Legend of Zelda: Wind Waker
GameCube
"Assim como o Tempo era o tema de Ocarina of Time, o Vento
é o elemento mais importante agora..."
Tudo começou com um jovem herói, vestido com uma
túnica verde, enfrentando um poderoso inimigo para buscar
um tesouro dourado e salvar uma princesa. A história se
repetiu diversas vezes e se tornou lenda - não apenas no
sentido mitológico, mas por se cristalizar como uma das
maiores séries dos videogames. Essa é a lenda de
Zelda.
A Nintendo atualizou as aventuras do jovem Link no GameCube em
meio a muita controvérsia: um novo visual estilizado e
um período mais curto de produção assustaram
muitos dos fãs, que temiam um jogo voltado apenas para
crianças - afinal, quem acompanhou a série desde
o seu início já cresceu quase dez anos nesse meio
tempo! Some isso às altíssimas expectativas de "Wind
Waker" ser o primeiro jogo da série a usar disco ótico
como mídia e o fato do episódio ("Ocarina",
não "Majora") anterior ser considerado um dos
mais revolucionários títulos de todos os tempos
e fica fácil perceber a importância desse jogo...
não apenas para a Nintendo, mas para uma legião
de jogadores que cresceu descobrindo toda a mitologia de Hyrule.
Colocando a continuidade em ordem
"Wind Waker" certamente começa com o pé
direito: pela primeira vez, a Nintendo faz um esforço direto
de ligar os diferentes episódios da série, afirmando
categoricamente que os protagonistas dos diferentes games são
pessoas diferentes, ligados por uma tradição lendária.
E os primeiros momentos da aventura são suficientes para
tirar suspiros de alívio daqueles que temiam o novo visual:
a estética de desenho animada se prova perfeita - e logo
fica difícil imaginar o mundo de Hyrule de qualquer outra
maneira.
A decepção de alguns pode começar depois
desses primeiros minutos. "Wind Waker" é a extensão
natural de "Ocarina of Time". Fora a nova tecnologia
visual, o jogo nem sequer tenta reproduzir uma fração
da revolução de seu título de Nintendo 64.
Mas aqueles que conseguirem ver além das expectativas e
viver cada segundo da aventura marítima de Link podem se
preparar para uma das mais impressionantes aventuras do herói.
Desenho expressivo
A grande novidade fica por conta da narrativa. Apesar do jogo
ser, em grande parte, um repeteco de seu irmão de cartucho,
a Nintendo certamente se esforçou para criar uma maior
unidade na história do jogo. Pequenas cenas como a despedida
do herói de sua ilha natal e o primeiro encontro com seu
ainda-desconhecido inimigo (entre tantas outras surpresas) são
todos apresentados com muito charme e personalidade. É
nessa hora que você realmente compreende a escolha da Nintendo
pelo visual de desenho animado: a expressividade dos personagens
não tem paralelos em nenhum outro jogo de videogame. Mesmo
quando você está navegando o herói pelos calabouços,
suas expressões de dor, curiosidade e espanto dão
ainda mais cor ao já saturado game.
Velhos de guerra ficarão felizes ao encontrar dezenas
de referências aos games anteriores. Seja pequenos detalhes
como um herói adormecido no início da aventura,
músicas familiares ou itens antigos (mas agora com mais
opções!), o saudosismo permeia o mundo inundado
de "Zelda".
Içar âncora!
Ao invés de controlar a fiel Epona, Link agora ganha seu
próprio barco falante. O mar da aventura é gigantesco,
e o ambiente ideal para as famosas caças ao tesouro da
série. Seja um pedaço de coração ou
algo pertinente à trama, é preciso ser um excelente
marinheiro para vestir a túnica verde. E com essa opção
de velejar, entra o item que dá nome ao jogo: o "Despertador
do Vento".
Essa baqueta de maestro mágica peca por não cumprir
a regra que a Ocarina seguia, assim como o resto do jogo: ela
não permite que você expresse sua criatividade. "Ocarina
of Time" era uma grande caixa de areia, onde o jogador podia
se divertir da maneira que quisesse - seja galopando pelas planícies,
pescando com uma garrafa ou procurando segredos enterrados, praticamente
tudo que você imaginasse podia ser feito. E a Ocarina permitia
que você compusesse músicas à vontade - mesmo
que isso não adiantasse absolutamente nada ao jogo. Nesse
sentido, o Wind Waker parece ser um dos únicos elementos
retrógrados do mundo... mas não o que ele faz: controlar
o vento.
Assim como o Tempo era o tema de "Ocarina", o Vento
é o elemento mais importante agora. Jogadores ficarão
impressionados com as inúmeras maneiras como o vento influencia
esse mundo virtual... fazendo mesmo o ambiente mais caricatural
parecer totalmente acreditável. Essa magia está
intacta... com a marca registrada da Nintendo.
Quem tem coragem de bater nessa gracinha?
Talvez o único real defeito de "Wind Waker"
seja o balanço de sua dificuldade. Os quebra-cabeças
continuam interessantes e originais, mas nunca tão desafiadores
como nos games anteriores, e as batalhas contra os chefes trazem
as mesmas soluções engenhosas... mas é raro
chegar perto de perder toda a energia. Com isso, o jogo parece
terminar rápido demais - algo que tenta ser compensado
por alguns incentivos secretos para jogar o game uma segunda vez.
"Wind Waker" é um jogo excelente que honra de
todas as maneiras a tradição da série. O
truque para poder tirar total proveito é bem simples (e
já vem com uma dica nos seus gráficos): não
se deixe levar pelas altas expectativas e tente viver o mundo
pelos olhos de um garoto de 12 anos. Raramente um jogo consegue
ser tão mágico.
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