Agronegócios: Avestruz

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Fonte do texto: Internet

O avestruz e suas particularidades

Os avestruzes são reprodutores sazonais e reproduzem-se durante uma estação específica do ano, que dura em torno de seis a oito meses, sendo o tempo do período reprodutivo variável, conforme a latitude e outras condições de meio, como por exemplo, a umidade. Como estes são animais herbívoros e possuem um porte bastante avantajado, os mesmos são criados soltos, em pastagens específicas, inviabilizando assim a construção de galpões de alojamento, como ocorre com as aves industriais, as quais por este motivo, são submetidas a programas de luz, que lhes permitem reproduzir continuamente, não dependendo portanto, da luminosidade natural. Desta forma, devido à dependência da intensidade de luz natural e, sendo esta, variável de acordo com as diversas regiões, podemos identificar períodos sazonais de reprodução, com início e fim diferentes. Na região sudeste do Brasil, por exemplo, a postura das fêmeas se inicia entre julho e agosto. Mesmo a ave, possuindo esta característica sazo-nal, não é raro a fêmea pôr ovos durante todo o ano, en-tretanto, o seu pico de postura, atinge o máximo na pri-mavera (setembro a dezembro), caindo posteriormente até fevereiro, quando ocorre pequena queda de produção.

Comportamento reprodutivo

O macho e a fêmea costumam acasalar-se duas ou três vezes por dia, onde a fêmea põe um ovo em dias alternados, até completar 15 a 20 ovos, cujo peso médio ideal, varia de 1100 a 1700 g. Após uma pequena pausa, de 7 a 10 dias, o ciclo recomeça. Algumas aves podem botar até 120 ovos numa estação prolongada de postura, entretanto, torna-se necessário a interrupção da postura, pois os ovos mais tardios são menos férteis e comprometem a produção total da fêmea, reduzindo a postura na estação seguinte. A média ideal seria de 50 a 60 ovos por ano com uma interrupção de 12 a 16 semanas entre os ciclos de postura. Este intervalo permite um descanso para a recuperação corporal da fêmea, culminando com um número satisfatório de ovos na estação seguinte e com boa porcentagem de fertilidade.


Os casais devem ser formados, por volta de quatro semanas antes do início da temporada de reprodução, e submetidos a uma alimentação com concentrado específico, para reprodutores, no início das semanas previstas para o ciclo produtivo, garantindo assim, o suplemento necessário para uma boa produção dos ovos. Os avestruzes, que passam por um manejo nutricional excessivo ou irregular, não apresentam bom desempenho reprodutivo. De um modo geral, são as fêmeas é que tomam a iniciativa para o acasalamento, aproximando-se do macho e exibindo-se para seduzi-lo, abrindo as asas, ato este denominado de "Display".


No entanto, nem sempre a primeira tentativa é decisiva. Se o macho está receptivo, a sua cloaca incha e apresenta-se fortemente colorida, o que faz com que o macho, passe então a se exibir, alçando a cauda, abrindo as asas e levantando-as em direção ao céu para depois as baixar, ou então, agitando-as ao mesmo tempo ou alternadamente. Em seguida a fêmea começa de forma sincronizada, a debicar o pasto. O macho coloca-se em frente da fêmea, deixa-se cair sobre os tarsos, abre as asas, agitando-as para frente e para trás, sendo que, neste momento, apóia a cabeça no lombo, movendo-a lenta e ritmicamente de um lado para o outro. Todo este ritual se prolonga por alguns minutos, até que subitamente, o macho se ergue e se dirige para a fêmea com as asas abertas. A fêmea permanece com as asas na horizontal, agitando-as, e mantendo a cabeça baixa. Quando a fêmea se agacha, o macho coloca a sua pata esquerda ao lado desta, e a sua pata direita sobre o dorso da fêmea. O macho emite um rugido, enquanto que a fêmea estala o bico e agita a cabeça. A cópula dura de um a dois minutos.


O macho é quem determina o local do ninho, podendo este servir para outras temporadas. Uma vez escolhido o local, o animal escava o terreno com as patas e depois aperfeiçoa o buraco com movimentos rotativos do próprio corpo, formando assim, uma grande cova com cerca de 3 metros de diâmetro. Terminada a construção do ninho, a fêmea começa a pôr os ovos diante do seu companheiro, que com o bico os faz rolar para dentro do ninho. Existem alguns criadouros que optam pela construção do ninho, mas nem sempre os animais escolhem o mesmo lugar para a postura dos ovos. Visando reduzir os efeitos de contaminação, costuma-se colocar areia no interior do ninho, já construído pelo macho. A postura inicia-se aproximadamente 10 dias após o acasalamento, a um ritmo de um ovo a cada dois dias. No estado selvagem, a fêmea principal pode pôr até oito ovos, e as outras apenas três ou quatro, num total de cerca de 20 ovos por ninho, sendo que, enquanto uma fêmea permanece no ninho, as outras mantêm-se em posição de espera, a fim de depositarem no mesmo, os seus próprios ovos.

Manejo reprodutivo nos piquetes

Em cada piquete de reprodução, constarão ao ar livre, durante toda a temporada reprodutiva, um trio (duas fêmeas e um macho) ou um casal de avestruzes. Para os animais de primeira postura, o manejo para a escolha de cada trio ou casal, procede-se previamente com a colocação provisória de todos os reprodutores num piquete comum. O critério utilizado, para a constituição dos trios ou casais, baseia-se na observação do comportamento entre machos e fêmeas, situados no mesmo piquete e que apresentem uma maior afinidade.


É fundamental que os piquetes da reprodução sejam formados com pastagem para alimento e resistente ao pisoteio (ex: braquiária), sendo que, na falta destes, costuma-se fornecer capim picado no comedouro.

Os adultos recebem durante a estação reprodutiva uma ração balanceada para avestruzes em reprodução e na estação não-reprodutiva outra ração balanceada para avestruzes em manutenção. O fornecimento de alimento nesta fase deve ser distribuído em três tratos diários e consiste numa ração com 50% de concentrado e 50% de volumoso. O consumo médio diário por cada avestruz deste grupo, cujo peso vivo varia entre 120 e 150 kg, é de aproximadamente 2,5% do peso vivo, além da suplementação específica para reprodução conforme indicação do técnico responsável.

Considerações finais

A avicultura brasileira, caracteriza-se hoje por sua dinamicidade, eficiência e produtividade, fatos estes que lhe renderam o mérito de melhor do mundo. Entretanto sua constante evolução nunca deve cessar, principalmente em se tratando de garantias de conformidade de seus processos e produtos, além de um maior amadurecimento em negociações internacionais, as quais devem ter sucesso em gerar um marketing positivo, culminando com a divulgação e venda dos produtos oriundos na avicultura nacional, nos mercados internacionais.

Já a estrutiocultura, deve espelhar-se nas estratégias e no mérito dos atores, entidades e empresas avícolas, os quais geraram ações de curto, médio e longo prazo, pautadas em diagnósticos precisos, culminando com o pronto atendimento das demandas emergenciais e posteriores. Muitos dos conhecimentos já consagrados no setor avícola, poderão ser aplicados a estrutiocultura, entretanto fica evidente que, algumas demandas específicas, deverão ser trabalhadas pelas entidades e especialistas do setor, dentro de uma ordem cronológica coerente e com metas pré-estabelecidas. Uma vez organizada e com o espírito cooperativo consolidado, temos a certeza que, a afirmação deste setor, fica condicionada, apenas a questão tempo.

Produtos do avestruz

Saiba mais sobre o animal e as vantagens da criação.

Carne - O abate da avestruz é feito entre os 12 e 14 meses de idade e tem um rendimento de 34 a 41 quilos de carne considerada de primeira qualidade. Tem aspecto e sabor similar à carne bovina, é vermelha e com baixo teor de gordura, calorias e colesterol.

Couro - Está entre os couros mais caros do mundo. É resistente, macio, durável e permite tingimento. O couro da avestruz é utilizado na confecção de sapatos, cintos, bolsas, carteiros, roupas, pastas, etc. Uma ave de 12 meses produz em torno de 1,5 metro quadrado de couro, que vale de U$$ 200 a U$$ 300/m2. O couro processado custa em torno de U$$ 500/m2.

Plumas - Atualmente o Brasil é o maior importador mundial de plumas de avestruz. As mais bonitas são as do macho, que podem ser simplesmente puxadas ou cortadas. A reposição das penas dá-se em seis ou sete meses, epodem ser coletadas novamente. Uma ave em idade de abate produz, em média, 1,3 quilo de plumas. As mais curtas, usadas para a confecção de espanadores, são vendidas a U$$ 27/kg. As mais longas e bonitas são utilizadas na confecção de adornos - em especial aqueles destinados a fantasias de carnaval - e negociadas a U$$ 160 o quilo.

Ovo - Os ovos de avestruz pesam de 1,2 a 2 quilos e tem sabor muito semelhante ao ovo de galinha. No Brasil, ainda não são consumidos, pois o interesse no momento é transformá-los em pintinhos para aumentar o plantel. Os ovos inférteis são vendidos para artistas plásticos - que os transformam em objetos de decoração - por R$ 30 a unidade.

Óleo - O óleo extraído da gordura da avestruz é muito utilizado na indústria de cosméticos para a fabricação de cremes e pomadas.

Unhas e bico - Têm seu mercado na confecção de jóias e bijuterias.

Ossos - Podem entrar na composição de rações.

Cílios - São utilizados na confecção de cílios postiços.

Córneas - Estão em andamento estudos para serem utilizadas em transplantes humanos.

Fonte: Associação Brasileira de Criadores de Avestruz (Abac)

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