BOI RASTREADO ESTIMULA VENDA EXTERNA DE
CARNE
Paulo Soares
São Paulo - O Brasil aos poucos está se adequando
às normas exigidas pela União Européia (UE)
em relação às exportações de
carne bovina com o sistema de rastreamento de bovinos. O Instituto
Genesis, um dos maiores certificadores do agronegócio no
País, fez acordo de cooperação com a Orgainvent,
uma empresa alemã líder em sistemas de rastreabilidade
na cadeia de produção de carnes e outros produtos
alimentícios, que ajudará a incrementar as exportações
brasileiras de carne bovina.
Segundo informa Henrique Victorelli Neto, presidente do Instituto
Genesis, "o conhecimento obtido por meio da parceria atenderá
uma demanda do mercado", diz.
Segundo informações divulgadas pelo Instituto Genesis,
o acordo viabilizará a implementação de um
sistema de rastreabilidade que na prática significará
que o consumidor poderá ter conhecimento da origem da carne
a ser consumida, desde o nascimento, abate e data em que o frigorífico
fez o embarque. "Por meio de um código identificador,
o animal é acompanhado desde o pasto até o abate
e venda ao varejo", afirma o presidente.
De acordo com Victorelli, tais informações são
importantes para que o consumidor tenha acesso a dados sobre os
procedimentos padrões adotados por pecuaristas e indústrias,
que precisam ser aceitos internacionalmente em todas as etapas
de produção da carne.
A empresa alemã Orgainvest pertence ao mesmo grupo que
desenvolveu e coordena as normas internacionais da Eurep Gap (Euro
Retailer Group - Good Agricultural Practices) certificadora que
teve origem dos supermercados da Europa e que prevê boas
práticas de sistema produtivo. "O seu sistema de rastreabilidade
é reconhecido e utilizado em toda Europa", afirma.
Ainda de acordo com Victorelli, técnicos europeus e argentinos
visitarão o País ainda neste mês com a finalidade
de oferecer o treinamento para a equipe brasileira. "Os resultados
obtidos nas propriedades devem ser apresentados ao mercado neste
ano", afirma.
Para o Instituto Genesis, a previsão é de que em
janeiro de 2005 o País já possa negociar carne bovina
de acordo com as normas européias, o que em sua opinião
"elevará ainda mais as exportações para
o principal mercado consumidor da carne brasileira", afirma.
Outro ponto importante ressaltado por Victorelli é que
o acordo "abre oportunidades para negociações
diretas com a indústria", o chamado "direct trade",
eliminando as etapas intermediárias.
Além disso, informa ele, o Brasil passará a diferenciar
os seus produtos, em relação aos que não
têm o controle, na medida em que a carne bovina rastreada
atende ao conceito de segurança alimentar amplamente adotado
na Europa.