Adubação
Na agricultura orgânica não é permitido o
uso de fertilizantes químicos industrializados, de alta
concentração e solubilidade, tais como uréia,
salitres, superfosfatos, cloreto de potássio e outros.
A matéria orgânica é considerada fundamental
para a manutenção das características físicas,
químicas e biológicas do solo. Quando aplicada ao
solo, a matéria orgânica provoca mudanças
nas suas características físicas, químicas
e biológicas, aumentando a aeração do solo
e a retenção de umidade (Saiba mais). A matéria
orgânica é a principal fonte de macro e micronutrientes
essenciais às plantas. Biologicamente, a matéria
orgânica aumenta a atividade dos microorganismos do solo,
por ser fonte de energia e de nutrientes (Kiehl, 1981; 1985).
Uma forma eficiente e relativamente barata de se elevar o teor
de matéria orgânica dos solos é por meio da
adubação verde e da adição de adubos
orgânicos. Muitos produtos que podem ser utilizados como
adubo orgânico são produzidos nas próprias
fazendas, como os estercos, camas de galinha, palhas, restos vegetais
e, compostos. Resíduos da agroindústria também
podem ser usados e nessa categoria estão incluídas
as tortas oleaginosas (amendoim, algodão, mamona, cacau),
borra de café, bagaços de frutas e outros subprodutos
da indústria de alimentos, resíduos das usinas de
açúcar e álcool (torta de filtro, vinhaça
e bagaço de cana) e resíduos de beneficiamento de
produtos agrícolas.
O agricultor deve selecionar o tipo de adubação
em função da disponibilidade local, levando em consideração
principalmente a distância da fonte até o local onde
será utilizado, visto que a despesa com transporte pode
elevar os custos ou até inviabilizar a atividade.
A facilidade de decomposição desses materiais depende
da relação carbono:nitrogênio (relação
C:N), que significa a proporção de carbono contida
no material em relação ao nitrogênio. O valor
ideal está em torno de 30:1. Quanto menor o valor desta
relação, mais fácil será a sua decomposição.
Materiais ricos em nitrogênio, tais como os estercos e resíduos
de leguminosas são os que possuem menores valores dessa
relação, que variam entre 20:1 e 30:1, enquanto
nas palhadas esta relação varia de 35:1 até
100:1. No Anexo 1 está apresentada a relação
C:N dos principais resíduos orgânicos que podem orientar
na sua escolha.
Estercos
Encontram-se nessa categoria os estercos provenientes de bovinos,
eqüinos, caprinos, suínos, ovinos, aves e coelhos,
cuja composição química varia com a idade
do animal, da raça e da alimentação. É
recomendável que a cafeicultura orgânica seja integrada
à atividade animal, a fim de reduzir os custos de produção.
Neste caso, a atividade animal deve ser realizada conforme as
regras estabelecidas pela agricultura orgânica de acordo
com a regulamentação da Lei 10.831/2003. No caso
de esterco obtido de fora da propriedade, o produtor deve estar
atento a origem do mesmo, especialmente quanto à presença
de aditivos químicos e/ou estimulantes, hormônios,
medicamentos e alimentos não permitidos. É recomendável
que o produtor antes de utilizar o esterco, discuta com a certificadora
as restrições específicas do mercado comprador.
O esterco deve ser preferencialmente compostado ou então,
deve ser estabilizado ou curtido (envelhecido naturalmente por
um período de pelo menos 6 meses).
As Boas Práticas Agrícolas recomendam o uso do
esterco compostado ou estabilizado por um período longo
de tempo com adição de calcário (Neves et
al 2004b). Essas recomendações objetivam o uso seguro
do esterco na produção por possibilitarem a eliminação
de microorganismos patogênicos. Além disso, e reduzem
a presença de sementes de plantas espontâneas e a
possibilidade de fitotoxidez ou "queima" das plantas.
Composto
Chamamos de composto o adubo orgânico proveniente da compostagem,
uma prática milenar de estabilização de estercos
e outros resíduos orgânicos.
Para produzir um composto seguro em relação aos
microrganismos patogênicos é preciso que sejam observados
os seguintes aspectos:
As pilhas devem ser reviradas e misturadas a cada 7-8 dias, no
mínimo 5 vezes durante o processo.
A temperatura deve se manter entre 55-70 ºC durante pelo
menos 15 dias (Kiehl, 1985).
Um processo simples de compostagem está descrito no Anexo
2.
Durante a compostagem, escorre um líquido escuro das pilhas,
denominado chorume. Este material, se possível, deve ser
recolhido, podendo retornar à pilha , pois representa excelente
fonte de nutrientes. Após cerca de 50 dias o composto está
pronto para ser usado.
Bokashi
Bokashi significa composto orgânico em japonês. É
obtido da fermentação de farelos com o auxílio
de microorganismos. O Bokashi pode ser preparado na propriedade
de acordo com o processo descrito no Anexo 3. Os ingredientes
utilizados podem variar de acordo com a disponibilidade de cada
região.
O produto pode ser aplicado nas em covas, sob a saia do cafeeiro
ou nas ruas. No caso de aplicação manual, deve-se
tomar cuidado para que não haja torrões muito grandes.
A quantidade de Bokashi a ser aplicada no solo varia muito em
função do histórico e análise do solo.
O Bokashi possibilita a melhoria do solo em diversos aspectos
e com o decorrer do tempo, pode-se diminuir gradativamente a dosagem.
Biofertilizantes
Basicamente, o biofertilizante é o resíduo do biodigestor
obtido da fermentação de materiais orgânicos
em geral como a vinhaça, as águas de lavagens de
estábulos, baias e pocilgas. O biofertilizante de esterco
bovino, por exemplo, é o material pastoso resultante da
fermentação (digestão anaeróbica)
dessa matéria orgânica misturada com água.
Na digestão anaeróbia há maior retenção
de nitrogênio do que na decomposição aeróbia,
feita pela compostagem. Isto ocorre pelo fato das bactérias
anaeróbias utilizarem pequena quantidade de nitrogênio
dos resíduos vegetais e animais para sintetizarem proteínas.
Os biofertilizantes, além de serem importantes fontes
de macro e micronutrientes, contêm substâncias com
potencial de funcionar como defensivos naturais quando regularmente
aplicados via foliar.
Vários tipos de biofertilizantes são utilizados,
podendo ser obtidos da mistura de diversas matérias orgânicas
com água, enriquecidos ou não com minerais. Podem
ser aplicados sobre a folha e sobre o solo. Os efluentes de biodigestor,
em geral de pocilgas e estábulos contém somente
esterco e água. Outros biofertilizantes como o Supermagro
e o Agrobio, têm na sua formulação fontes
variadas de matéria orgânica, incluindo vegetais
e minerais como pós de rocha e micronutrientes.
Os biofertilizantes funcionam como fonte suplementar de micronutrientes
e de componentes não específicos e embora seus efeitos
sobre as plantas não estejam totalmente estudados, influenciam
positivamente a resistência das plantas ao ataque de pragas
e de agentes de doenças. Têm papel direto no controle
de alguns fitoparasitas através de substâncias com
ação fungicida, bactericida e/ou inseticida presentes
em sua composição e há estudos mostrando
também seus efeitos na promoção de florescimento
e de enraizamento em algumas plantas cultivadas, possivelmente
pelos hormônios vegetais nela presentes.
O Supermagro é proveniente da fermentação
anaeróbica da matéria orgânica animal ou vegetal
que resulta num líquido escuro utilizado em pulverização
foliar complementar à adubação de solo, como
fonte de micronutrientes. Atua também como defensivo natural
por meio de bactérias benéficas, principalmente
Bacillus subtilis (Pedini, 2000), que inibe o crescimento de fungos
e bactérias causadores de doenças nas plantas, além
de aumentar a resistência contra insetos e ácaros.
Os ingredientes básicos do biofertilizante Supermagro são
água, esterco bovino, mistura de sais minerais (micronutrientes),
resíduos animais, melaço e leite e a forma de preparo
encontra-se em no Anexo 6.
Existem outras formulações adaptadas do Supermagro,
como o Agrobio, biofertilizante produzido pela PESAGRO-RIO (1998)
(Fernandes, 2000), cujo processo está descrito no Anexo
7.
Em qualquer das formulações citadas anteriormente,
as pulverizações devem ser feitas nas concentrações
de 2 a 5%, sendo que para as espécies perenes são
suficientes quatro pulverizações por ano. Na fase
de formação, até 6 meses após o plantio,
pulverizações de supermagro entre 13 e 15% promovem
melhor crescimento dos cafeeiros (Araújo, 2004). Por estes
produtos conterem micronutrientes, pulverizações
excessivas podem ocasionar teores elevados nos tecidos foliares.
Por este motivo, análises químicas foliares devem
ser feitas freqüentemente a fim de monitorar os teores desses
nutrientes nas plantas e na formulação do biofertilizante.
O biofertilizante líquido produzido a partir da fermentação
de esterco fresco de bovino, é mais recomendado para aplicação
em maiores quantidades. É distribuído através
de aspersão ou tanques acoplados ao trator, sobre o solo
ou sobre a planta e o solo, em diluições de 20 a
40% e volumes de 100 a 200 m3/ha (Anexo 8).
Como saber sobre adubação de plantas
Equipe Sabido
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A adubação das plantas é fundamental para
o fornecimento de matérias primas necessárias para
a fotossíntese, processo químico feito pelas plantas,
responsável por sua alimentação.
Passo a passo:
1. Tipos de adubos:
1.1 Adubos orgânicos: adubos de origem vegetal ou animal
. Exemplos: farinhas de osso, sangue, carne; torta de mamona,
húmus de minhoca, estercos de gado, de aves, etc. A principal
vantagem do adubo orgânico é que em excesso não
faz mal para as plantas, já que se trata de um produto
natural.
1.2 Adubos inorgânicos: adubos de origem química.
Exemplos: Sulfato de Amônia, Cloreto de Potássio,
Salitre-do-Chile, Uréia, etc. As plantas absorvem com mais
facilidade e rapidez os adubos inorgânicos.
2. Classificação de adubos quanto a forma de uso:
2.1 Foliar: diluindo o produto em água, na dosagem indicada
pelo fabricante, deve ser borrifado sobre as folhas. Devido à
rapidez da sua absorção pela planta, é indicado
para plantas que necessitam urgentemente de nutrientes.
2.2 Líquido: diluindo o produto em água, deve ser
aplicado na terra, através das regas.
2.3 Granulado: pequenos grãos, devem ser distribuídos
na terra, ao redor das plantas. Ao contrário do adubo foliar,
surte efeitos a longo prazo.
3. Componentes fundamentais dos adubos: o Nitrogênio (N),
o Fósforo (P) e o Potássio (K) são macronutrientes
(as plantas necessitam de grande quantidade) essenciais às
plantas. Os micronutrientes são necessários em menores
quantidades pelas plantas e geralmente os solos apresentam uma
quantidade suficiente destes minerais. Porém, adubos com
micronutrientes, são sem dúvida, produtos mais completos.
Principais micronutrientes: Boro (B), Manganês (Mn), Ferro
(Fe), Zinco (Zn), Cobre (Cu).
4. Funções do Nitrogênio (N), Fósforo
(P) e Potássio (K):
4.1 Nitrogênio (N): necessário para a produção
de clorofila, ajuda na brotação e florescimento.
Atua na parte verde da planta.
4.2 Fósforo (P): estimula a floração, a
frutificação e o crescimento das raízes.
4.3 Potássio (K): estimula as funções fisiológicas
das plantas. Evita a queda precoce de frutos, aumenta a resistência
das plantas à pragas, doenças, etc.
5. Escolhendo a composição ideal dos adubos de acordo
com as necessidades das plantas:
5.1 Exemplo de fórmula tradicional: N.P.K. 4.14.8 = adubo
com 4% de Nitrogênio, 14% de Fósforo e 8% de Potássio.
Fórmula com grande quantidade de Fósforo, ou seja,
ideal para plantas com problemas de floração ou
frutificação.
5.2 Adubos com grande quantidade de Nitrogênio são
indicados para atuar na parte verde da planta, melhorando principalmente
as folhas. Exemplo: N.P.K 15.8.8, ou seja, 15 partes de Nitrogênio,
8 de Fósforo e 8 de Potássio. O salitre do Chile
também é muito bem indicado para atuar nas partes
verdes das plantas, já que apresenta cerca de 15% de Nitrogênio
em sua composição.
5.3 Para plantas em bom estado, prefira adubos com quantidades
de nutrientes equilibradas. Exemplo: N.P.K. 10.10.10 ; N.P.K 20.20.20.
6. Para saber a quantidade de adubo a ser aplicado na planta,
bem como a periodicidade e a melhor maneira para se aplicar, siga
as instruções do produto. Nunca adube em quantidade
excessiva, pois pode matar suas plantas.