TimeSplitters 2
GameCube
"A sacada do jogo definitivamente está na variedade."
Quando lançado em 1997, "Goldeneye" revolucionou
o gênero de tiro em primeira pessoa nos consoles. Apesar
de ter sido originalmente concebido como um jogo sobre trilhos
(você não controlava o personagem, em algo parecido
com "Time Crisis"), o jogo foi atrasado diversas vezes
e acabou se tornando um clássico não apenas pela
excelente aventura, mas pelo genial multiplayer - que garantiu
ao game o status de campeão de vendas. Mas três dos
principais membros da equipe abandonaram a Rare para fundar a
Free Radical, passando diversas noites em claro para terminar
"TimeSplitters" em tempo para o lançamento americano
do PlayStation 2. O jogo não apenas recriou boa parte da
experiência multiplayer de "Goldeneye", mas oferecia
também um editor de mapas, redobrando seu valor. Agora,
o pessoal da Free Radical aproveitou esses últimos dois
anos para implementar tudo aquilo com que sonhavam e lançaram
o game para as três plataformas dessa geração.
Boas lembranças
De cara, quem acompanhou toda a carreira desses designers vai
se sentir em casa com "TimeSplitters 2": a primeira
fase do jogo é uma represa russa em uma montanha gelada...
e um dos objetivos é desativar um radar! Esse pequeno dejá
vu de "Goldeneye" deve continuar por boa parte da experiência
- o jogo empresta muito do clássico da Rare, seja no controle,
na criatividade dos objetivos ou na diversão do multiplayer,
é quase impossível não estabelecer uma comparação
entre os dois títulos.
A sacada do jogo definitivamente está na variedade. Além
do editor de mapas, o game oferece nada menos que nove "universos"
diferentes: seja uma Chicago dos gângsteres de 1930, o Velho
Oeste do século retrasado ou uma colônia espacial
mais de 100 anos no futuro, cada uma dessas fases traz inimigos,
armas e objetivos únicos. Apesar de tantas opções,
o jogo quase não apresenta problemas críticos no
balanço de poder das armas. Jogadores terão a oportunidade
de arrancar cabeças de zumbis com espingardas, usa trabucos
para enfrentar múmias e faraós e até algumas
pistolas energéticas para evitar uma invasão alienígena.
Quem precisa de enredo
A variedade não ajuda muito na unidade da trama do modo
single-player, a Free Radical conseguiu amarrar a história
com seqüências não-interativas (renderizadas
na engine do jogo) competentes suavisando o problema. Uma série
de alienígenas malvados que viajam no tempo roubaram uns
cristais de sua base espacial e podem acabar com a Humanidade,
dando um motivo para que você viaje no tempo. A trama pode
não ser Shakespeare (aliás, não chega nem
a ser um Sidney Sheldon), mas serve de desculpa para explicar
as escolhas dos designers.
No modo single-player, um ou dois jogadores (em uma excelente
implementação de cooperatividade) podem passar pelas
missões temporais do game. Dependendo da dificuldade escolhidas,
os objetivos e perícia dos oponentes mudam. Seguindo o
exemplo de "Goldeneye", as missões trazem excelentes
e variadas missões. Veja o caso da fase do Velho Oeste:
um dos objetivos é libertar uma garota presa na cadeia.
Para tal, você precisa pegar uma chave, abrir um baú
para pegar um barril de pólvora, ir até os fundos
da delegacia, matar todos os oponentes que estão sobre
um carro de explosivos, empurrar o carro até a parede da
prisão, fazer um rastro de pólvora e dar um tiro
para iniciar a explosão.
Além disso, o jogo oferece um "Challenge Mode",
que são mini-desafios curtos em cada um dos ambientes.
Seja roubar algo de um lugar nada amistoso sem ser visto ou arrancar
inúmeras cabeças de zumbis com tiros certeiros em
um tempo determinado, você provavelmente liberará
novas opções para o divertido modo Multiplayer.
Diversão para quatro
Esse é definitivamente o filé de "TimeSplitters
2". Com dezenas de personagens hilários, dezenas de
armas variadas, várias fases diferentes (e a possibilidade
de criar outras com o editor de mapas) e muitas opções,
o multiplayer é uma verdadeira caixinha de surpresas -
e mais uma vez relembra o clássico da Rare.
O jogo traz uma trilha sonora competente, uma dublagem no mínimo
engraçada e está repleto de efeitos sonoros específicos
para cada era e local. Os gráficos do jogo são cheios
de efeitos especiais e pequenos detalhes, mas o que chama atenção
mesmo é o design de personagens, através de uma
apresentação bem estilizada que se encaixa bem no
universo do game.
Três consoles, um jogo
As três versões para cada um dos consoles são
praticamente idênticas. A única diferença
notável está no controle da versão para PlayStation
2, cujos direcionais analógicos parecem não respondem
com a mesma precisão do GameCube e Xbox (além de
exigir um multitap para quatro jogadores). A versão do
PlayStation 2 e Xbox tem suporte para conexão de quatro
consoles em rede para 16 jogadores... mas isso exige quatro TVs
e quatro cópias do jogo... o que não é exatamente
barato.
Mais uma vez, David Doak, criador de "Goldeneye" e
"TimeSplitters", mostra como um jogo de tiro para console
deve ser feito.
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