GoldenEye: Rogue Agent
GameCube
"...a magia do original simplesmente não está
aqui."
O nome inspirado no clássico jogo da Rare para Nintendo
64 e a prerrogativa inédita de controlar um agente renegado
pareciam sinais claros que de a Electronic Arts pretendia dar
sangue novo à série de jogos inspirados no agente
007. Mas apesar da novidade, "Rogue Agent" cai na categoria
dos clones inferiores de títulos de sucesso: neste caso
o alvo foi "Halo", da Microsoft.
Outro GoldenEye
O título coloca jogadores no papel de GoldenEye, um agente
00 do MI6 que abandona o serviço à rainha depois
de ter seus métodos violentos questionados pela organização.
Tendo perdido seu olho direito em uma missão contra o Dr.
No, ele recebe uma oferta de Auric Goldfinger: um olho biônico
produzido por Francisco Scaramanga e muito dinheiro enquanto busca
vingança contra o cientista que lhe roubou parte da visão.
Se tem algo que o "Roge Agent" faz direito é
buscar inspiração no universo Bond. As fases reproduzem
as bases desses vilões com o mesmo estilo dos filmes, com
direito a inúmeros personagens clássicos da série
de filmes. Infelizmente, mesmo esses dois aspectos acabam sendo
minimizados durante o jogo: as fases são repetitivas e
não utilizam a mesma criatividade do "GoldenEye"
feito pela produtora Rare (a maior parte da ação
pode ser resumida em atravessar fases atirando em tudo que se
move), enquanto a trama é contada em videoclipes entre
as fases que se preocupam mais em parecer "cool" do
que desenvolver personagens e enredo.
Master Bond
A mecânica geral da ação é uma cópia
descarada de "Halo": o agente segura uma arma por mão,
trocando-as constantemente durante as fases, e a energia se recarrega
automaticamente quando você está parado (a diferença
é que é o escudo, nesse caso, deve ser aumentado
com itens). Mas como a capacidade de carregar munição
é muito limitada, a troca de armamentos é ainda
mais frenética. Isso é agravado por um sistema de
controle que não facilita a mira, tornando "GoldenEye"
um game que dispensa planejamento ou perícia.
O game tenta se firmar pelo diferencial de oferecer um protagonista
maligno, mas mesmo isso é implementado de forma dúbia.
Usar partes do ambiente como armadilhas (como acionar o jato de
um foguete) e pegar reféns são truques que também
fazem parte do repertório dos heróis, dependendo
da situação. O jogador é recompensado ao
acertar tiros precisos na cabeça e outras ações
cotidianas. A falta geral de personalidade não ajuda em
nada. Quem for caçar inspirações no jogo
de tiro da Rare na parte para um jogador encontrará apenas
a visão de raio-X e a arma cujos tiros atravessam paredes...
que nem são de "GoldenEye", mas de "Perfect
Dark", outro clássico de ação e espionagem
da Rare.
Faltou algo Raro
"Rogue Agent" oferece uma opção multiplayer
competente (online nos videogames Xbox e PlayStation 2 e com tela
dividida no GameCube), mas que não chega a compensar as
falhas do modo para um jogador. O design das fases é interessante
e vagamente remanescente do antigo "GoldenEye", mas
os poderes do "olho mágico" do protagonista não
ajudam a criar uma experiência balanceada. Jogadores encontrarão
algumas modalidades inspiradas no game da Rare, como a pistola
de ouro, mas a magia do original simplesmente não está
aqui.
Chamar esse game de "GoldenEye" parece uma tentativa
desesperada da Electronic Arts em se aproveitar de um clássico,
e o resultado é uma grande decepção para
os fãs. O jogo é competente, mas a soma da falta
de personalidade com as pequenas falhas criam uma equação
apenas medíocre.
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