Agronegócios: Angus

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Fonte do texto: Internet

Angus

Histórico:
Em um passado remoto já eram conhecidas na Escócia as linhagens de bovinos de pelagem negra e naturalmente desprovidos de chifres. Conhecem-se esculturas e referências a esse gado mocho que datam de mais de um milênio, mas até o fim do século XVIII não havia propriamente uma "raça" ; somente famílias que se fundiram, nos dois séculos seguintes, vindo a formar uma nova variedade bovina. Os criadores Hugh Watson, da região de Angus, e William McCombie, do condado de Aberdeen, ajudados por seus vizinhos, empenharam-se na formação da raça, que por esse fato recebeu a denominação de Aberdeen Angus, mas por vezes chamada de Polled Angus.
Foi reconhecida oficialmente em 1835, por iniciativa da Associação Escocesa de Criadores, e em sua seleção foram aplicados os métodos estabelecidos por Collings, o melhorador do gado Shorthon. Watson, que iniciou os seus trabalhos aos 19 anos de idade, com um touro e seis vacas, pode ser considerado o verdadeiro fundador da raça; seus animais conquistaram mais de 500 prêmios em exposições pecuárias.

Habitat:
A região natural da raça é oeste e nordeste da Escócia, especialmente os condados de Aberdeen, Banff, Kincardine e Forfar, onde a altitude e os tipos de solo variam sensivelmente, mas sua influência não é muito grande, tendo em vista a diversidade de condições em que a raça prosperou no Canadá, Estados Unidos, Argentina, Austrália e Nova Zelândia. Naturalmente, adapta-se bem exclusivamente em regiões de clima temperado. Experimentos realizados no Estado de São Paulo, nas antigas fazendas de Campinha, em Pádua Salles, e Experimental de Criação, em Sertãozinho, demonstram a inconveniência de sua exploração em zonas de clima subtropical e tropical.

Características:
Como a maior parte das raças de corte, a Aberdeen é de porte grande, pesando as vacas de 600 a 700 quilos, e os touros, de 800 a 900. A pelagem é negra uniforme, com pêlos curtos ou de comprimento médio, sedosos. A pele tem também pigmentação escura. Esporadicamente podem surgir indivíduos de pelagem vermelha, fato que deu margem á formação de uma variedade dessa cor, sendo esta a única diferença existente em relação ao gado negro. A cabeça é pequena, curta e larga, sendo típica das raças geneticamente mochas. Nunca apresenta chifres, nem rudimentos. O corpo é longo, com dorso reto e amplo, com grande profundidade corporal e toráxica, e com linha ventral paralela à do dorso. O externo é proeminente; o lombo largo, e os quartos traseiros largos e com massas musculares desenvolvidas. Os membros são bastante curtos, com ossatura fina. Os Aberdeen Angus são menores que os Shorthon ou Hereford, e têm o corpo mais cilíndrico.

Produtividade:
As novilhas dão a primeira cria aos dois anos ou dois anos e meio, e procriam regularmente.
Os bezerros nascem pequenos, em comparação com os de outras raças britânicas, mas crescem rapidamente; os machos pesam ao nascer 28 quilos, e as fêmeas, 26, em média. As vacas produzem leite suficiente para suas crias, que são precoces e podem entrar cedo para o regime de engorda. Os músculos apresentam boa marmorização, isto é, gordura entremeada bem distribuída, e as carcaças dão alto rendimento, em virtude da ossatura fina e leve. Devido à qualidade da carne, a eficiência na conversão de alimentos, e a elevada porcentagem entre o peso da carcaça e o peso vivo, além do fator mocho, a raça Angus é muito apreciada para cruzamentos.
Sua adaptabilidade permitiu a sua introdução e difusão por muitos países do mundo, onde ocupa um papel importante na produção de novilhos de corte.

Registro Genealógico:
Embora a raça tenha sido reconhecida em 1835, os livros de registro somente foram instituídos oficialmente em 1862, passando para a responsabilidade da Associação de Criadores do Gado Aberdeen Angus em 1879. Como para as demais raças britânicas, os livros de registro estão fechados, no seu país de origem. As entidades representativas da raça registram também, embora em livro à parte, o gado vermelho. No Brasil, o Herd Book Collares, mantido pela Associação do registro Genealógico Sulriograndense, que iniciou seus trabalhos em 1906, e foi reconhecido como entidade em 1915, encarregou-se da inscrição da raça; até 1972 foram realizados 27.988 registros, de animais puros de origem, o que corresponde a 15% do total dos bovinos destinados à reprodução, dentre as raças de corte selecionadas pelos criadores gaúchos. Embora a raça Aberdeen Angus seja considerada relativamente nova, pois o seu reconhecimento como agrupamento étnico data de pouco mais de 100 anos, apresentou rápida expansão em fins do século passado e princípios do atual, quando se desenvolveu em todo o mundo a indústria da carne. Reprodutores Angus foram levados para quase todos os continentes e povoaram as extensas pastagens do sul do Canadá, onde a raça ocupa o terceiro lugar, e o centro-oeste dos Estados Unidos, onde só é superada pelo gado Hereford. O gado negro da Escócia não pode competir com a raça de cara branca, na criação em regime extensivo, isto é, em pasto, mas goza de excelente reputação, quando mantido em regime de granja e confinamento. No sudeste americano, região mais quente e úmida, vem sendo muito utilizado para cruzamentos com o Brahman. É criado na Austrália, Nova Zelândia, Japão e África do Sul, bem como no Uruguai e República Argentina, onde são encontrados grandes rebanhos.

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