JACUTINGA (Pipile jacutinga)
Descrição 
A jacutinga é uma das aves mais impressionantes da Floresta
Atlântica. Espécie pertencente à família
Cracidae, caracteriza-se por possuir a plumagem negra brilhante,
com manchas brancas nas asas. Igualmente, as penas do alto da
cabeça (píleo) são brancas, além de
bastante alongadas e eriçáveis. Possui a face toda
emplumada de negro, com região perioftálmica nua,
branco-gesso. Ainda, possui a base do bico azulada. A barbela,
provida de pouquíssimas penas é vermelha em sua
porção posterior, enquanto que a anterior é
dividida em uma área lilás superior e outra azul
brilhante, inferior. O colorido da barbela torna-se bastante acentuado
durante o período reprodutivo, enquanto que fora deste,
as cores ficam esmaecidas e mesmo a barbela encolhe. (Sick, 1985).
Distribuição
Habitante
típico da região Sudeste do Brasil, era encontrada
na região da Serra do Mar em qualquer altitude, em locais
acidentados, semeados de rochas e cobertos por mata espessa, onde
nidificava (Sick, 1985). Em decorrência da caça,
do tráfico de animais selvagens e da inclemente destruição
de seu habitat natural, notadamente a Floresta Atlântica,
a espécie desapareceu da maioria dos locais onde era encontrada
habitualmente. Atualmente, apesar de admitir-se que a espécie
tenha sua distribuição para o Brasil desde o sul
da Bahia até o Rio Grande do Sul, é na verdade de
ocorrência bastante pontual.
Reprodução
Como os demais representantes da família,
são monogâmicos, ou seja: possuem apenas um parceiro.
Podem fazer posturas sobre galhos grossos, ramificações
de troncos e rochas quase sem material de construção
(SICK, 1985). Os ovos são brancos e o período de
incubação é de 28 dias. Os filhotes já
nascem com os olhos abertos, e movimentam-se livremente apesar
de sempre acompanhados pela mãe, abrigando-se sob sua cauda
ou suas asas. Mesmo empoleirados, enquanto seu tamanho lhes permitir,
abrigam-se embaixo das asas da mãe durante o seu desenvolvimento.
Criação em cativeiro
Como a maior parte das espécies de Cracidae
(com raras exceções), Pipile jacutinga é
monogâmica, ou seja, machos e fêmeas têm apenas
um parceiro. Bastante difundida no Brasil atualmente, a manutenção
de Cracidae em cativeiro, visando sua reprodução
tem se mostrado um sucesso, com várias espécies
tendo se reproduzido e algumas, como o mutum-do-sudeste (Crax
blumenbachii) só escaparam da extinção em
razão de serem alvo de projetos de reprodução
em cativeiro. Quanto à jacutinga contudo, apesar do status
de espécie ameaçada, apenas recentemente tem sido
alvo de trabalhos de reprodução em cativeiro com
objetivos definidos. No passado, apesar de ter sido uma espécie
bastante reproduzida em cativeiro por criadores particulares,
por diversas vezes foram promovidos cruzamentos com outras espécies
de Pipile, procedimento este que em nada beneficiou a espécie
por ter produzido animais híbridos. Felizmente isso é
passado e atualmente aqueles que mantêm jacutinga sabem
da importância de se desenvolver a reprodução
dessa espécie em cativeiro, primando pela manutenção
da qualidade genética das aves.
Luiz Roberto Francisco
Biólogo - Diretor do Zoológico de Curitiba
REFERÊNCIAS
Collar, N. J.; Gonzaga, L. P.; Krabbe N.; Mandroño
Nieto, A.; Naranjo, L.G.; Parker III, T.
A. & Wege, D. C Wege, 1992. Threatened birds of the Americas:
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Sick, H. 1985. Ornitologia brasileira: uma introdução.
Brasília, Editora UnB, 827 pp.,
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Delacour, J & D. Amadon. 1973. Curassows
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Museum of Natrual History. 247 pp.
Strahl, S.D.; Beaujon, s.; Brooks. D. M.; Begazo,
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1997. The cracidae. Their biology and conservation. Canadá
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