Prince of Persia: Warrior Within
GameCube
"A má notícia é que o personagem que
muitos amavam morreu."
Era uma vez um jovem príncipe ambicioso e egocêntrico.
Tentando impressionar seu pai, ele lidera uma invasão a
um reino inimigo e toma como prêmio uma adaga mágica
capaz de controlar o tempo. Depois de muitas aventuras, ele foi
forçado a matar pessoas que amava e confiar na mulher cujo
reino ele atacou - atingindo finalmente sua redenção
ao abrir mão de seu orgulho e amor. Essa fantástica
e envolvente história foi contada no meio de um dos mais
divertidos jogos de ação de 2003, "Prince of
Persia: The Sands of Time".
Encrenca cronológica
O que o príncipe sem nome não sabia era que, ao
pegar a adaga e manipular o tempo, ele criou uma nova dimensão
e irritou seres muito poderosos. Caçado por uma enorme
besta conhecida como Dahaka, passando os últimos anos de
sua vida treinando combate armado e sem dormir em paz. A má
notícia é que o personagem que muitos amaram morreu.
Em seu lugar, uma versão mal humorada, violenta do mesmo
príncipe bola um plano maluco para salvar sua vida: viajar
até a Ilha do Tempo, voltar no tempo, e impedir a Imperatriz
do Tempo de criar as Areias do Tempo (é, a história
é sobre tempo, caso você não tenha percebido).
Se essas mudanças acima parecem radicais, elas são
parcialmente justificáveis. Sim, o combate do game original
foi bastante criticado, mas independente de notas altíssimas
da crítica, as vendas do produto foram muito abaixo do
esperado. Na tentativa de salvar a marca, "Prince of Persia"
sofreu uma série plástica para se tornar mais atraente:
ficou mais negro e violento.
Cimitarras afiadas
A boa notícia é que o combate do jogo foi totalmente
remodelado. Um sistema de combos mais eficiente é ajudado
pela implementação de luta com duas armas, inimigos
muito mais variados, uma enorme quantidade de novos golpes e respostas
mais precisas. Isso ajudaria a resolver o problema das lutas repetitivas
do original se a quantidade de combates não tivesse sido
aumentada consideravelmente.
Não se engane. O jogo que muitos amaram ainda está
aqui. As acrobacias desafiadoras ainda constituem cerca de metade
do game, trazendo aqueles mesmos momentos de estudar o ambiente
para criar uma rota viável, para então sentir aquele
frio na barriga ao realizar saltos mortais dezenas de metros do
chão.
Um novo sistema gráfico traz ambientes mais bonitos e
também muito maiores e mais detalhados. Apesar de parecer
seguir o mesmo tema "dark" no começo, os ambientes
variam bastante. Dos efeitos de luz melhorados a pedaços
destruídos do castelo tomados por vegetação
descontrolada, o cenário volta a ser um personagem na continuação,
lembrando até um pouco do clássico "Ico",
para aqueles que tiveram a oportunidade de conhecer o sucesso
para PlayStation 2.
"Warrior Whithin" empresta o conceito de mundos paralelos
de "Legend of Zelda" da Nintendo oferecendo duas versões
do castelo: uma no presente e outra no passado. Apesar de alguns
quebra-cabeças envolverem mudanças no passado para
modificar o futuro e o personagem ser forçado a voltar
por caminhos já trilhados, a estrutura do game continua
sendo virtualmente linear. A decisão pode parecer ruim,
mas quem em sua sã consciência iria querer ficar
explorando um castelo com as acrobacias do príncipe, apenas
para descobrir que foi para o lugar errado?
Gregos, troianos e persas
Querer agradar ao grande público parece ser o maior erro
de "Warrior Within". A verdade é que à
parte de plataforma de "Sands of Time" era incomparável
e seu combate era apenas medíocre. A nova fórmula
oferece um combate acima da média, mas acaba diluindo o
filé do game. Some isso ao fato do personagem carismático
do original ser trocado por um anti-herói mal educado que
fica soltando frases feitas e repetitivas durante suas lutas,
e fica claro que o charme do jogo anterior se perdeu. A trama
previsível também não ajuda e os fãs
da história e narrativa do anterior vão torcer para
que o príncipe morra, como diz a profecia.
"Warrior Within" não é um jogo ruim,
muito pelo contrário. Mas depois de ter jogado algo do
calibre de "Sands of Time", é triste ver tantos
aspectos de um game parecerem que foram feitos pela equipe de
marketing. Enquanto o potencial abandonado deixará muitos
revoltados, a jogabilidade clássica do original garante
que a experiência continue divertida.
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