Resident Evil 0
GameCube
"Você controla tanto Chambers quanto Coen ao mesmo
tempo."
Parece que foi ontem, mas foi em 1996 que a Capcom lançou
o primeiro episódio do que se tornaria uma longa série
de jogos de "Horror de Sobrevivência". Com pequenas
adições, o gênero permaneceu quase intocado
até 2000, quando o episódio do Dreamcast adicionou
ambientes tridimensionais com maior liberdade de câmera.
A série então ficou presa em remakes e edições
especiais... até agora. O GameCube é lar do mais
novo episódio da série. Mas ao invés de contar
o futuro da trama, "Resident Evil 0" volta para explicar
os eventos ocorridos no dia anterior ao incidente do primeiro
game, e como Rebecca Chambers foi parar em Raccoon City.
Assim como a série começava apontando uma onda
de canibalismo, vemos a primeira equipe do S.T.A.R.S. tendo um
acidente de helicóptero e encontrando um caminhão
da polícia militar que transportava o tenente Coen, um
assassino serial. Depois de alguns minutos de jogo, Coen e a novata
do S.T.A.R.S., Rebecca Chambers, ficam presos em um trem desgovernado
tomado por criaturas inexplicáveis. Juntos, eles lutam
pela sobrevivência e descobrem mais sobre a Umbrella e a
origem do vírus que criou a epidemia de zumbis.
Bonito ao cubo
"Resident Evil 0" utiliza a mesma tecnologia que fez
estréia no remake do primeiro episódio, mas a Capcom
mostrou que aprendeu muito desde então. Cenas impressionantes,
como os dois heróis "surfando" sobre o trem em
movimento em meio a uma tempestade e um incêndio são
apenas algumas pequenas demonstrações da animação
dos fundos pré-renderizados. O jogo é visualmente
impecável.
Enquanto a cara do jogo ajuda muito na imersão do jogador
na hora de entrar nesse mundo de terror, a trama tem um problema
que pode desapontar alguns: ao anteceder os demais episódios,
muitos inimigos são protótipos dos zumbis e experiências
genéticas com animais. Isso muda um pouco o tema do game
e pode deixar os fãs mais ardorosos um pouco decepcionados.
O mesmo vale para os quebra-cabeças sem pé nem cabeça
(quem operaria um mecanismo colocando fogo na ordem certa em estátuas
de animais?), se bem que os fãs da série já
devem ter se acostumado com isso agora...
Infelizmente, outro legado do game é seguir o mesmo sistema
de controle original, que continua sendo pouco intuitivo e cheio
de problemas. Os dois personagens precisam girar sobre o próprio
eixo para fazer curvas, e a remoção da opção
de andar com o botão R do remake foi removida sem explicação.
Some isso às câmeras pré-definidas e você
tem a garantia de que alguns inimigos serão desnecessariamente
frustrantes na hora de serem despachados.
Um por todos e todos por um
Mas isso não quer dizer que a Capcom manteve a série
sem nenhuma mudança. Duas grandes alterações
dão um novo sabor ao game. A primeira delas é a
extinção dos "baús mágicos".
Sim, os personagens continuam podendo levar apenas um punhado
de objetos, mas agora é possível simplesmente soltar
qualquer coisa no chão, e voltar para o mesmo lugar para
resgatá-lo mais tarde - e o mapa mostra onde cada um deles
está. Resultado: você ainda vai fazer muito vai-e-volta,
mas agora a experiência é mais realista e pode ser
administrada com maior facilidade.
A segunda mudança, porém, é integral à
trama. Você controla tanto Chambers quanto Coen ao mesmo
tempo (quando na mesma tela, o direcional C move o companheiro).
Durante toda a aventura é preciso escolher um deles e se
aprofundar pelos quartos do game, podendo (na maior parte do tempo)
escolher em prosseguir sozinho ou com os dois unidos. Essa possibilidade
foi integrada profundamente na estrutura do game: seu parceiro
entra em contato por rádio se for atacado, pode dar cobertura
em algumas partes difíceis, cada um deles conta com habilidades
especiais que precisam ser utilizadas em determinados momentos,
e em alguns casos só podem proceder ao trabalhar em conjunto.
Como a morte de um dos dois resulta em Game Over, isso adiciona
ainda mais terror ao jogo, e cria um forte elo entre o jogador
e o personagem. Aliás, a introdução de Billy
Coen é o maior fator responsável por essa preocupação
- assim como Steve de "Resident Evil Code VERONICA",
ele não é mais um policial exemplar... e certamente
é mais interessante que o adolescente chorão.
Para o primeiro título realmente exclusivo do GameCube,
"Resident Evil 0" não revoluciona o gênero.
Mas adiciona novos fatores suficientes para prender os fãs
por mais um episódio.
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