deve gastar muito com contratações
astronômicas, não se pode perder dinheiro ao desvalorizar
o esquadrão com uma derrota ou um jogador importante com
repetidas más atuações. À longo prazo,
tais exigências acabam se mostrando desafios necessários
para a manutenção do jogo, para valorizar a experiência
cada vez que se liga para jogar.
É nesse modo que reside mais uma inovação
que serve para criar mais problemas na cabeça do jogador:
a mídia agora está cada vez mais presente no jogo.
A EA Sports Talk Radio é um canal que dá voz aos
torcedores do time, que se empolgam com uma vitória e que
massacram o esquadrão quando é derrotado. Há
manchetes de jornais para reforçar a opinião pública.
Isso tudo só serve para aumentar a pressão criada
no presidente, no time e, afinal, em você, que deve contornar
todos os problemas.
Nova embalagem, conteúdo repetido
Mesmo que "FIFA 2005" tenha evoluído os bons
conceitos apresentados em "Euro 2004" (jogo que, com
menos alarde, trazia valorosos reforços à lógica
às vezes excessivamente plástica dos jogos de futebol
da EA Sports), como melhorias no controle da bola, dos passes
e dos dribles, o que se mostrou eficaz na prático, o jogo
ainda padece de mals comuns à série. Situações
de gol muitas vezes irreais (principalmente no que diz respeito
aos chutes e à gravidade da bola), sistema engessado de
bolas altas (lançamentos, cruzamentos ou escanteios) e
movimentação afoita dentro de campo, contudo, também
são problemas em "UEFA Champions League".
As principais diferenças, além dos uniformes, dos
jogadores e do nome das equipes, referem-se a um envernizamento
visual: gráficos mais polidos, novas tomadas de câmera
na apresentação da partida, mais animações
(sejam reclamações, lamentações ou
comemorações). Além disso, sobra pouco no
jogo que se diferencie dos demais títulos disponíveis
no mercado.
Há outro problema na idéia da EA Sports de praticamente
relançar "FIFA 2005" para aproveitar a febre
de grandes craques na Europa. Mesmo com todas as licenças
oficiais dos times, a EA não consegue controlar o plantel
dos jogadores na vida real. Pode parecer óbvio isso, mas
na prática, na tela, significa que muitos craques apresentados
como titulares de determinadas equipes não estejam atualmente
jogando. Muitos se machucaram, outros trocaram de time.
Mesmo que as pessoas interessadas no título busquem a
verossimilhança de ver um Ronaldinho jogando pelo Barcelona,
de controlar o feroz e jovem atacante Wayne Rooney no Manchester
United ao lado do holandês Van Nielsterooy (que voltou de
contusão há pouco tempo), de, afinal, ver os grandes
craques vestindo o uniforme de equipes como Chelsea, Juventus
e Real Madrid, não há garantia nenhuma de que o
que você acompanhará pela TV, mesmo no Brasil, será
o mesmo idealizado e apresentado em "UEFA Champions League"
_por mais que o perfil cada vez mais real e maquiado dos jogadores
nos façam acreditar que são eles mesmos na tela,
é só ilusão (ao contrário do que acontece
na série "Winning Eleven", que não detém
licenças oficiais).
Deu Chabu
Mesmo que, mercadologicamente, faça sentido para a EA
lançar um jogo que tenha um evento real a acontecer simultaneamente,
o que poderia mobilizar a atenção dos países
que estão envolvidos (e mesmo para nós, brasileiros,
há a atração de todos os nossos principais
craques estarem jogando fora do país), para o consumidor
há a questão: vale a pena gastar o mesmo preço
por um pacote que oferece menos que os outros disponíveis
no mercado, mesmo que seja o mais recente?
De fato, há algo que aumenta o valor de "UEFA Champions
League 2004-2005": o modo multiplayer online. Se o maior
rival "Winning Eleven", que mesmo com sua oitava versão
chegando ao PC e ao PS2, parece ignorar a força da Internet
na popularização e reverberação de
um jogo, a EA Sports parece querer se consolidar exatamente neste
nicho. O desempenho do jogo cresce no calor deste momento, em
que os ânimos da decisão da Copa da UEFA acirram
a competição. Se há um lugar por onde este
lançamento pode crescer, é por aí.
Porém, para um jogo que propõe muito, "UEFA
Champions League" entrega pouco. De fato, fica a opção:
adquire-se "FIFA 2005" ou este lançamento. Mas
isso parece pouco inteligente, já que a concorrência
acaba por ficar entre dois títulos do mesmo fabricante,
em vez de concorrer com o rival "Winning Eleven 8".
Não é porque se tem um álibi para lançar
um jogo que não se é culpado do crime cometido.
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