Star Fox Adventures
GameCube
"O maior pecado do game é seguir em exagero a fórmula
[de Zelda]."
Ele chegou! Após quatro anos de produção,
"Star Fox Adventures: Dinosaur Planet" foi lançado.
O primeiro título da inglesa Rare para o GameCube chega
reluzente, mas com um gosto amargo: este será o único
da produtora para a plataforma, já que ela foi comprada
pela concorrente.
Deixando de lado as intrigas comerciais, "Star Fox Adventures"
é o que você esperaria de um jogo da Rare num videogame
da nova geração. É bem humorado, cheio de
segredos, impressionante no departamento técnico e, além
de alguns personagens inéditos, conta com o carisma da
trupe Star Fox - adicionada de última hora ao projeto que
estava quase pronto para Nintendo 64. Mas não são
essas as primeiras impressões que o jogo deixa.
O vale dos dinossauros
Sem muitas enrolações, você começa
o jogo em plena ação controlando a raposa Krystal
que, após receber um sinal de socorro, perde o seu cajado
mágico e tem um breve encontro com General Scales, o vilão
do jogo. Entre um quebra-cabeça e outro essa pequena passagem
de Krystal explica o enredo e dá algumas dicas do controle
e menus. As coisas não acabam bem para a nossa amiga. É
aí que Fox McCloud e seu time entram em cena.
Fox McCloud voa de uma fase para outra em sua fiel Arwing - em
uma das mais dispensáveis partes do jogo - pousando no
Planeta Dinossauro e iniciando sua missão como mercenário.
É aqui que o jogador tem a primeira oportunidade de sentir
a riqueza dos gráficos.
Seja nas texturas ou nos pequenos detalhes, o jogo pulsa vida.
Por alguns momentos, você esquece seus objetivos apenas
para passear com Fox e ver o efeito da água ou para admirar
as nuvens deslizando pelas planícies... sem falar no belo
couro peludo dos protagonistas, que chacoalha ao vento. E quando
você estiver de queixo caído, será surpreendido
pela transição do dia para noite, ou ainda por chuvas
com trovoadas.
São detalhes pequenos, mas a execução técnica
é o ponto forte de "Star Fox Adventures". Até
na hora de esconder a leitura do disco o game exibe um acabamento
incontestável. Por exemplo, ao entrar na loja do jogo você
passa por dois corredores que servem para 'disfarçar' o
tempo de carregar a próxima sala.
Zelda com pele de raposa
O verdadeiro teste está na parte jogável, "Star
Fox Adventures" é "Zelda" com pele de raposa.
Apesar de adicionar vários elementos novos como corridas
sobre motos voadoras, alguns mini-games interessantes e a participação
do dinossauro-com-jeito-de-cachorrinho, Prince Tricky, o maior
pecado do game é seguir em exagero a fórmula do
orelhudo Link.
Muitos dos itens do jogo são cópias descaradas
de objetos peculiares de "Ocarina of Time" (uma sacola
para carregar dinheiro, uma planta que serve como bomba, dinheiro
cujo valor é determinado por sua cor)... os exemplos são
muitos. A sensação de dejá vu dura quase
a totalidade da aventura, inclusive em situações
exageradamente semelhantes (como uma batalha dentro de um inimigo
gigante). Essa crise de identidade poderia ser vista como algo
positivo - especialmente com a tradição de Zelda
- mas acaba gerando uma experiência um tanto insossa.
Outro detalhe que vai deixar muita gente com a pulga atrás
da orelha é a exagerada quantidade de itens a serem colecionados.
Isso fica duplamente evidente pelos nomes esquisitos de cada um
deles: GrubTubs, Bafomdads, Dumbledangs, Pukpuks... em menos de
10 minutos de jogo você já foi apresentado a tantos
deles que vai começar a confundir os nomes e as funções
de cada um. Os jogos da Rare são famosos por exagerar na
coleção de itens, mas em "Star Fox" a
dose se torna dolorosamente óbvia.
Jogo para deixar saudades...
Mesmo com algumas turbulências, "Star Fox Adventures:
Dinosaur Planet" segue todas as tradições da
empresa britânica e garente muitas horas de diversão
de alta qualidade, temperadas com excelentes seqüências
cinematográficas não-interativas e uma das melhores
trilhas sonoras já vistas no console roxo. A Rare encerra
sua parceria com a Nintendo com jogo de ouro e deixará
saudades.
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