Beyond Good & Evil
GameCube
"...um dos mais divertidos e criativos jogos dos últimos
tempos."
Videogames são constantemente alvo de críticas
por serem exageradamente violentos e se preocuparem apenas em
suprir divertimento imediato, sem conter o mesmo apelo artístico
que um filme. O criador de "Rayman", Michel Ancel, desmente
essa tese e cria um jogo que, apesar de sua simplicidade, pode
ser considerado revolucionário.
A pequena órfã
"Beyond Good & Evil" conta a história de
Jade, uma jovem repórter do planeta Hyllis. A garota perdeu
seus pais quando era jovem e foi criada por um tio adotivo: um
porco humanóide chamado Pey'j. Juntos, eles cuidam de um
farol que serve de orfanato para crianças que perderam
seus pais na guerra contra os DoMz, invasores alienígenas
de origem incerta.
O parágrafo acima pode não parecer fora do comum
para um jogo de videogame, mas a maneira como é apresentado,
é. Jade não é uma heroína que depende
de dotes físicos para atrair o público masculino
nem conta com superpoderes. Sim, ela conta com uma personalidade
forte e um grande senso de justiça, mas sua humanidade
(aliada a uma apresentação cinematográfica
muito emocional) a torna um dos mais interessantes personagens
em um videogame em anos.
Ação e emoção
A trama do jogo é igualmente elaborada. Seguindo uma mecânica
remanescente de "Zelda" (mas não descaradamente
copiada como em "Starfox Adventures"), Jade acaba se
envolvendo com uma organização supostamente terrorista
conhecida como IRIS. Esses repórteres do submundo querem
provar que a Alpha Section, o braço militar que diz defender
o planeta Hyllis dos DoMz, não passam de fantoches nas
mãos do alienígenas. A heroína é recrutada
para provar isso - mas não matando os oponentes. Ela deve
fotografar provas que revelem os verdadeiros objetivos da Alpha
Section.
Apesar de conter muita ação, essa aproximação
não-violenta para a solução da crise é
algo que deveria ser louvado, especialmente em uma época
em que jogos eletrônicos parecem cada vez mais depender
de violência apelativa. Jade precisará usar de força
em vários momentos, mas muitos problemas serão resolvidos
com furtividade (no melhor estilo "Metal Gear") e com
a cabeça na resolução de quebra-cabeças.
Ela contará também com alguns ajudantes no decorrer
da aventura, que poderão emprestar suas habilidades, mas
devem ser defendidos em todos os momentos.
Viagem inesquecível
Assim como a Hyrule de "Zelda", a Hyllis de "Beyond
Good & Evil" é um universo alternativo completo,
com suas próprias cidades, tecnologias, flora e fauna.
Uma das missões paralelas do game é tirar fotos
de cada criatura desse mundo para um banco de dados ecológico.
E com uma apresentação gráfica invejável
e trilha sonora emocionante, o título de Ancel não
deve nada.
Não existe razão nenhuma para não jogar
"Beyond Good & Evil", que além de ser um
dos mais divertidos e criativos jogos dos últimos tempos,
é uma prova que não é preciso adicionar baldes
de sangue para se criar um game de sucesso. O único defeito
que pode ser citado é que depois de deixar você apaixonado
pelo mundo e seus habitantes, a aventura parece acabar muito rápido.
Mas não deixe isso desanimá-lo - você não
vai se arrepender.
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