Nelore
Característica
O segundo tipo de gado zebu, na Índia, é constituído
por um importante grupo de raças, dentre as quais se sobressaem
a Hariana e a Angole, entre nós considerada por Nelore.
As principais características do segundo tipo zebuíno
são a pelagem branca ou cinza-clara, a cara estreita em
forma de ataúde, arcadas orbitárias não salientes
e perfil ligeiramente convexo. Os chifres são normalmente
curtos e por vezes grossos: distingue-se, também, pelas
orelhas curtas ou de tamanho médio. É um gado de
modo geral grande.
O berço da raça Ongole é a região
do mesmo nome, no Estado de Madras. Esta região compreende
de taluks (subdivisão administrativa, compreendendo determinado
número de aldeias) de Ongole, Guntur, Nelore, Venukonda
e Kandantur. Grande número de espécimes puros são
encontrados por sua região: são criados, em sua
maioria por agricultores e, quando alimentados em pastos artificiais
e com resíduos de cereais produzidos na fértil terra
de Ongole, tornam-se excepcionalmente desenvolvidos. No passado
o Ongole foi exportado em grande escala para a América
tropical e outros países, com a finalidade de melhorar
o gado nativo, através de cruzamentos. Como em todo gado
zebu, a grande resistência ao carrapato e sua capacidade
de subsistir em pastos secos, ainda que com escassez de forragem,
tem sido de grande valor, fora da Índia, na formação
de gado de corte, capaz de prosperar em condições
tropicais.

O Nelore do ponto de vista econômico:
No seu país de origem a raça Nelore é muito
apreciada para trabalho e como produtora de leite; os bois são
fortes, dóceis, eficientes na aração e no
transporte de carretas nas estradas, mas não são
considerados apropriados para o trabalho rápido ou trote.

Produção de Leite
Na terra de Gandhi, a raça Ongole é tida como medianamente
leiteira. Os costumes imperantes na grande nação,
restringindo o consumo de carne, fazem com que o gado seja utilizado
como fornecedor de leite ou como animal de trabalho; este será
o destino de todos os machos desnecessários à reprodução.
Em seu trabalho para a F.A.O. , Joshi e Phillips relatam que as
vacas Nelore são boas leiteiras, no que se aproxima muito
das vacas mais aperfeiçoadas da Índia. Rebanhos
bem cuidados produzem, em média, por lactação,
1.580 quilos, ao passo que a raça, de modo geral fornece1.200
Kg ou seja, 4 quilos diariamente.
A produção média de gordura é de 5,05
por cento. Calcula-se o intervalo entre os partos em 16 meses
e acredita-se que as reprodutoras terão de 6 a 7 períodos
completos de lactação em sua vida produtiva. Observou-se
que as vacas bem cuidadas parem com bastante regularidade. A idade
por ocasião do primeiro parto, nas granjas, é de
3 a 3,5 anos, enquanto nas aldeias ela se eleva para 4 ou 4 anos
e meio.
No Brasil não se cogita da utilização da
raça Nelore para a produção de leite, embora
em passo mais ou menos remoto isso tivesse acontecido.
A capacidade do atual rebanho Nelore, quanto à aptidão
leiteira, não é conhecida; não há
dados ou experiências, enquanto a prática não
aponta indivíduos ou linhagens que se salientem pela função
galactófora. Entretanto, de nossas raças zebuínas,
ela é a que apresenta melhor conformação
de úbere, com tetos pequenos e bem dispostos. Note-se,
também, que as vacas Nelore criam bezerros, que são
grande e precoces, perfeitamente bem, sinal de que sua secreção
láctea não pode ser deficiente.

Produção de carne
No Brasil, a Nelore é essencialmente uma raça produtora
de carne. Dentre as variedades trazidas da Índia, é
a que vem sofrendo mais intensa seleção, tendo em
vista a obtenção de novilhos para corte. Tem a seu
favor uma boa conformação, cabeça pequena
e leve, ossatura fina e leve, e alcança bom desenvolvimento.
Como todo o zebu tem especial habilidade para o aproveitamento
das forragens, mesmo grosseiras. É um gado muito vivo,
ligeiro e manso, desde que convenientemente cuidado.
A raça se beneficiou da circunstância de ser criada
e selecionada por criadores capazes, sinceramente empenhados e
em condições de proceder à difícil
tarefa de melhorar uma raça bovina. Por essa razão,
resultados notáveis já foram alcançados com
relação ao desenvolvimento de algumas de suas qualidades:
a rusticidade, a precocidade de produzir carne. Isto deve servir
de exemplo e estímulo aos que operam com outras raças
indianas, todas elas possuidoras de belas qualidades e grandes
possibilidades. Muitos pecuaristas e invernistas a preferem, considerando
a que mais pesa na balança, afirmação que
parece confirmada pelos resultados de concursos e provas, nos
quais o seu rendimento tem sido bastante elevado. São vários
os fatores que concorrem para fazer a raça de Ongole estimada
pelos Criadores: Os bezerros Nelore sadios, fortes, espertos e,
horas depois já se deslocam com o rebanho. Dispensam os
bezerros a atenção dos tratadores portanto, tendo
as vacas tetos pequenos e finos, o aleitamento se processa com
facilidade. A perda de bezerros é mínima, sadiamente
inferior à de outras raças indianas, dada a sua
natural rusticidade, o que eleva o desfrute do rebanho.
É um gado prolífico; os touros são bastante
férteis e as vacas, além de partir com regularidade,
apresentam notável longevidade.

Critério de julgamento
Como juiz experimentado, Pereira Lima manifesta seu ponto de vista
sobre a classificação de animais nos certamens:
"A principal preocupação do juiz para a classificação
dos animais exibidos nas exposições é ordená-los
de acordo com o tipo ideal que se tem em mente.
Tem-se procurado orientar os julgamentos no sentido de se melhor
classificar aqueles animais pela habilidade de desenvolver carcaças
musculosas com pouca gordura, o que caracteriza o moderno Nelore
brasileiro. O padrão racial é observado no crânio
e nas linhas do corpo do bovino e também na cor do pêlo
e da pele.
O moderno Nelore brasileiro se caracteriza de acordo com os padrões
descritos pela Associação Brasileira de Criadores
de Zebu; dentre esses, tem-se procurado melhor classificar aqueles
animais com elevado peso vivo, longilíneos, dotados de
ossatura robusta, massas musculares bem visíveis, costelas
bem arqueadas porém não muito alongadas, boa amplitude
toráxica notada pelo afastamento dos membros anteriores,
bons aprumos, órgãos genitais perfeitos.
O Nelore moderno deve apresentar: o crânio em forma de um
ataúde, com uma goteira mediana bem acentuada terminando
na ligação da cabeça com o pescoço;
o perfil com uma ligeira convexidade; orelhas bem implantadas
em forma de lança com movimentação ligeira
e harmoniosa denotando a vivacidade do animal; o olho preto com
expressão e formato característico demonstram a
nobreza especial do animal; os chifres em estacas ou inclinados
para traz, saindo do crânio, não muito perto um do
outro. Deve-se preferir animais de cabeça leve, mas demonstrando
masculinidade nos machos e feminilidade nas fêmeas.
Animais longilíneos significa carcaças com peças
musculares maiores; naturalmente, a ossos longos estarão
ligados músculos também longos; obrigatoriamente,
estes bovinos serão mais pesados do que o tipo compacto.
Ossatura robusta significa capacidade para suportar peso vivo
acumulado na carcaça. Osso fino é o primeiro sinal
de degeneração. Massas musculares visíveis
indicam pequeno acúmulo de gordura; simetria significa
acúmulo de gordura, assim como "paleta bem coberta"
significa acúmulo de gordura naquela região, que
deve ser descarnada. Costelas bem arqueadas significa boa capacidade
digestiva e respiratória. Costelas demasiadamente longas
significa excesso de ponta de agulha (carne de segunda). Bons
aprumos significa que o Nelore pode perambular pelas pastagens
15 a 20 anos, sem ressentir. Órgãos genitais perfeitos
significa garantia da perpetuação da espécie.
Este conjunto de caracteres deve estar disposto de uma forma harmoniosa
e equilibrada, aliada à perfeita caracterização
racial, para que um animal possa obter um título de campeão,
finaliza Pereira Lima, em sua apreciação sobre a
raça branca.
Experimentos de Sertãozinho demonstraram que o Nelore pode
oferecer carcaças com 16,5 arrobas, aos 26 meses de idade,
com um índice de rentabilidade de 50,55%, quando alimentado
em pastagem.
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