Beija-Flor
Dr. Zalmir Silvino Cubas
Os
beija-flores ou colibris são os menores pássaros
do mundo. Ágeis e irrequietos em suas lindas e variadas
cores, encantam a todos aqueles que observam as admiráveis
coreografias que eles desenham no ar. Voando sem parar, em todas
as direções, estão sempre à procura
do néctar de que se alimentam e para obtê-lo introduzem
seu bico longo e fino em cada flor que encontram.
A velocidade e a agilidade no vôo são, sem dúvida,
suas características mais marcantes. Como pequeninos mísseis
alados, cortam o ar em manobras inesperadas e parecem nada temer.
Suas asas invisíveis, de tão rápidas, permitem
grandes façanhas, até mesmo enfrentar pássaros
cem vezes maiores. Por isso, são considerados campeões
de vôo. Sua plumagem colorida e brilhante dá a impressão
de mudar de tonalidade a cada instante, originando a grande variedade
de denominações que recebem. Alguns colibris são
comparados a pedras preciosas, como rubi, safira ou esmeralda;
outros têm nomes de contos de fada; há ainda aqueles
que lembram corpos celestes, cometas ou raio de sol.
Para atrair os beija-flores e garantir seu alimento, costuma-se
colocar nos jardins bebedouros apropriados, porque facilmente
esses minúsculos pássaros se aproximam dos locais
floridos, sem temer a presença de estranhos: voam sobre
a cabeça das pessoas e às vezes pairam no ar como
se as estivessem observando. Parecem mesmo gostar de exibir sua
agilidade e beleza.
Em geral, esses pássaros são diminutos. O menor
deles é o beija-flor-abelha, encontrado em Cuba. Mede cerca
de 5 centímetros de comprimento, sendo que a metade deste
tamanho corresponde ao bico e à cauda, e pesam em média
6 gramas. Existem também beija-flores maiores, embora sejam
exceção. O beija-flor-gigante, por exemplo, que
vive na América do Sul e chega a medir 20 centímetros
de comprimento.
Pertencentes a uma das maiores famílias de pássaros,
as inúmeras espécies de beija-flores apresentam
uma grande variedade de cores, tamanhos, tipos de plumagem e formatos
de bico. Existem beija-flores nas três Américas,
tanto nas montanhas frias do Alasca como na florestas tropicais
do hemisfério sul.
Agitados, independentes e espertos, esses graciosos bichinhos
se aclimatam a qualquer temperatura ou tipo de vegetação.
E em todo o mundo, seja qual for sua espécie, o beija-flor
é admirado como o pássaro mais delicado e encantador.
O MINÚSCULO CORPO do beija-flor apresenta aspectos bastantes
originais. O desenho peculiar de suas asas, aliado aos poderosos
músculos que as movimentam, fazem dele um dos mais exímios
voadores. Em pleno ar, o beija-flor executa verdadeiros malabarismos,
impossíveis a qualquer outro pássaro.
As penas do beija-flor brilham como diamantes e, com seus movimentos
rápidos, parecem mudar de cor a cada momento. Seu bico
mais se assemelha a uma espada fina e comprida, e sua língua
é ainda duas vezes mais longa. Cada uma dessas características
faz do beija-flor um pássaro muito original.
As asas do beija-flor se movimentam em todas as direções.
Isso porque seus ossos são diferentes dos que compõem
as asas das outras aves. Estas têm ossos longos, enquanto
que as asas do beija-flor têm ossos curtos e flexíveis.
O esqueleto do beija-flor parece um delicado brinquedo feito
de palitos de fósforo, mas tem uma estrutura surpreendentemente
forte. O osso maior é o do peito, que sustenta os poderosos
músculos que impulsionam o vôo. Mais de um terço
do peso de um beija-flor corresponde aos músculos peitorais,
o maior conjunto de músculos que o pássaro possui
e que é responsável pela força de seu esplêndido
vôo.
Para retirar o néctar do interior das flores, o beija-flor
usa seu longo bico e sua língua, cuja extremidade é
dividida em duas partes recobertas de minúsculos pêlos.
A GRANDE VARIEDADE de beija-flores constitui uma riqueza do mundo
animal. Com cerca de trezentas espécies, estes minúsculos
animais formam uma das maiores famílias de pássaros
do mundo.
O beija-flor tem sua origem na América do Sul, de onde
se espalhou para o resto do continente. Pode ser encontrado tanto
nas florestas tropicais como nos desertos, montanhas e planícies,
adaptando-se a todo tipo de clima. Algumas espécies vivem
nas regiões frias do norte do Alasca, enquanto outras se
dão bem nas condições ambientais do extremo
sul da América. Em qualquer recanto onde houver flores
se abrindo, aparecem essas pequeninas criaturas para visitá-las
e retirar seu mel.
E como que para competir com a imensa variedade de colorido das
flores, os colibris apresentam plumagens com um largo espectro
de matizes, além de todo tipo de caudas e topetes.
SÃO GRANDES COMILÕES os beija-flores. Embora sejam
muito pequenos, eles gastam uma grande quantidade de energia porque
estão sempre em movimento: suas asas, por exemplo, são
as mais rápidas, com cerca de setenta batidas por segundo.
Para repor essas forças, eles estão sempre sugando
as flores.
O alimento em tal quantidade deve ser digerido rapidamente, por
isso sua dieta consiste sobretudo de açúcar, que
logo é transformado em energia. Esse combustível
é encontrado nas várias espécies de flores.
As proteínas necessárias para fortalecer seus músculos
são fornecidas pelos insetos que os beija-flores apanham.
Assim, o total de alimentos que eles consomem é muito grande
em relação a seu peso e tamanho. Basta lembrar que,
se um homem de 75 quilos gastasse energia na mesma proporção,
por exemplo, do beija-flor-de-pescoço-vermelho (Archilocus
colubris), teria de ingerir diariamente cerca de 150 quilos de
batata.
Para saciar seu grande apetite, algumas espécies de beija-flores
visitam por dia cerca de 1500 flores. Embora a principal fonte
de alimento desses pássaros sejam as flores, eles não
dispensam o açúcar encontrado nas frutas suculentas.
Enquanto o beija-flor está ocupado em obter o néctar,
ele carrega o pólen de uma flor para outra, ajudando no
processo de fecundação das flores. Assim eles mantém
uma simbiose com as plantas.
NO VÔO nenhum outro pássaro se compara aos beija-flores.
Eles se lançam como uma flecha para a frente e para trás,
para os lados, para cima e para baixo; podem dar marcha a ré
ou ficar parados no ar batendo as asas com incrível rapidez.
Nesse movimento elas ficam quase invisíveis, mas chegando
bem perto é possível ouvir seu zumbido. Em poucos
segundos eles já estão longe, sem que os olhos possam
perceber.
Na época do acasalamento, os colibris costumam fazer o
vôo nupcial, cujo trajeto varia de acordo com a espécie.
Para levantar vôo, o beija-flor não precisa dar
impulso com os pés, como os outros pássaros. Apenas
bate as asas, alcançando a velocidade máxima quase
imediatamente.
A VIDA DO BEIJA-FLOR é muito agitada. Apesar do seu tamanho,
ele costuma gastar num só dia mais energia do que qualquer
outro animal de sangue quente. Grande parte do dia ele passa procurando
flores para sugar seu néctar.
Mas o beija-flor também gasta seu tempo em outras atividades,
como tomar banho, por exemplo. Chapinhando em alguma fonte ou
corrente d'água, sempre encontra maneiras variadas e criativas
de tomar seu banho diário.
Muitos independentes, os beija-flores costumam comer, banhar-se
ou descansar sempre sozinhos. Juntos, passam a maior parte do
tempo brigando ou perseguindo um ao outro, a não ser na
época de acasalamento. Seu namoro é breve e com
bonitos torneios de vôo.
AS FÊMEAS têm muito trabalho porque não contam
com a ajuda dos machos. São elas que constróem os
ninhos, chocam os ovos e protegem os filhotes.
Apesar de minúsculos, os ninhos são muito bonitos.
E, por incrível que pareça, esse pequeno e frágil
abrigo resiste ao vento, às chuvas e ao crescimento dos
filhotes. Na verdade, os beija-flores são hábeis
construtores --além de interessantes, seus ninhos são
muito confortáveis. E para sorte das fêmeas, os filhotes
crescem muito rápido. Nascem menores que uma mamangaba,
mas, deixam o ninho poucas semanas depois.
Depois de construir o ninho com grama, folhas, flores, pétalas
e musgo, o beija-flor fixa isso tudo com o fio viscoso da teia
de aranha, deixando o abrigo bastante firme. Geralmente, os beija-flores
botam apenas dois ovos. Seus ninhos não comportam mais,
e a fêmea não consegue alimentar mais que dois filhotes.
Ao nascer, o beija-flor não tem penas nem enxerga. A mãe
alimenta os filhotes colocando em sua garganta o bico cheio de
néctar. Na maioria das vezes, os filhotes abrem os olhos
com 3 ou 4 dias. Então, já observam ansiosos a mãe,
que chega para alimentá-los. No início, a fêmea
protege seus filhotes com as asas, mantendo-os bem aquecidos.
Mas como são incrivelmente resistentes, depois da primeira
semana já estão prontos para se aquecer sozinhos
no ninho aconchegante. Com duas semanas de idade, a maioria dos
beija-flores já tem os olhos brilhantes e atentos, e o
corpo coberto de penas. Às vezes, se levantam no ninho
e batem as asas - exercícios importantes para desenvolver
os músculos. Com 3 ou 4 semanas, o pequeno beija-flor já
está pronto para deixar o ninho e começa a dominar
o vôo com rapidez e facilidade. Mas ainda tem dificuldade
para se alimentar sozinho: nesta fase de treinamento, coloca o
bico em objetos coloridos julgando serem flores.
O FUTURO dos beija-flores está diretamente ligado à
preservação da flora terrestre, sobretudo das árvores
e arbustos que têm florescência abundante. Facilmente
adaptáveis a qualquer ambiente, os beija-flores, na verdade,
não exigem muito para sobreviver: constróem seus
ninhos em todo tipo de árvore e podem encontrar alimento
nas flores em geral, encontradas em diversos lugares, como jardins,
hortas e parques. Além disso, não temem as pessoas
e vivem nas cidades sem dificuldade.
Mesmo assim, o crescimento acelerado da população
e a destruição de muitas espécies de plantas
nativas podem constituir um grave problema para esses pássaros:
muitas vezes começam a faltar-lhes locais apropriados para
construir seus ninhos ou onde possam encontrar alimento adequado.
É praticamente impossível acreditar que alguém
seja capaz de perseguir ou matar beija-flores. Muitos, no entanto,
fazem isso sem perceber, ao derrubar matas ou eliminar famílias
inteiras de plantas e flores. Tendo mais consciência da
necessidade de maior equilíbrio entre a vida das plantas,
dos animais e dos homens, pode-se evitar muitos danos à
natureza, da qual dependemos e fazemos parte. Ao se preservar
as centenas de espécies de beija-flores conhecidas, estaremos,
no mínimo, assegurando uma vida mais colorida e alegre,
e nosso mundo será melhor e mais bonito.
Informações retiradas da revista O REINO ANIMAL,
Editora Nova Cultural Ltda. e enviadas pelo Dr. Zalmir Silvino
Cubas - Diretor do parque das Aves Foz Tropicana - Foz do Iguaçú
- PR
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