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K I L L I F I S H E S
Características Reprodutivas
Francisco Moutinho - piscicultor
Para que se tenha sucesso na reprodução dos Killifishes,
é necessário conhecer as características
reprodutivas da
espécie escolhida. Para servir de apoio a este trabalho,
faremos uma análise das espécies conhecidas em aquariofilia.
Inicialmente devemos ter em mente que os Killifishes, quanto
ao sistema de reprodução, dividem-se basicamente
em três grupos: não anuais, semi anuais e anuais.
Os Killifishes designados por não anuais são peixes
ovíparos, que em seu habitat efetuam a desova nas raízes
das plantas, normalmente próximo à superfície
d'água, não fazendo guarda a desova, cujos filhotes
nascem por volta de três semanas, sendo este grupo constituído
pelos seguintes gêneros. Adamas, Adinia, Aphanius, Aphyoplatys,
Aphyosemion, Aplocheilichtyus, Aplocheilus, Chriopecides, Coneopanchax,
Crenichthys, Cualac, Cubanichthys, Cyprinodon, Diapteron, Empetrichthys,
Epiplatys, Floridichthys, Foerschichthys, Fundulus, Fundulopanchax,
Garmanella, Jordanella, Laciris, Lamprichthys, Leptolucania, Lucania,
Micropanchax, Pachypanchax, Rivulus.
No caso dos Aphyosemion e Fundulopanchax, existem algumas exceções,
as quais serão analisadas dentro deste capítulo.
Os Killifishes designados por anuais, são peixes ovíparos
que em seu habitat efetuam a desova no substrato (lama do fundo
da poça) do biótopo em que vivem, sendo estes ambientes
aquáticos de características temporárias
que inundam no período das chuvas, secando completamente
durante a fase de estiagem. Estes Killifishes são encontrados
no continente Africano e no continente Sul Americano, sendo este
grupo constituído pôr: Nothobranchius, Cynolebias,
Pterolebias, Neofundulus, Trigonectes, Rachovia, Austrofundulus,
Pituna e Moema.
Os Killifishes designados por semi anuais, são peixes
ovíparos que em seu habitat efetuam a desova nas raízes
das plantas, a exemplo dos Killifishes não anuais ou no
substrato do fundo do biotopo, a exemplo dos Killifishes anuais.
O processo reprodutivo desenvolvido pelos mesmos, dentre os dois
citados, dependerá dos parâmetros apresentados pelo
biótopo em que habita a espécie. Estes Killifishes
são alguns Fundulopanchax e Aphyosemion, que constituem
as exceções comentadas anteriormente (Killifishes
não anuais). Para melhor ilustrar, citamos algumas espécies.
Aphyosemion amoenum, A. herzogi, A. marmoratum, Fundulopanchax
arnoldi, F. batessi, F. deltaensis, F. filamentosus, F. gularis,
F. kribianus, F. monroviae, F. ocidentalis, F. robertsoni, F.
sjoestedti e F. splendidus.
Outra característica a ser considerada, também
com relação a desova, relativa aos Killifishes anuais,
diz respeito a maneira pela qual os ovos são depositados
no substrato. Os Killifishes anuais têm, basicamente, duas
maneiras de desova, as quais os denominam como, Killifishes anuais
aradores e Killifishes anuais mergulhadores.
Os Killifishes anuais aradores efetuam a desova junto à
superfície do substrato, isto é, o macho após
efetuar o ritual destinado a chamar a atenção da
fêmea, terá esta posicionada ao seu lado junto a
superfície do substrato, quando então o mesmo, utilizando
seu corpo, preciona o corpo da fêmea contra o substrato,
formando uma pequena cavidade sob seus corpos, onde é depositado
o ovo, e logo após o casal se retira bruscamente, ocasionando
o levantamento de parte do substrato, que irá se depositar
sobre a pequena cavidade, cobrindo a mesma e consequentemente
o ovo. Este processo se repete várias vezes durante um
dia e por todo período de vida reprodutiva do casal, o
que tem início na maturação sexual e termina
com a morte dos mesmos. Este grupo é constituído
pelos seguintes gêneros: Nothobranchius, Fundulopanchax
(1) e Leptolebias (2).
Sobre este grupo, faz-se necessário alguns esclarecimentos:
1 - Fundulopanchax - como tivemos oportunidade de comentar anteriormente,
no item referente aos Killifishes semi anuais, alguns Fundulopanchax
e também Aphyosemion podem desovar nas raízes das
plantas (não anuais) ou no substrato do biotopo (anuais)
e quando utilizam o segundo processo reprodutivo, o fazem como
Killifishes anuais aradores.
2 - Leptolebias - dentre as Cynolebias existe um sub-gênero
criado por Myers (1952), constituído por peixes de pequeno
porte, cujo corpo apresenta-se alongado e levemente comprimido
lateralmente, cujas fêmeas apresentam uma característica
ímpar entre as Cynolebias, são monocromáticas
e seus corpos não possuem qualquer barramento, mácula
ou ocelo, sendo os mesmos, relativo ao processo reprodutivo, Killifishes
anuais aradores, sendo constituído pelas seguintes espécies:
Cynolebias aureoguttatus, C. fluminensis, C. marmoratus, C. minimus,
C. nanus, C. sandrii, C. citrinipinnis(fluminensis), C. leitaoi,
C. damascenoi.
Os Killifishes anuais mergulhadores efetuam a desova no substrato,
porém não na superfície do mesmo, como os
Killifishes anuais aradores, e sim mergulhando (literalmente)
no substrato, depositando seus ovos em camada mais profunda do
mesmo, sendo este grupo constituído pelos seguintes gêneros.
Cynolebias (*), Pterolebias, Austrofundulus, Rachovia, Neofundulus
e Trigonectes.
O processo reprodutivo dos Killifishes anuais mergulhadores,
foi descrito com detalhes em um trabalho do prof. Antenor Leitão
de Carvalho, intitulado "Notas para o conhecimentos da biologia
dos peixes anuais", publicado na Revista Brasileira de Biologia
(Dezembro, 1957) no Rio de Janeiro.
Na segunda metade do trabalho, o prof. Antenor Leitão
de Carvalho descreve as observações efetuadas, em
cativeiro, de um grupo de Cynolebias whitei Myers, 1942, coletadas
em um biótopo que de acordo com a localização
citada no trabalho, trata-se da localidade de Barra de São
João, e o biótopo o mesmo no qual o Coronel White
coletou em 1941, os exemplares que serviram como tipos para a
descrição da espécie. Em sua descrição
o prof. Antenor Leitão de Carvalho conta que o macho nadava
junto ao fundo, acompanhado pela fêmea, como que inspecionando
o substrato. Encontrando o local propício ele colocava-se
em posição oblíqua, de aproximadamente 30
graus da vertical, com a cabeça para baixo, enquanto a
fêmea adiantava-se e colocava a cabeça entre o corpo
e a nadadeira peitoral do macho, apoiando a ponta do focinho na
"axila" do mesmo e ambos com um movimento conjugado,
penetram fundo no sedimento. Logo em seguida a esse mergulho deitam-se
no interior do substrato com um movimento rotativo dos corpos,
sobre um dos flancos, ficando a fêmea sempre por baixo e
totalmente enterrada. Passado cerca de 15 segundos, ambos se retiram
do substrato e prosseguem na busca de outro local para a postura
de outro ovo.
No decorrer da observação do processo acima descrito,
algo chamou a atenção do prof. Antenor Leitão
de Carvalho, que assim descreve.
Intrigado com o fato da fêmea colocar a cabeça entre
a nadadeira peitoral e o corpo do macho, poucos instantes antes
de mergulharem, e que o macho não efetua o mergulho sem
que ela tenha tomado aquela posição, procedemos
a um rigoroso exame naquela região do macho, afim de verificar
se havia alguma estrutura especial que justificasse o procedimento
de ambos.
Constatamos então, que na face interna das nadadeiras
peitorais os oito primeiros raios, a contar de cima para baixo,
estão providos de papilas táteis, as quais indicam
ao macho, que segue sempre na frente ocupado no exame do terreno,
que a fêmea está pronta para o mergulho, e que está
à sua direita ou à sua esquerda.
Estas papilas táteis constituem mais um caracter sexual
desses peixes, neste caso permanente, porque até os machos
jovens o possuem.
(*) Em Cynolebias (anuais mergulhadoras) existe uma exceção,
as Leptolebias (anuais aradoras), descritas no item relativo aos
Killifishes anuais aradores.
As características citadas são de extrema importância
para a reprodução dos Killifishes, tanto na escolha
da espécie a ser reproduzida, como principalmente na montagem
do aquário que servirá como biótopo de reprodução,
no que diz respeito ao local onde serão depositados os
ovos.
Francisco
Moutinho - piscicultor - Rio de Janeiro/RJ