Tales of Symphonia
GameCube
"A história não se destaca por sua originalidade,
mas pelas constantes surpresas e reviravoltas..."
Fãs de RPGs provavelmente não terão o GameCube
como sua primeira escolha de console. A chegada de "Tales
of Symphonia" ajuda a saciar a fome daqueles que tem o videogame
e esperavam um produto do gênero - é só não
esperar algo tradicional como "Final Fantasy".
O mundo de "Tales", como na maioria dos RPG, está
à beira de um desastre. Esse lugar depende da vinda de
um Escolhido à cada geração, responsável
por despertar uma deusa que trará paz de volta à
vida desse reino. O jogo começa com Lloyd, um orfão
amigo da Escolhida, Colette. Juntos, eles viajam e descobrem mais
sobre si mesmos e a missão que tem pela frente.
Um pouco de cada
A trama do jogo é um amálgama da simbologia cristã
de "Xenogears", a inocência de "Grandia",
o conceito de sacrifício de "Final Fantasy X"...
em suma, a história não se destaca por sua originalidade,
mas pelas constantes surpresas e reviravoltas que envolvem praticamente
todos os protagonistas e antagonistas. Em pouco tempo a própria
missão dos heróis esbarra em sérios problemas
éticos, deixando o jogador interessado no desfecho ao qual
você será inexoravelmente conduzido.
Apesar de não oferecer diferentes opções
para o desenrolar dos eventos, a missão é longa
e cheia de missões paralelas que garantem dezenas de horas
para serem completadas. Esse aspecto multifacetado se reproduz
em quase todas as frentes do jogo - do sistema de combate à
personalização dos lutadores, "Tales"
tenta oferecer algo diferente de maneira quase desesperada.
Os exemplos não são poucos. Desde o sistema de
cozinhar diferentes pratos como alternativa para recuperar energia
até a opção de ganhar "títulos"
completando certas tarefas para focar ganho de atributos à
cada nível, "Tales" parece um carro esperando
para ter cada engrenagem ajustada pelo jogador dedicado.
Crise de identidade
E talvez esse seja o maior pecado do game. "Tales"
parece tentar apelar para um mercado mais casual com seu visual
de desenho animado, combate que prioriza ação e
oferece multiplayer, história cheia de clichês e
uma interface tradicional. Infelizmente, a narrativa é
desnecessariamente enrolada em explicações mal-executadas
e confusas, sendo que esses segmentos são ligados por combates
que exigem muita dedicação do jogador tanto no planejamento
quanto no investimento em ganhar experiência.
A produção do game merece uma menção
especial. Com mundos totalmente tridimensionais, "Tales"
cria um incrível número de cidades e ambientes incrivelmente
detalhados, sem nunca escapar de um sólido estilo cartoon.
Interlúdios com arte de mangá e dublagens competentes
(apesar de um pouco forçadas) mostram que a Namco não
economizou na criação do game.
Os valores de produção provavelmente encantarão
os mais ferrenhos fãs do gênero, mas as escolhas
feitas pelos criadores parecem trair esse objetivo. Amantes de
RPG têm tudo para querer enterrar os dentes nesse título
sem precedentes para GameCube. Jogadores casuais, que podem ser
atraídos pela sua aparência, estão melhor
servidos procurando um outro título.
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