Sobre a cana-de-açucar
* A cana-de-açúcar é originária da
Nova Guiné. Foi levada para o sul da Ásia e, no
início, era usada em forma de xarope. No ano 500, na Pérsia,
surge a primeira evidência do açúcar em forma
sólida. A propagação das culturas de cana-de-açúcar
no norte da África e sul da Europa foi feita pelos árabes,
na época das invasões. Nessa mesma época,
os chineses a levaram para Java e para as Filipinas.
* Típica dos climas tropicais e subtropicais, as plantações
de cana-de-açúcar não prosperaram na Europa.
No século XIV, continuou a ser importada do Oriente, embora
se tivesse propagado, em pequena escala, na região mediterrânea.
A guerra entre Veneza e os turcos levou à procura de outros
centros abastecedores. Surgiram então culturas nas ilhas
da Madeira, plantadas pelos portugueses, e Canárias, cultivadas
pelos espanhóis.
* Na América, a cana-de-açúcar encontrou
excelentes condições para o seu desenvolvimento.
Anos mais tarde, as maiores plantações do mundo
se concentrariam no continente americano. Depois que Colombo levou
as primeiras mudas para São Domingo, em sua segunda viagem
(1493), as lavouras se estenderam até Cuba e outras ilhas
do Caribe. De lá, a planta foi levada para as Américas
Central e do Sul.
* No Brasil, há indícios de que a cana-de-açúcar
seja cultivada desde muito antes do descobrimento, mas a cultura
só se desenvolveu quando foram criados os engenhos e as
plantações foram feitas a partir de mudas trazidas
pelos portugueses. Em 1532, Martim Afonso de Souza construiu o
primeiro engenho em São Vicente (SP). Foi registrado com
o nome de Engenho do Senhor Governador, depois se chamou Engenho
dos Armadores e, por fim, São Jorge dos Erasmos.
* No fim do século XVI, Pernambuco e Bahia já contavam
com mais de uma centena de engenhos. As culturas floresceram tanto
que o Brasil, até 1650, liderou a produção
mundial de açúcar, com grande penetração
no mercado europeu.
* Quase metade de toda a produção mundial de cana-de-açúcar
é assegurada por quatro nações americanas:
Brasil, Cuba, México e Estados Unidos. Seguem-se, pela
importância de sua safras, países asiáticos
como a Índia, China e Filipinas.
* Em meados da década de 70, no Brasil, a crise do petróleo
tornou intensa a produção de etanol, a partir da
cana-de-açúcar, para utilização direta
em motores a explosão (hidratado) ou em mistura com a gasolina
(anidro). Desde então, o álcool combustível,
saído de modernas destilarias que em muitos pontos do País
substituíram os antigos engenhos, passou a absorver parte
da matéria-prima que antes era destinada, em maior parte,
à extração do açúcar.
Fontes: Enciclopédia Barsa, volume 3, 1997; Verdes Canaviais
- Coleção Desafios - Vera Vilhena de Toledo e Cândida
Vilares Gancho, Editora Moderna, São Paulo, 1996