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Escolha do local
A localização do apiário é um dos fatores
mais importantes para o sucesso da apicultura. Vale a pena gastar
um pouco de tempo na identificação do melhor local da
propriedade para a instalação do apiário.
Antes de instalar suas colméias, o apicultor deve levar
em conta a disponibilidade de água e alimentos (floradas)
para suas abelhas, procurar protege-las de ventos fortes, correntes
de ar, insolação intensa e umidade excessiva. Mas
a maior preocupação do apicultor deve ser com relação
á segurança de pessoas e animais. Este ponto é
muito importante.
Naturalmente, o acesso ao apiário deve ser fácil,
a fim de economizar tempo e reduzir os trabalhos do apicultor. No
entanto, as colméias devem estar distantes 200 a 300 metros,
no mínimo, de qualquer tipo de habitação, estradas
movimentadas e criações de animais. Afinal, as abelhas
são seres extremamente sensíveis a odores exalados
por animais e pelo homem e irritam - se com qualquer tipo de movimentação
anormal que ocorra nas proximidades da colméia. E nunca é
demais lembrar que seu veneno, quando injetado em grandes quantidades,
é fatal para a maioria dos seres vivos, inclusive o homem.
Para prevenir o ataque de inimigos naturais das abelhas, mantenha
o gramado do apiário bem limpo, livre de mato e de arbustos
que dificultem o vôo das campeiras. A utilização
de projetores antiformigas nos cavaletes e de função
ímpar, pois um ataque de formigas a exames pequenos em desenvolvimento,
praticamente dizima toda a família.
Produtores comerciais de mel, cera e geléia real costumam
proteger suas colméias construindo uma espécie de
galpão aberto, que abriga o apiário de chuvas fortes
e da incidência direta do sol. Além de proporcionar
uma defesa mais adequada contra as variações, climáticas,
este tipo de proteção é bastante econômico
para o apicultor, já que aumento a vida útil das caixas.
Um último cuidado: o apiário deve guardar uma única
distância de aproximadamente cinco quilômetros de localização
de outro apiário.
ÁGUA
Assim como para o homem à água é um elemento
vital para as abelhas; ela entra na composição do
mel, da cera, e da geleia real produzida pela família. Por
isso, é muito que haja água limpa e em abundância
próxima ao apiário. Caso não exista nenhuma
nascente ou curso d'água próximo ao apiário,
o apicultor deverá providenciar o seu fornecimento. Esta
providencia deve ser tomada antes da instalação das
caixas, para não perturbar o trabalho das colônias.
Há várias formas de transportes da água até
o apiário. Pode-se, por exemplo, canaliza-la até um
barril dotado de torneira, que é mantida aberta, de forma
a deixar que a água simplesmente pingue sobre um pano colocado
num estrado. Pode-se trazer a água canalizando -a através
de bambus ou tubulações, de forma que ela caia pingando
sobre um pano, num ponto próximo ao apiário. Não
existe, entretanto, uma receita pronta. Tudo vai depender das condições
da propriedade, bem como de sua criatividade. Uma particularidade:
as abelhas apreciam água levemente salgada.
FLORA APÍCULA
A flora apícola é o que se pode chamar de pastagem
das abelhas. É das flores que as abelhas recolhem o néctar
e o pólen, que vão alimentar a colônia.
Conseqüentemente, boas fontes de pólen e néctar
contribuem para aumentar a produção do apiário.
Por isso, sempre que possível, o apicultor deve planificar
a formação do pasto apícola antes mesmo da
instalação do apiário.
Há plantas que produzem flores com elevada concentração
de néctar, outras que produzem bastante pólen e outras
ainda que fornecem igualmente pólen e néctar. Infelizmente,
não existe o chamado pasto apícola ideal. Uma espécie
vegetal de alto potencial apícola- o eucalipto, por exemplo,
pode não se adaptar à sua propriedade. Aliás
para o apicultor iniciante, o pasto apícola composto por
monocultura deve ser evitado, por proporcionar alimento às
abelhas durante uma única época do ano. A exploração
do pasto apícola de monocultura sé se justifica na
atividade comercial, quando o apicultor realiza a chamada apicultura
migratória. Neste caso, o produtor leva suas colméias
a pomares ou culturas de floração, transferindo -
as para o outro pasto assim termina a florada.
A apicultura fixista, praticada principalmente por pequenos produtores,
sitiantes, hobbistas e iniciantes, é mais indicada exploração
do pasto apícola constituído por espécies nativas,
principalmente árvores que, pela sua diversificação,
podem garantir alimento às abelhas continuamente, ainda que,
em pequenas quantidades. A partir daí, cabe ao apicultor
promover o melhoramento dessa pastagem, introduzindo variedades
de maior valor apícola, desde que adaptadas à região
onde se situa a propriedade. culturas de médio porte e arbustivas,
de alto potencial apícola, devem ser cultivadas próximas
ao apiário. Algumas boas fontes de néctar e pólen
que podem melhorar a alimentação das abelhas são
melilotus, manjericão, manjerona, cosmos, guandu, colza,
girassol, citros, frutíferas em geral, curcubitáceas
(abóbora, abobrinha, melão, pepino etc.), leguminosas
de uma forma geral, hortaliças, entre outras.
Até as chamadas plantas daninhas são excelentes fontes
de alimento para as abelhas. Plantas como o assapeixe, carqueja,
vassourinha, gervão, trapoeraba, sete - sangrias, vassoura,
picão, entre tantas outras consideradas matos devem ser encaradas
como fontes de néctar e pólen para as abelhas.
Não deixe também de cultivar, próximo ao apiário,
plantas aromáticas e medicinais, pois seu odor atrai muito
as abelhas e diversificara ainda mais as fontes de alimento das
colônias.
Uma palavra final: o mais importante, na formação
do pasto apícola, é que o apicultor procure identificar
as espécies mais apropriadas e adaptadas a sua propriedade.
Um exemplo: a astrapéia (lombeija). Essa planta tem a vantagem
de florescer em pleno inverno garantindo, assim, alimento à
família num período de escassez. No Rio de Janeiro,
apresenta uma concentração de 28 a 44% de açúcar
em seu néctar, enquanto em Florianópolis, SC, não
concentra mais de 15% de açúcares.
Lúcia Helena Salvetti De Cicco
Diretora de Conteúdo e Editora Chefe