Saiba mais sobre os transgênicos
A comercialização de produtos transgênicos
no Brasil está suspensa por uma disputa judicial que já
dura anos. Porém, a questão sobre a liberação
desses alimentos tomou novo fôlego com a discussão
do uso de transgênicos em programas de combate à
fome, como o Fome Zero do governo Lula.
A questão envolve empresas como a Basf e a Monsanto, que
defendem os transgênicos e prometem continuar investindo
em pesquisas, e entidades, como o Greenpeace, que lutam pela proibição
destes alimentos.
PRINCIPAIS DÚVIDAS SOBRE OS TRANSGÊNICOS
O que são os transgênicos?
Espécies cuja constituição genética
foi alterada artificialmente e convertida a uma forma que não
existe na natureza. Os cientistas adicionam o gene de um vegetal,
animal, bactéria ou vírus e, assim, dão novas
características à espécie modificada. A modificação
genética é feita para que o organismo obtenha características
diferentes das suas, como melhora nutricional em alimentos ou
para tornar uma planta mais resistente a pragas.
Quais são os alimentos transgênicos?
A variedade de produtos transgênicos é ampla. Soja,
milho, algodão, canela, mandioca, inhame, batata-doce,
tabaco, arroz, tomate e trigo são algumas das culturas
beneficiadas.
Para que servem?
Plantas resistentes a herbicidas permitem que o veneno seja aplicado
e apenas as pragas morram, sem prejuízo para a plantação.
Também há espécies que receberam genes de
um bacilo e ficaram resistentes a insetos. A tecnologia tem outras
aplicações na agricultura, como a produção
de alimentos mais nutritivos ou resistentes ao clima, ainda não
tão exploradas.
Por que são importantes?
Podem amplificar a produtividade e melhorar os ganhos dos produtores.
Outra promessa é a de alimentos mais fartos e baratos,
ou com propriedades nutricionais mais apuradas.
São seguros?
A tecnologia pode gerar plantas estáveis e resistentes
e outras que oferecem riscos à saúde e à
ecologia. Cada caso, portanto, precisa ser rigorosamente avaliado.
A Organização Mundial da Saúde informa que
o consumo de transgênicos como a soja e o milho, aprovados
nos Estados Unidos, não causou nenhum prejuízo à
saúde humana.
Quando surgiram os transgênicos?
Eles surgiram na década de 1970, quando foi criada a técnica
do DNA recombinante e a engenharia genética produziu um
filhote comercial: insulina humana feita por bactérias
modificadas, com menor taxa de rejeição entre os
diabéticos.
Os transgênicos podem ser cultivados normalmente no Brasil?
Não. Desde 1998, uma liminar proíbe o cultivo comercial
de OGMs no país sem estudos prévios de impacto ambiental
- exigência desrespeitada pelos produtores de soja no Sul.
Ainda assim, a legislação brasileira relacionada
a transgênicos - especialmente a Lei de Biossegurança
de 1995 - é vista por muitos cientistas como uma das mais
completas do mundo.
DICAS PARA QUEM TEM MEDO DE TRANSGÊNICOS
. Prefira produtos orgânicos, que têm menos possibilidade
de serem transgênicos
. Preste atenção nos rótulos dos produtos
industrializados, que são obrigados a ter um aviso sobre
o uso de ingredientes geneticamente modificados
. Fique mais alerta quando os produtos forem feitos a partir de
milho ou soja. Estas são as sementes mais utilizadas em
pesquisas com OGMs
. Se você apresentar qualquer tipo de reação
a um determinado produto transgênico, faça um comunicado
ao posto mais próximo do Idec, o Instituto de Defesa do
Consumidor
. O Serviço de Atendimento ao Consumidor das empresas (com
endereço nas embalagens) pode dar informações
mais detalhadas sobre a composição dos produtos.
Se tiver dúvidas, ligue para conferir
CURIOSIDADES
Os maiores produtores mundiais de organismos geneticamente modificados
são, na ordem, Estados Unidos, Argentina, Canadá
e China.
Os Estados Unidos respondem por dois terços das áreas
cultivadas no mundo, com destaque em milho, soja, algodão
e canola. Além disso, foi o primeiro país a plantar
OGMs comercialmente, em 1996, e são os que mais exportam
e consomem esse tipo de alimento.
O Brasil é o único grande produtor mundial de
grãos não-transgênicos.
Pesquisa do Ibope realizada com 2 mil brasileiros em dezembro
de 2003 indica que 73% dos entrevistados são contra a liberação
dos transgênicos no país até que exista consenso
na comunidade científica a respeito da segurança
desses organismos para o meio ambiente e a saúde humana.
OS PRÓS E CONTRAS DOS TRANSGÊNICOS
PRÓS
Combate à fome
Um dos benefícios que os transgênicos poderiam trazer
é comida mais barata para milhares de pessoas famintas
e subnutridas em todos os países pobres do mundo. Sabe-se
que há mais de 800 milhões de famintos sem condições
mínimas de sobrevivência em todo o mundo.
As plantas transgênicas são mais resistentes e,
aparentemente, podem reduzir o custo de produção,
viabilizando uma maior oferta de comida, então, mais barata.
Dados indicam que produtos transgênicos têm custo
de produção 20% menor que os demais. Além
disso pode-se enriquecer tais alimentos com mais vitaminas, como
novo arroz transgênico, rico em vitamina A, ou usá-los
em tratamentos específicos.
“Super Alimentos”
Uma das promessas do cultivo e comercialização
dos transgênicos são os super alimentos, legumes,
grãos e verduras mais nutritivos, resistentes a agrotóxicos,
e com menos gordura.
Com alimentos resistentes, os agricultores podem aplicar maior
quantidade de agrotóxicos para combater pragas sem correr
o risco de o alimento ser destruído. Mas, uma questão
ainda não respondida por pesquisadores é se quem
ingere o alimento com maior dose de agrotóxico não
recebe doses deste produto.
CONTRAS
Riscos à saúde
Estudos feitos pelas multinacionais interessadas na liberação
do cultivo e comercialização de alimentos transgênicos
têm sido contestados por inúmeros cientistas. Segundo
boa parte deles, alguns riscos à saúde que os OGMs
trazem são praticamente certos, como riscos de alergia.
O mais temido dano que os transgênicos podem causar à
saúde do homem é a transferência da sua resistência
para microorganismos patológicos, como bactérias
que causam infecções. Não há notícias
que isto tenha ocorrido de fato, mas especialistas não
descartam esta hipótese. Cobaias alimentadas com transgênicos
têm apresentado alterações em seu sistema
imunológico e em vários órgãos vitais.
Impacto Ambiental
O cultivo de OGMs pode causar impactos no meio ambiente, como
perda de biodiversidade e erosão genética, o surgimento
de super ervas daninhas próximas a plantação,
correndo-se o risco das ervas ficarem resistentes ao próprio
herbicida que deveria matá-las. Outro risco apontado é
a possibilidade de resistência de insetos e pesticidas,
que evoluiriam e se tornariam imunes à resistência
dos transgênicos.