Enter the Matrix
GameCube
"[Durante o uso da câmera lenta] o game perde boa parte
de sua graça..."
Depois de quatro longos anos de espera, a continuação
de "Matrix" finalmente chega aos cinemas do mundo inteiro.
E com ele, seus criadores decidiram fazer algo sem precedentes
nos videogames: produzir, paralelamente, um game que explica eventos
não exibidos diretamente no longa metragem, mas que estão
intimamente ligados ao desenrolar da trama.
Em termos de produção, o investimento valeu a pena:
além de ser lançado ao mesmo tempo que o filme,
o título traz quase uma hora de vídeos que foram
filmados junto com "Matrix Reloaded" especialmente para
o game. Personagens como o Chaveiro e Ghost, que têm pequenas
participações no filme, assim como outros que nem
aparecem, como Sparks, o piloto da Logos.
Conecte-se
Uma vez plugados, jogadores entram no mundo virtual em missões
de ação que trazem o mesmo teor do filme: longos
e elaborados tiroteios, muitos golpes de artes marciais, perigosas
perseguições automotivas e até uma cena no
mundo real, dirigindo uma das naves. É possível
completar cada uma das missões tanto no papel de Niobe
como no de Ghost, passando por diferentes objetivos e pontos de
vista.
A ação do jogo é bastante simples. Jogadores
têm botões para usar seus golpes, atirar, desarmar
inimigos (algo muito importante para obter novas armas de fogo),
mas o grande destaque fica para o modificador "Focus".
Esse comando ativa o "Bullet Time", aquela câmera
lenta que ficou famosa no primeiro filme. Ao ativar esse recurso,
todos os comandos são ampliados: um simples salto para
frente vira um parafuso com dezenas de tiros certeiros disparados
contra os inimigos. Em alguns casos, você nem precisa usar
outro botão: é só andar em direção
à parede que seu personagem passa a andar de lado.
Tudo é fácil... e olha que você nem é
o Predestinado!
Apesar de visualmente bonitos, esses comandos sofrem em termos
de jogabilidade. Enquanto "Max Payne" deixava a câmera
lenta interessante por permitir novas opções (mira
cuidadosa do jogador ou desviar de balas), "Enter the Matrix"
faz praticamente o contrário: simplesmente tira o controle
da mão do jogador. Durante o uso do "Focus",
todos os tiros são certeiros, todos os golpes são
mortais e desviar das balas é um brincadeira. Em suma:
o game perde boa parte de sua graça.
No geral, as missões do jogo se esforçam para ser
interessantes e variadas, mas o resultado parece extremamente
genérico: a maioria das missões solta você
em um ambiente sem graça, perambulando sem muita direção
e matando tudo que vê pela frente, ou dirigindo carros e
atirando para todos os lados. Existem muitos poucos elementos
para diferenciar uma missão da outra, e apesar de trazer
um enredo para amarrá-las, mesmo os vídeos e cenas
não-interativas acabam soando como uma desculpa para adicionar
mais fases.
Isso não é real
Um dos aspectos mais interessantes do game é uma interface
para hackear o game. Essa opção apresenta um prompt
de sistema operacional semelhante ao do DOS. Jogadores podem testar
seus conhecimentos de informática tentando desvendar os
quebra-cabeças que utilizam comandos, senhas e até
um certo grau de adivinhação para manipular certos
atributos do game. Dentro dessa modalidade é possível
destravar acesso às artes de pré-produção,
acionar trapaças e até liberar modalidades secretas.
A idéia é extremamente original e até bem
executada, mas infelizmente as opções ainda são
poucas para todo o potencial desse conceito.
"Enter the Matrix" é uma corajosa empreitada
para melhorar a qualidade dos jogos licenciados de filmes de Hollywood.
Por um lado, ela pode ter sido um fracasso por criar um game mediano
para qualquer um que não seja absolutamente fanático
pela trilogia cinematográfica - mas não há
dúvidas de que seu conceito de produção será
muito imitado no futuro.
Voltar