A história
Em 1500, quando os portugueses chegaram ao Brasil, estima-se que
havia por aqui cerca de 6 milhões de índios. Passados
os tempos de matança, escravismo e catequização
forçada. Nos anos 50, segundo o antropólogo Darcy
Ribeiro, a população indígena brasileira estava
entre 68.000 e 100.000 habitantes. Atualmente há cerca de
280.000 índios no Brasil. Contando os que vivem em centros
urbanos, ultrapassam os 300.000.
No total, quase 12% do território nacional, pertence aos
índios.
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, havia em torno de 1.300
línguas indígenas. Atualmente existem apenas 170.
O pior é que cerca de 35% dos 210 povos com culturas diferentes
têm menos de 200 pessoas.
Será o fim dos índios?
Apesar do "Dia do Índio", que é comemorado
no dia 19 de Abril, não tem nada para se comemorar. Algumas
tribos indígenas foram quase executadas por inteiro na
década de 70 em diante, enquanto estavam fora de seu habitat,
quase chegaram a extinção, foram ameaçados
por epidemias, diarréia e estradas. Mas hoje, o que parecia
impossível está acontecendo: o número de
índios no Brasil e na Amazônia está aumentando
cada vez mais. A taxa de crescimento da população
indígena é de 3,5% ao ano, superando a média
nacional, que é de 1,3%. Em melhores condições
de vida, alguns índios recuperaram a sua auto-estima, reintroduziram
os antigos rituais e aprenderam novas técnicas, como pescar
com anzol. Muitos já voltaram para a mata fechada, com
uma grande quantidade de crianças indígenas.
"O fenômeno é semelhante ao baby boom do pós-guerra,
em que as populações, depois da matança geral,
tendem a recuperar as perdas reproduzindo-se mais rapidamente",
diz a antropóloga Marta Azevedo, responsável por
uma pesquisa feita pelo Núcleo de Estudos em População
da Universidade de Campinas.
Com terras garantidas e população crescente, pode
parecer que a situação dos índios se encontra
agora sob controle. Mas não! O maior desafio da atualidade
é manter viva sua riqueza cultural.
Organização e sobrevivência do grupo
Os índios brasileiros sobrevivem utilizando os recursos
naturais oferecidos pelo meio ambiente com a ajuda de processos
rudimentares. Eles caçam, plantam, pescam, coletam e produzem
os instrumentos necessários a estas atividades. A terra
pertence a todos os membros do grupo e cada um tira dela seu próprio
sustento.
Existe uma divisão de tarefa por idade e por sexo: em geral
cabe a mulher o cuidado com a casa, das crianças e das
roças; o homem é responsável pela defesa,
pela caça (que pode ser individual ou coletiva), e pela
colheita de alimentos na floresta.
Os mais velhos - homens e mulheres - adquirem grande respeito
da parte de todos. A experiência conseguida pelos anos de
vida transforma-os em símbolos de tradições
da tribo.
O pajé é uma espécie de curandeiro e conselheiro
espiritual.
Garimpeiros invadem as terras indígenas
Entre os povos ameaçados estão os Ianomâmis,
que foram os últimos a ter contato com a civilização.
Sua população atual chega a pouco mais de 8.000
pessoas. O encontro com garimpeiros, que invadem suas terras,
trazem doenças, violência e alcoolismo. Entre os
índios, os garimpeiros são conhecidos por outro
nome: os "comedores de terras". Calcula-se que 300.000
garimpeiros entraram ilegalmente em terras indígenas na
Amazônia. Mas o problema não é insolúvel.
Na aldeia Nazaré, onde moram 78 Ianomâmis, foram
expulsos pela Polícia Federal.
Permanece a questão de como ficará o índio
num mundo globalizado, mas pelo menos já se sabe o que
é preciso preservar.
O chefe da tribo
Os índios vivem em aldeias e, muitas vezes, são
comandados por chefes, que são chamados de cacique, tuxánas
ou morubixabas. A transmissão da chefia pode ser hereditária
(de pai para filho) ou não. Os chefes devem conduzir a
aldeia nas mudanças, na guerra, devem manter a tradição,
determinar as atividades diárias e responsabilizar-se pelo
contato com outras aldeias ou com os civilizados. Muitas vezes
ele é assessorado por um conselho de homens que oauxiliam
em suas decisões.
Alimento - pesca
Além de um conhecimento profundo da vida e dos hábitos
dos animais, os índios possuem técnicas que variam
de povo para povo. Na pesca, é comum o uso de substâncias
vegetais (tingui e timbó, entre outras) que intoxicam e
atordoam os peixes, tornando-os presas mais fáceis. Há
também armadilhas para pesca, como o pari dos teneteharas
- um cesto fundo com uma abertura pela qual o peixe entra atrás
da isca, mas não consegue sair. A maioria dos índios
no Brasil pratica agricultura.
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Cultura indígena
O esforço das autoridades para manter a diversidade cultural
entre os índios pode evitar o desaparecimento de muita
coisa interessante. Um quarto de todas as drogas prescritas pela
medicina ocidental vem das plantas das florestas, e três
quartos foram colhidos a partir de informações de
povos indígenas.
Na área da educação, a língua tucana,
apesar do pequeno número de palavras, é comparada
por lingüistas como a língua grega, por sua riqueza
estrutural - possui, por exemplo, doze formas diferentes de conjugar
o verbo no passado.
Ritos e mitos
No Brasil, muitas tribos praticam ritos de passagem, que marcam
a passagem de um grupo ou indivíduo de uma situação
para outra. Estes ritos se ligam a gestação e ao
nascimento, à iniciação na vida adulta, ao
casamento, à morte e a outras situações.
Poucos povos acreditam na existência de um ser superior
(supremo), a maior parte acredita em heróis místicos,
muitas vezes em dois gêmeos, responsáveis pela criação
de animais, plantas e costumes.
Arte
A arte se mistura a vida cotidiana. A pintura corporal, por exemplo,
é um meio de distinguir os grupos em que uma sociedade
indígena se divide, como pode ser utilizada como enfeite.
A tinta vermelha é extraída do urucum e a azul,
quase negro, do jenipapo. Para a cor branca, os índios
utilizam o calcário. Os trabalhos feitos com penas e plumas
de pássaros constituem a arte plumária indígena.
Alguns índios realizam trabalhos em madeira. A pintura
e o desenho indígena estão sempre ligados à
cerâmica e à cestaria. Os cestos são comuns
em todas as tribos, variando a forma e o tipo de palha de que
são feitos. Geralmente, os índios associam a música
instrumental ao canto e à dança.