Agronegócios: Feijão

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Fonte do texto: Internet

Feijão
por André Pessôa

A cultura do feijão no Brasil vem passando por profundas mudanças nos últimos anos. Até bem pouco tempo caracterizava-se por cultivos em áreas pequenas, com pouca utilização de tecnologia, voltada para a subsistência ou apostando na verdadeira "loteria" que era o mercado de feijão.

O baixo uso de tecnologia e a fragilidade agronômica da lavoura, que não resiste bem à seca, ao excesso de chuvas e ainda é facilmente acometida por pragas e doenças, provocavam frustrações freqüentes de safra, que resultavam em disparadas de preços seguidas de superofertas na safra seguinte. Esse excesso deprimia os preços e desestimulava novamente os produtores. O comportamento ciclotímico da produção e a possibilidade de produção de feijão em todos os estados, em várias épocas do ano, começaram a despertar o interesse de um outro perfil de produtores, que entraram na atividade com um sistema produtivo mais tecnificado.

Atualmente, os produtores de feijão podem ser classificados em dois grupos: os pequenos, que ainda usam baixa tecnologia e têm sua renda associada às condições climáticas, concentrados na produção das águas (primeira safra); e um segundo grupo, que usa produção mais tecnificada, com alta produtividade, plantio irrigado por pivô-central, concentrado nas safras da seca e do inverno (segunda e terceira safra).

A primeira safra, conhecida como safra das águas, é plantada entre agosto e outubro e tem como principais regiões produtoras o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e a região de Irecê na Bahia, que planta de outubro a dezembro. Em geral essa safra responde por 1/3 da oferta anual e serve de balizamento de mercado para a segunda safra.

A segunda safra é plantada de abril a junho, sendo a maior parte dos produtores do Sul-Sudeste, e é usada como rotação para as áreas de cultivo de soja e milho. Já para os produtores do Norte, Centro-Oeste e Nordeste, é a primeira e única safra do ano. Destacam-se na produção os estados de Rondônia, Ceará, Pernambuco, Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Essa safra representa hoje 50% do total anual de feijão.

A terceira e última safra é conhecida como safra de inverno e é plantada em junho/julho nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia (Barreiras), sempre sob sistema irrigado com pivô-central, atingindo alta produtividade e abastecendo o mercado entre o final da comercialização da segunda safra e o início da primeira.

A tendência verificada no mercado, à medida que a segunda e principalmente a terceira safra foram ganhando espaço, é de menores intervalos de entressafra e conseqüente estabilidade de preços ao longo do ano. Esse fato tem motivado a profissionalização da produção de feijão, com aumento da produtividade, pois apenas esse item pode garantir a rentabilidade num mercado altamente pulverizado e estável. Espera-se também que as três safras se aproximem de tamanho e que a oferta se dê cada vez de forma mais regular e ininterrupta ao longo do ano.

Outro aspecto importante para analisar o futuro da lavoura de feijão no Brasil se refere às mudanças nos hábitos alimentares que, com a crescente urbanização e maior participação das mulheres no mercado de trabalho, têm levado a um menor consumo de feijão. O crescimento da renda das camadas mais baixas da população também desvia o consumo para alimentos mais nobres como carnes, leite e derivados, verduras, legumes, ovos e frutas. Estima-se uma safra de 3,74 milhões de toneladas de feijão no ano 2000.

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