Tony Hawk's Underground
GameCube
"Agora você começa como um atleta Zé-ninguém
que deve subir na vida."
Enquanto algumas séries acabaram se desgastando com o
lançamento anual de novas edições ("Tomb
Raider" é um ótimo exemplo), a Activision e
a Neversoft continuam provando que "Tony Hawk" e seus
simuladores de skate ainda tem futuro com o quinto jogo, "Underground".
Mas, para a surpresa dos fãs, a fórmula do game
recebeu mudanças ainda mais profundas que as do ano passado.
Ao invés de usar os habituais skatistas profissionais
(quase todos os grandes nomes estão de volta, inclusive
o brasileiro Bob Burnquist) em uma opção de carreira
com uma lista de objetivos, agora você começa como
um atleta Zé-ninguém que deve subir na vida até
se tornar um astro. E o "Underground" não é
exagero: logo de cara você já precisa lidar com traficantes
em um subúrbio de Nova Jersey. Certos desafios, quando
completados, melhoram as habilidades do seu atleta no melhor estilo
de um RPG.
O jogo é a sua cara
Como a criação de personagem está ainda
mais importante nesse novo contexto, a versão para PS2
conta com uma novidade curiosa: jogadores podem usar uma câmera
digital e o adaptador de rede do console para colocar sua foto
no rosto do skatista virtual - e é apenas um dos elementos
personalizáveis (você pode criar manobras, fases,
objetivos... a lista não poderia ser mais completa). O
console da Sony é também o único com suporte
pleno para multiplayer online (o Xbox usa apenas System Link para
jogos em rede). Além de uma grande variedade de desafios
para múltiplos jogadores, o game conta com uma interface
intuitiva para download de fases, truques e objetivos feitos por
outros membros da comunidade - um excelente extra.
Assim como os últimos episódios da série
ganharam novas manobras para extender os combos, "Underground"
traz uma novidade única: seu personagem é capaz
de sair do skate e andar. Além de usar esse truque para
atingir pontos antigamente inacessíveis, o protagonista
pode dirigir carros e outros veículos no decorrer das suas
aventuras - alguns dos objetivos exigem esse tipo de tarefa. Mas
além disso, é possível desmontar da prancha
e continuar o combo em alguns segundos - espere uma multiplicação
exponencial dos seus placares com essa novidade.
Os principiantes não precisam se espantar muito com o
game, porém: pela primeira vez a série recebe uma
opção de seleção de dificuldade. Dividida
em quatro modalidades, a mais difícil é bastante
parecida com o padrão da série, enquanto a mais
fácil ajudará até mesmo que nunca jogou um
"Tony Hawk" com pousos facilitados e um sistema físico
mais caridoso.
Skate ao redor do mundo
As fases estão maiores do que nunca, e a nova mecânica
que liga os objetivos com a trama ajuda a manter o interesse pelo
game. É divertido ver seu personagem suando para conseguir
impressionar Chad Muska fazendo truques enquanto passa pela rua
de carro, e logo perceber que já está viajando para
outros países (e sempre se metendo em todo tipo de confusão!)
com o patrocínio conquistado à duras penas.
O design de cada nível continua excelente, mas apesar
do maior realismo, a equipe da Neversoft conseguiu esconder muitas
superfícies interessantes nos lugares mais surpreendentes.
Descobrir boas rotas para truques nunca deixa de ser uma alegria.
A trilha sonora, como de costume, traz inúmeras bandas
favoritas dos skatistas e embala o jogo com maestria.
Fraco fora da prancha
O maior problema de "Tony Hawk's Underground" é
provavelmente a opção de largar o skate. Andar à
pé é estranho: o personagem age como se estivesse
patinando sobre gelo, e o salto segue o padrão no skate
- só pula depois de LARGAR o botão (detalhes que
confundem bastante). Os carros também não seguem
normas realistas. Esses problemas distraem o jogador da grande
qualidade da simulação SOBRE o skate, mas acabam
servindo para quebrar um pouco a monotonia de maneira apropriada.
Fãs da série não tem como errar em "Underground".
E com o novo cenário com menos restrições
e a nova opção de dificuldade, a série agora
pode agradar tanto os novatos quanto os campeões da prancha.
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