Pikmin
GameCube
"Olimar mantem um diário de sua exploração,
e o texto é claramente baseado no estilo de Robinson Crus"
A Nintendo tem uma longa tradição de recriar certos
estilos de jogos de maneira a mudar suas características,
transformando-os em algo mais divertido e acessível. Foi
o que aconteceu com as séries Punch Out!, Mario Kart e
muitas outras. E agora o maior designer da empresa, Shigeru Miyamoto,
acabou fazendo o mesmo com os jogos de estratégia em tempo
real, inspirado em formigas que ele viu em seu jardim. Conheça
Pikmin, a mais nova loucura do criador de Mario e Zelda.
Apesar da comparação ser justificada, Pikmin não
é nem de perto um jogo parecido com Command & Conquer
ou Warcraft. Sim, ele empresta alguns elementos do gênero
de estratégia em tempo real, mas isso é apenas um
detalhe. Pikmin é um game com objetivos, ritmos e apresentação
completamente diferente. Uma vez esclarecido isso, vamos ao miolo
do título.
Tudo começa quando o Capitão Olimar navega pelo
espaço em sua nave, a Dolphin, e colide com um asteróide,
cainda em um enorme planeta azul. Olimar encontra sua nave despedaçada
em 31 partes, em um local com oxigênio venenoso - sendo
que seu suporte de vida só durará 30 dias. Ele sabe
que não conseguirá recuperar as 30 peças
espalhadas sozinho, e começa a ficar desesperado. E é
assim que ele encontra um 'Onion', uma grande estrutura vermelha,
que cospe uma pequena semente. Desta nasce uma obediente criatura
da mesma cor, que ele decide batizar de Pikmin (pensando nas Pikpik
de seu planeta natal). O Pikmin então corta uma flor e
traz uma ficha para a Onion, que produz mais Pikmin. E com essa
tropa cada vez maior, Olimar consegue recuperar o motor da nave
e viajar pequenas distâncias (as diferentes fases do jogo),
sendo acompanhado pela Onion.
Tudo isso acontece no primeiro dia do game, que serve de tutorial.
Os demais dias contam com um limite de 15 minutos, ao final dos
quais terríveis criaturas atacam - e se Olimar e os Pikmin
não voltarem para seus respectivos lares (as Onions e a
Dolphin), eles são comidos. Olimar encontra durante suas
aventuras duas outras formas de Pikmin: azul e amarelo. Cada um
deles é capaz de realizar tarefas diferentes como resistir
a fogo, água e carregar bombas. Os Pikmin também
ganham níveis, e as flores em suas cabeças crescem
para indicar essa diferença.
Desta forma, você se vê forçado a gerenciar
grupos de centenas de Pikmin a realizar inúmeras tarefas
para reconstruir a nave no tempo determinado. Na sua primeira
jogada, você levará dias para recuperar cada peça,
e por isso é necessário recomeçar o jogo
inúmeras vezes. Cada vez que você joga novamente
consegue economizar tempo ao gerenciar melhor seus Pikmin - e
essa mecânica se repete no decorrer do game. Você
terá que construir pontes, destruir obstáculos,
empurrar objetos, matar criaturas e conseguir mais Pikmin para
melhorar sua performance nessas tarefas.
Duas coisas impressionam no jogo: a primeira é a simplicidade
do conceito, que consegue ser desafiador sem ser frustrante, e
recompensador por sua dificuldade balanceada. Cada desafio é
proposto de maneira inteligente e criativa, e cada jogador pode
enfrentá-la de uma maneira diferente para tentar conseguir
resolver o problema no menor tempo possível. A segunda
coisa que chama atenção é a narrativa: Olimar
mantem um diário de sua exploração, e o texto
é claramente baseado no estilo de Robinson Crusoé,
não apenas divertindo o jogador, mas criando todo o clima
de aventura e descobrindo, aumentando demais a imersão.
Do ponto de vista gráfico, Pikmin brilha quando visto
das câmeras mais afastadas. O detalhe de cada textura imita
de maneira quase surreal o microcosmo do mundo onde Olimar está
preso. Infelizmente, quanto mais a câmera se aproxima, as
texturas começam a se provar borradas. Não é
o maior problema do mundo, mas os detalhistas podem reclamar desse
pequeno defeito. Um efeito de blur é utilizado durante
o decorrer do jogo para simular o exagero de luz, e traz certo
charme a apresentação. A framerate é constante,
e só engasga mesmo no último chefe do jogo (o que
não é de surpreender... vocês entenderão
quando chegarem lá).
Na parte sonora, a trilha é tudo que você poderia
esperar da Nintendo, com efeitos repetitivos mas carismáticos
- o barulho dos Pikmin girando ao redor de Olimar é simplesmente
hilário. Alguns podem reclamar do pequeno número
de canções, mas elas são fáceis de
escutar e não incomodam.
Uma vez terminado o jogo, abre uma nova opção de
desafio, e você pode tentar refazer certas porções
da aventura tentando conseguir o maior número de Pikmin
no menor tempo possível. Os trinta dias levam quase oito
horas para terminar, mas é improvável que alguém
consiga vencer o jogo na primeira tentativa. No geral, a duração
do jogo é bem planejada para seu conteúdo.
Pikmin é um típico jogo da Nintendo: criativo,
carismático e bastante acessível. Se a idéia
de um jogo de estratégia diferente lhe parece interessante,
Pikmin certamente é uma boa escolha. Para os demais, é
impossível não se levar pelo charme dessa excelente
obra de Miyamoto.
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