Second Sight
GameCube
"... ele descobre que tem incríveis poderes mentais
e está envolvido em uma conspiração..."
Famosa por ser composta por ex-produtores do clássico
"Goldeneye", para o videogame Nintendo 64, e ter criado
a série "TimeSplitters", os créditos da
Free Radical se restringiam aos jogos de tiro. Mas com "Second
Sight", a empresa começa a mostrar que sabe fazer
mais do que colocar uma arma no punho do jogador.
Quem sou eu?
Quem se arriscar no mundo de "Second Sight" terá
a oportunidade de conhecer o drama de um homem bastante ferido
e sem memórias de seu passado, preso dentro de uma instalação
médica repleta de guardas. Ao acordar, ele não apenas
descobre que tem incríveis poderes mentais, mas que está
envolvido em uma terrível conspiração. Jogadores
controlam esse personagem em sua fuga e na jornada por mais informações,
além de se aventurar em fases ambientadas seis meses antes,
na forma de flashbacks.
A Free Radical certamente caprichou no roteiro do game, que além
de ser bem escrito traz alguns personagens bem fortes. Essa jornada
de auto-descobrimento do protagonista está repleta de reviravoltas,
alucinações e muitas outras surpresas.
Múltiplas personalidades
"Second Sight" não é um jogo de tiro
em primeira pessoa. O game escapa da maioria dos padrões,
emprestando elementos de "Resident Evil" e "Metal
Gear Solid" - em uma mistura que lembra bastante o jogo de
suspense "Eternal Darkness", para GameCube. Jogadores
controlam o herói com câmeras fixas que garantem
uma apresentação cinematográfica (apesar
de ser possível, mas não obrigatório, alternar
entre uma câmera dinâmica e visão em primeira
pessoa).
O jogo se apóia em três pontos principais: uso de
poderes mentais, tiro com armas de fogo variadas e espionagem.
O jogador passará boa parte do game se infiltrando em diferentes
locais, tentando não ser visto. Caso você seja surpreendido,
um alarme é ativado e dúzias de guardas começam
a aparecer de todos os lados até que você suma por
um tempo ou use um dos controles para desativar o alerta.
Psicose na jogabilidade
A mecânica é interessante, mas traz alguns problemas
sérios em sua implementação. O mais grave
deles é a incrível resistência do herói.
Mesmo todo enfaixado logo no começo do game, ele é
capaz de levar muitas saraivadas de metralhadora e derrubar cinco
guardas apenas usando socos. Para piorar, os poderes mentais recarregam
bem rápido, abaixando bastante a dificuldade do game -
logo de cara você ganha um poder de cura que acaba com qualquer
desafio. Para compensar, o sistema de alarme é bastante
sensível, criando inúmeras situações
de fuga - que se provam repetitivas demais, infelizmente.
Os problemas não se resumem à fórmula. Um
sistema de mira automática ajuda a adicionar interatividade
e rapidez no uso de armas de fogo e poderes mentais, mas esbarra
em um problema sério: jogadores não podem, como
no concorrente "Psi-Ops" (PS2 e Xbox), usar poderes
mentais e armas de fogo ao mesmo tempo, já que o botão
de ativação de ambos é o mesmo. Ambos são
operados por menus separados que pausam o jogo, exatamente como
na série "Metal Gear", mas quebram muito o ritmo
da ação.
Apesar de todos esses problemas graves, a trama e a satisfação
do excelente sistema de tiro - acompanhado por brilhantes decisões
no design de certas fases - ajudam a manter a experiência
divertida durante as cerca de 8 a 10 horas de jogo. O uso criativo
dos poderes mentais também prende a atenção
do jogador. É uma pena que a simulação física,
pré-requisito em um game com tanta manipulação
de objetos de cenário, faça tudo parecer que pesa
10 gramas.
Mesmo que curta, "Second Sight" é uma aventura
divertida que mistura elementos diferentes de forma criativa enquanto
conta uma história de primeira linha. Se você não
se incomodar com a falta de elegância no sistema de espionagem,
o game vale pelo menos uma locação.
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