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Arroz à moda italiana
Até recentemente, um convite
para jantar na casa de amigos quase sempre acabava em macarrão.
Agora, a moda é se aventurar no versátil mundo dos risotos.
Três tipos básicos de arroz permitem combinações que vão das
vegetarianas até pratos para os fãs de bacon e ossobuco. Celso
La Pastina, dono da importadora que leva seu nome, diz que
a venda de arroz importado cresceu 120% em cinco anos. 'Devemos
vender neste ano 100 toneladas, mesmo com o dólar ruim', explica.
Um progresso e tanto para os brasileiros, que até o fim da
década de 80 só conheciam a versão com arroz branco, frango
desfiado e ervilha, que tinha seu charme caseiro, mas não
agradava a platéias mais viajadas. Lembra Sergio Arno, dono
do restaurante La Vecchia Cucina, em São Paulo: 'O risoto
virou um prato comum, apesar de ser mais adequado a países
de clima mais frio', assinala.
O chef italiano Alessandro Segato
não vê no ambiente tropical um empecilho ao substancioso risoto.
'Num país onde se comem feijoada e chocolate com calor de
40 graus, risoto é coisa leve', raciocina. Há dois anos Segato
inaugurou o La Risotteria, com 18 receitas do gênero. Ele
tem concorrência pesada a caminho, com a inauguração próxima
de uma casa especializada, comandada por Luciano Boseggia,
autor dos mais famosos pratos de arroz da cidade.
As receitas mais tradicionais, originárias das
regiões italianas do Vêneto, do Piemonte e da Lombardia, são
encorpadas com ingredientes como lingüiça e presunto cru.
Mas a internacionalização do prato resultou em criações mais
leves, à base de rúcula, tomate seco e mussarela de búfala
ou vodca com erva-doce, por exemplo. Até quem vive contando
calorias tem se rendido à riqueza do prato, que em tese exigiria
doses generosas de manteiga e queijo parmesão para dar-lhe
a cremosidade característica. 'Muitos reduzem a quantidade
de manteiga e finalizam o risoto com azeite, fica mais saudável',
conta Arno.
A aceitação é tamanha que a
Tio João, tradicional marca de arroz nacional, criou uma linha
com as principais variedades italianas, além do arroz japonês
e do selvagem. Tem recebido elogios de gente do ramo, como
Paula Moraes, uma das donas da escola de culinária Atelier
Gourmand. A iniciativa da Tio João também foi beneficiada
por um problema de importação que anda deixando os chefs irritados.
'Muitos tipos de arroz italiano que chegam ao Brasil são péssimos',
reclama Sergio Arno. 'Bom é o grão que vem sujo de amido,
porque é ele que engrossa o caldo ao fim do cozimento.' Arroz
de risoto não deve ser lavado, para não perder o amido. Outro
sinal de popularidade foi detectado por Paula Moraes. Sua
escola antes oferecia seis cursos sobre o tema por ano. Agora,
são dois por mês. 'Quem sabe uma receita de risoto sabe todas,
porque o método é igual', explica. 'Mas os alunos voltam para
aperfeiçoar a técnica, e essas são nossas aulas campeãs de
audiência.
| A MATÉRIA-PRIMA |
| Há três tipos
básicos de arroz italiano |
Carnaroli
É um híbrido com mais amido, favorito dos italianos.
O grão demora mais para cozinhar, mas mantém melhor
o cozimento al dente e o resultado é mais cremoso |
Arbório
É o tipo mais comum, por isso, o mais barato. Os
grãos são grandes e de um branco mais perolado. Combina
com risotos que levam porções maiores de carne |
Vialone
Nano
Grão menor, arredondado. Alguns o consideram melhor
porque cozinha por igual. Bom para risotos delicados,
com ingredientes miúdos ou frutos do mar |
(© Época - Edição 235)
RISOTO
DE LIMÃO COM MANJERICÃO
Ingredientes, para seis pessoas
1 litro de caldo de legumes,
de preferência feito em casa
125 gramas de manteiga sem sal
1 cebola roxa, sem pele, picada
1 cabeça de alho picada
400 gramas de arroz arbório
150 mililitros de vinho branco seco
6 colheres de sopa de manjericão picado
suco e raspa da casca de 4 limões
100 gramas de parmesão ralado
5 colheres (sopa) de mascarpone, sal e pimenta
a gosto
Modo de preparo
Esquente o caldo de legumes e reserve.
Em outra panela, refogue a cebola e o alho com metade
da manteiga. Coloque o arroz e refogue por dois
ou três minutos. Acrescente o vinho e deixe ferver,
para reduzir bem. Vá despejando uma concha por vez
de caldo de legumes, mexendo em intervalos regulares
para o arroz não grudar. Deixe sempre o arroz absorver
o caldo antes de acrescentar mais. Cerca de 17 a
20 minutos depois, o arroz estará al dente,
no ponto. Ponha na panela o manjericão, o suco e
as raspas de limão, metade do parmesão e o mascarpone.
Desligue o fogo e mexa, obtendo uma textura cremosa.
Após montar os pratos, decore com manjericão e o
restante do parmesão. (Benny Novak, restaurante
Ici)
(© Época - Edição 235) |
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