Baten Kaitos
GameCube
"... permite que a essência de objetos seja compactada
em pequenas cartas..."
Criado pela Monolith, produtora fundada pelos criadores de "Chrono
Trigger" e "Xenosaga", "Baten Kaitos"
é o primeiro RPG da empresa para o GameCube. O traço
desse grupo é inconfundível, fazendo do game um
RPG que foge da maioria das regras convencionais do gênero,
ao mesmo tempo em que conta uma trama cativante com personagens
interessantes.
A história de "Baten Kaitos" mostra um mundo
que perdeu seus oceanos, reduzindo suas partes habitáveis
a ilhas voadoras. O herói Kalas viaja nesse mundo à
procura do assassino de seu avô e irmão, e acaba
tropeçando nos planos de reviver um destrutivo deus. Junto
com um grupo de aventureiros, eles descobrirão segredos
antigos e tentarão salvar o reino.
O game começa com uma prerrogativa bastante incomum: o
jogador (em teoria) não controla o protagonista principal,
mas serve como uma espécie de espírito ou anjo da
guarda. Você ainda controla as ações do protagonista
Kalas e seus amigos - mas além disso, eles conversam com
você. A confiança entre os dois gera até uma
influência nas batalhas.
Pegue um Magnus, qualquer Magnus
Tanto a trama como o sistema de combates e quebra-cabeças
é montado sobre o conceito das cartas Magnus. O mundo de
"Baten Kaitos" permite que a essência de objetos
seja compactada em pequenas cartas, que podem ser usadas como
itens ou até mesmo ataque. É exatamente essa parte
que dá um charme único ao game, em diferentes níveis.
Essas cartas substituem completamente todas as ações
de combate, itens e equipamentos do game. Durante combate, o jogador
deve escolher cartas (que não gastam) como espadas para
ataques, armaduras para defesa, magias, além de itens com
efeitos especiais. Fora do combate, essas cartas gastam ao serem
usadas, podendo oferecer efeitos (como cura) ou ser usadas nos
quebra-cabeças e missões de trazer objetos para
determinadas pessoas - um aspecto que abre uma face de adventure
para o game.
Um dos aspectos interessantes desse sistema é que certas
cartas estão sujeitas à ação do tempo.
Um broto de bambu recarrega energia - mas ele eventualmente se
transforma na planta, quando passa a funcionar como arma. Leite
pode virar queijo, aumentando seu poder de cura. As mais de 1000
cartas do game estão repletas de surpresas como essas,
e prometem oferecer dezenas de horas para quem quiser descobrir
suas minúcias.
Como o sistema de combate oferece um certo número de cartas
para a "mão" do personagem - permitindo a criação
de combos não apenas com seleções especiais,
mas também usando um sistema de números em suas
faces -, as possibilidades parecem infinitas. Infelizmente, o
caráter aleatório tanto do recebimento das cartas
como da criação de combos acaba impedindo um uso
mais eficiente.
Esse sistema vai deixar muita gente confusa no começo,
mas aos poucos o jogador vai se acostumando. Isso é eventualmente
trocado pela frustração de não poder se aproveitar
o sistema em sua totalidade sem exigir muita sorte, mas tendo
em vista que ele não perde sua funcionalidade e oferece
muitas oportunidades estratégicas com seu sistema elemental
isso não chega a ser um defeito sério.
Velha guarda
Fãs de "Chrono Trigger" e sua continuação
vão se sentir em casa. "Baten Kaitos" não
apenas desenrola a trama e traz vários elementos dos RPGs
clássicos (da época 2D), mas usa uma apresentação
parecida com a da continuação "Chrono Cross"
com seus fundos pré-renderizados. A inspiração
em visuais do Oriente Médio, misturado com alguns dos locais
mais surreais já vistos em RPGs e retratos de personagens
com visual de HQ européia acabam criando uma agradável
e bela mistura.
Durante suas primeiras horas, o jogador pode ficar com a impressão
de que "Baten Kaitos" será um jogo curto, mas
sua duração é similar ao dos demais RPGs
da equipe, oferecendo 40 horas bastante variadas. O ritmo mais
descontraído, somado ao sistema excêntrico e uma
trama bastante centrada nos protagonistas resulta em uma experiência
bastante diferente, mas nem por isso menos agradável.
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