Final Fantasy: Crystal Chronicles
GameCube
"Exige altas doses não só de cooperação,
mas também de coordenação."
Depois de anos sem lançar um jogo para consoles da Nintendo,
a Square finalmente marcou sua volta com um RPG multiplayer (que
carrega o nome "Final Fantasy", ainda por cima")
para o GameCube. Mas ao invés de seguir os tradicionais
elementos que popularizaram a série a empresa virou a fórmula
de cabeça para baixo e criou algo diferente - e definitivamente
único - apoiando-se no cânone da série.
Apesar de permitir que uma pessoa jogue sozinha, esse definitivamente
é o jeito errado de aproveitar todo o esforço colocado
na produção do game. "Crystal Chronicles"
é um dos primeiros jogos a explorar de fato a conexão
entre Game Boy e GameCube, exigindo que todos os jogadores da
modalidade multiplayer usem o portátil como controle -
uma decisão que causa controvérsia, mas que tem
fundamento.
Uma fantasia diferente
Antes de mais nada, é importante ressaltar que fãs
da série "Final Fantasy" que esperam personagens
com passados turbulentos, muitos filmes de computação
gráfica e um enredo complexo vão ficar extremamente
surpresos (se não decepcionados): essa nova aventura segue
uma mecânica parecida com a de "Phantasy Star Online",
colocando até quatro participantes em uma batalha com elementos
de ação, exploração e muita cooperação.
A mecânica desse novo game é intimamente ligada
à trama: uma névoa venenosa tomou conta do mundo,
ilhando as pessoas em cidades protegidas por cristais. Mas essas
jóias precisam ser "recarregadas" anualmente
com gotas criadas por árvores mágicas. Quatro jovens
são escolhidos em uma cidade para participar de uma caravana
que viaja em busca desse líquido. O cálice utilizado
para recolher as gotas cria um campo de força que protege
a caravana - e precisa ser carregado por um dos membros, que não
pode atacar, se defender ou pegar itens, mas pode soltá-lo
ou passá-lo para outra pessoa.
A jornada começa
Jogadores devem escolher quatro guerreiros, selecionando sua
raça e a profissão de seus pais, para então
explorar diferentes mapas em busca da árvore - que é
guardada por um chefe. Como qualquer personagem pode ser incluído
na aventura em qualquer ponto, o game não conta com um
sistema de experiência. Ao invés de ganhar níveis,
os heróis são recompensados no final de cada fase
por completar um desafio específico, conferido aleatoriamente.
Todos os itens que aumentam energia, conferem magias permanentes
ou aumentam outros atributos são escolhidos na ordem de
quem conseguiu o melhor "placar". Com exceção
desses raros anéis, as magias são concedidas por
pedras que só conferem seu poder por uma fase, mas podem
ser trocadas como o balde.
Com todas essas peculiaridades, "Crystal Chronicles"
exige altas doses não só de cooperação,
mas de coordenação. Um número maior de jogadores
também oferece outros extras: uma pessoa ganha um mapa
de tesouros, um do layout da fase e assim por diante. Jogar com
quatro pessoas chega a ser até um tanto confuso, graças
em grande parte à falta de botões e excesso de menus
do Game Boy (mas vale a pena ressaltar que, enquanto você
opera os menus no portátil, seu personagem continua andando
sozinho com o grupo, apesar de não atacar e se defender).
Aprender todas as nuances do game pode levar mais de uma hora,
especialmente para quem não tiver total domínio
do inglês.
A quantidade de mini-games e pequenas atividades espalhadas pelo
jogo é impressionante, variando de missões de coleção
como encontrar todas as etiquetas de Moogles escondidos até
escrever cartas para sua família. Esses pequenos toques
dão uma cara única ao game e aumentam sua longevidade.
Se não fosse pelo complexo sistema de controle, "Crystal
Chronicles" seria o "Mario Party" dos RPG - uma
divertida opção de multiplayer que pode ser iniciada
sem compromisso. O preço de admissão para essa modalidade
é alto devido à exigência do GBA com cabo
de conexão, mas vale a pena para os fãs do gênero
que buscam algo único.
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