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Carrapatos
São os CARRAPATOS descritos em Zoologia
na Ordem dos Acarina, e encontram-se difundidos por toda a
Terra,
e concomitantemente à sua atividade hematófaga, intervém
também como transmissores de muitos outros agentes causadores
de doenças, como vírus, bactérias, protozoários
e riquétzias, funcionando portanto como vetores de doenças,
tanto aos animais como ao homem.
Geralmente têm a forma oval, e quando em
jejum são planos no sentido dorso-ventral, porém quando
repletos de sangue de seus hospedeiros, pois é o sangue seu
alimento, apresentam-se então convexos e até esféricos.
Algumas espécies podem ter até 25
mm de diâmetro, e sua carapaça quitinosa de revestimento,
verdadeiro exo-esqueleto, é firme e resistente, relativamente
à sua pouca espessura.
Algumas espécies permanecem toda vida adulta
sobre seus hospedeiros, e por isso classificados como parasitas
permanentes, outros abandonam-no após haverem sugado sangue
e então são classificados como parasitas temporários,
melhor dizendo, ecto-parasitas temporários, pois vivem na
cobertura pilosa dos mamíferos, seus hospedeiros, apenas
parte de seus ciclos biológicos de vida.
Os danos que podem causar à saúde
de seus hospedeiros, são de :
Natureza espoliativa - pela quantidade de sangue
que podem retirar no ato de sugar, o que é diretamente proporcional
não só a quantidade de carrapatos presentes sobre
o hospedeiro, como também à sua voracidade e tamanho;
Ação tóxica - causada pela natureza da saliva
dos carrapatos, que para sugarem sangue por assim dizer injetam
sua própria saliva no ponto em que introduzem seu aparelho
sugador, para impedir a coagulação do sangue de suas
vítimas, e essa saliva muitas vezes pode causar ação
não apenas irritante como também tóxica ou
alérgica;
Ação patogênica - conseqüente à
possibilidade que existe de se encontrarem infectados por agentes
outros causadores de enfermidades, taiscomo vírus, riquetzias,
etc. e então transmitirem junto à picada também
moléstias outras;
Concomitantemente ao parasitismo por carrapatos, evidencia-se uma
imunidade específica nos animais atacados, estando os animais
velhos mais protegidos que os jovens, e os importados menos que
os autóctones de uma determinada região, à
uma determinada espécie também de carrapato.
Dentre as espécies mais comuns, podemos citar:
Argas - Com o denominado A. persicus, que ocorre em todo o Brasil,
e parasita preferentemente aves domésticas e selvagens, além
do homem. É o transmissor para as aves, da Espiroquetose
aviar. Transmite também à pombos, infecção
paralítica (Salmonella typhimurium), que pode permanecer
latente vários meses nesse parasita.
Dermacentor - Neste gênero, está incluído o:
Dermacentos marginatus - Hospedeiro do cavalo, cão e ovelha,
é encontrado na Alemanha e zonas pantanosas do Hesse, além
da Hungria, onde é apontado como transmissor da Piroplasmose
esporádica do cavalo (Babesia caballi).
Dermanyssus gallinae - Vulgarmente chamado de ácaro vermelho
das aves, vive geralmente em galinheiros sem higiene, atacando pombos
e galinhas, além de faisões, patos, gansos e aves
canoras engaioladas; Durante o dia permanecem escondidos em fendas
das instalações onde as aves se alojam, para saírem
a noite, para saciarem seu apetite de sangue, retornando a seus
esconderijos quando o estômago estiver cheio.
Haemaphysalis - Encontrado na Alemanha e no Oriente Médio,
sendo o transmissor da Febre Q.
Hyalomma - Geograficamente encontrados na África, Ásia
e região mediterrânea da Europa, na maioria dos casos
utilizam-se de dois hospedeiros, principalmente cães e outros
carnívoros e são transmissores da babesiose ao cão
e aos eqüinos , assim como a Teileriose.
Ornithodorus - Este parasita localiza-se quase sempre no pavilhão
auricular de seus hospedeiros, e lhes transmite a febre recorrente,
causada por um espiroqueta e também a Febre das Montanhas
Rochosas (Riquetziose) nos EUA.
Rhipicephalus - O exemplar mais importante desse gênero, é
o Rhipicephalus sangüíneas transmissor da Teileriose
e Piroplasmose ao cão. É encontrado no Brasil e na
África , e em algumas zonas temperadas do mundo.
Ixodes - Encontrado parasitando os mais diversos
animais mamíferos, inclusive aves domésticas e selvagens,
répteis e o homem. A ação tóxica manifesta-se
clinicamente por reações cutâneas com prurido
e eritema, febre, podendo chegar até a paralisias com contraturas,
algumas vezes podendo ter curso mortal.
A encefalite humana, pode ser transmitida inclusive
por carrapatos, a partir de portadores do vírus, tais como
toupeira, ratos e aves, ao serem sugado sangues contaminados.
A espécie Ixodes ricinus - assim como outras espécies
do gênero Dermacentor, são os causadores da moléstia
denominada Paralisia por carrapatos, em várias espécies
animais, sobretudo na ovelha e no homem (crianças);
Parece somente terem tal atividade as fêmeas
de carrapato , pouco antes de iniciarem a postura, quando se fixando
na região occipital, na proximidade da coluna vertebral próximo
do centro respiratório, podem provocar falta de coordenação
motora no ato de andar, com tombos e mesmo incapacidade de permanecer
em pé, seguindo-se vômitos e até morte do doente.
O diagnóstico da infestação
por esse parasita é muito fácil, efetuado pela simples
visualização com vista desarmada desse hóspede,
de permeio à pelagem ou plumagem dos animais, cuja presença
também provoca coceira, a qual é concomitantemente
notada nos hospedeiros, esta maior ou de menor intensidade, de acordo
com a sensibilidade individual de cada hospedeiro parasitado. Quando
o parasitismo é pequeno, a aplicação de graxas
neutras, óleos ou glicerina, provocarão a oclusão
dos estigmas respiratórios desses hóspedes indesejáveis,
que após algumas horas facilmente se desprenderão
dos locais em que estejam alojados.
Já sendo a infestação em grande
quantidade , somente a aplicação de banhos sob a forma
de imersão em banheiras especiais, denominados banheiras
carrapaticidas, ou então a aspersão ou pulverização
de substâncias especiais, denominadas carrapaticidas, poderá
efetuar a eliminação desses hóspedes nocivos.
Até pouco tempo atrás era utilizado
o arsênico como carrapaticida, porém devido os acidentes
que ocorreram por incúria na sua aplicação,
foi o mesmo abandonado como meio de tratamento; Algum tempo depois,
também o DDT e o BHC, substâncias essas sintéticas
cloradas e fosforadas foram também utilizadas como carrapaticidas,
que também foram abandonadas pela ocorrência de intoxicações
e mesmo mortes em animais tratados, e pelo efeito efetivamente cumulativo
no organismo dessas substâncias.
Hoje, substâncias fosforadas sintéticas
como o Assuntol, Trolene, Ruelene e Neguvon são as mais utilizadas
como carrapaticidas em todo o mundo.
Para a prevenção dessa parasitose,
os meios que melhor tem funcionado, são as aplicações
sistemáticas de carrapaticidas nos animais. Para tal, as
modernas banheiras carrapaticidas quer de imersão quer de
aspersão ou pulverização são os melhores;
As aplicações, devem guardar um intervalo característico
para cada espécie animal, assim como ter-se em conta a espécie
do carrapato a ser exterminado ou controlado.
Em se tratando de cães ou gatos parasitados
por carrapatos, deve ser tomado especial cuidado na prescrição
do inseticida a ser utilizado para seu combate, pelo fato de serem
tais animais carnívoros, e por isso especialmente sensíveis
às substâncias sintéticas cloradas ou fosforadas
usualmente fabricadas para referida utilização. Além
desse cuidado, redobrada atenção durante a aplicação
do inseticida é também indicada, evitando-se que o
animal ingira ou aspire o produto na hora de sua aplicação,
sob pena de intoxicações muitas vezes graves causadas
por tais produtos quando acidentalmente absorvidos.
Quando a infestação for leve, existem
no mercado produtos específicos para cães e gatos,
aplicados na forma de pulverização por todo o corpo
do animal ou diretamente na nuca do mesmo, que se seguidas devidamente
as instruções, não oferecem riscos de intoxicação
ao animal.
Dr. Carmello Liberato Thadei - médico veterinário
- crmv-sp-0442
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