Super Mario Sunshine
GameCube
"A grande novidade é FLUDD, um acessório que
Mario carrega nas costas..."
A espera foi longa: seis anos desde a última verdadeira
aventura de Mario. E como o último jogo da série
foi responsável por uma revolução que é
copiada por praticamente todos os jogos do gênero, não
é exatamente uma surpresa que as expectativas em relação
a Super Mario Sunshine sejam altíssimas. O resultado final
é, no mínimo, inesperado.
A mais nova aventura de Shigeru Miyamoto traz o encanador para
um local bastante estranho, a ilha Delfino (desde Super Mario
Bros. 2 o herói não tinha uma aventura fora do Reino
dos Cogumelos). Mas essa incrível colônia de férias
está toda pichada e teve seus tesouros que garantiam seu
brilho roubados. Para piorar tudo, o suspeito é idêntico
a Mario, que recebe a tarefa de colocar tudo no lugar. O que se
segue é uma longa aventura na qual o bigodudo italiano
deve enfrentar monstros, caçar Shines e resolver quebra-cabeças.
A grande novidade é FLUDD, um acessório que Mario
carrega nas costas e é capaz de usar água para ajudar
na missão de limpeza. Além de remover manchas e
ferir inimigos, o aparelho permite ao herói atingir certos
locais de difícil acesso. Aqueles que temiam que FLUDD
transformasse o game em algo diferente do que amam não
precisam se preocupar: o espírito da série continua
intacto, mas com mudanças suficientes para interessar mesmo
quem já venceu Super Mario 64 mais de 64 vezes. Ao mesmo
tempo, a ferramente adiciona muitas possibilidades à jogabilidade
que é fácil se deixar levar por pequenas brincadeiras
e esquecer os objetivos principais.
Duas coisas imediatamente chamam atenção: primeiro,
os gráficos não falham em impressionar, com efeitos
de água, distorção de calor, reflexos, fumaça...
amarrados com uma direção de arte típica
da série - só que com um tema tropical. Todas as
fases são ensolaradas, cheias água, areia e um céu
com poucas nuvens (esqueça as tradicionais fases de neve).
Super Mario Sunshine não tem contagens de polígonos
altíssimas ou efeitos especiais nunca antes vistos, mas
o todo certamente vai agradar com suas cores vibrantes e pequenos
detalhes. O jogo às vezes engasga um pouco na taxa de quadros
(principalmente ao usar o jato duplo de água matando muitos
inimigos), mas o problema não chega a incomodar muito.
A segunda coisa é o controle. A nova aventura do bigodudo
traz uma precisão incomum nos jogos desse estilo. As respostas
são imediatas, os movimentos executados com facilidade
e simples de aprender. Apesar de socos e chutes terem sido extintos
desde Mario 64, a introdução de pequenas manobras
como o salto giratório e as cordas elásticas (assim
como o retorno de Yoshi, que pode ser montado como em Super Mario
World) apresentam situações suficientes para que
o jogo não perca a graça até você conseguir
o Shine número 120.
As fases estão maiores do que nunca, certamente um grande
passo desde o episódio anterior. Cada um dos mundos é
enorme - e na maioria dos casos pode ser visto à longas
distâncias, facilitando a busca do protagonista. Além
disso, a variedade entre as fases e até mesmo nos elementos
internos de cada uma fazem com que a exploração
seja sempre interessante. Uma novidade: existe um excesso de personagens
com os quais Mario pode conversar espalhados pelo mundo (especialmente
quando você leva em conta que a maioria só fala besteira).
Outra surpresa: a Nintendo dessa vez colocou pequenos vídeos
entre certos eventos da trama que vão aos poucos explicando
quem é o culpado pela depredação da ilha
- algo que muitos fãs nunca esperariam ver um jogo da série.
Fora alguns problemas de sincronia labial, eles cumprem seu papel
- só não espere Shakespeare ou Metal Gear Solid.
Mas infelizmente, nem tudo são rosas nesse paraíso
tropical. As fases grandes e menos lineares trazem um problema:
a câmera. Ao contrário da câmera de Super Mario
64 que parecia magicamente sempre saber onde ficar, a câmera
de Sunshine parece esperar que o jogador fique constatemente ajustando
a visão com o direcional C. Os jogadores mais experientes
vão ficar contentes com tanto controle do ponto de vista,
mas a grande maioria vai ter problemas para acertar pulos e coordenar
o movimento do italiano com a visão.
Aqueles que temiam um jogo curto podem descansar em paz. Além
de trazer alguns desafios penosos, o título chega quase
ao ponto de frustrante em determinados pontos - felizmente, esses
desafios são opcionais para aqueles que querem conseguir
todos os Shines.
Os mais saudosistas vão curtir inúmeras pequenas
referências aos antigos jogos da série espalhados
pela ilha, seja na música, nos inimigos, em parte das fases
ou nos fundos de certos níveis de bônus.
Talvez o maior defeito de Super Mario Sunshine seja levantar
demais as expectativas de quem queria reviver as aventuras do
encanador mais famoso do mundo. O jogo certamente é um
dos mais competentes do gênero já lançados,
e apesar dos pequenos problemas não vai falhar em agradar
até o mais crítico jogador - mesmo que não
atinja as expectativas inalcançáveis que a série
impôs a si mesma.
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