Agronegócios: Plástico Biodegradável

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Fonte do texto: Internet

O PLÁSTICO DO FUTURO

Cerca de vinte anos atrás, o Brasil despertou o interesse do mundo quando lançou o álcool como combustível alternativo à gasolina. Agora, outra novidade começa a sair das usinas sucroalcooleiras e a desencadear uma saudável disputa no mercado brasileiro e internacional : trata-se do plástico biodegradável, obtido da cana de açúcar. O produto vem sendo cobiçado há anos por empresas gigantes de todos os ramos porque incorpora o alto valor agregado da ecologia.

O plástico extraído da cana é o PHB (poli-betahidroxibutirato). Sua resina reproduz as características físicas, químicas e mecânicas de quase todos os polímeros sintéticos derivados do petróleo (genericamente chamados de plástico), como o polietileno, o polipropileno e o PET, popularizado nas garrafas de refrigerantes.

A promissora alternativa ecológica à resina do petróleo foi desenvolvida pela Copersucar, Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, em parceria com o IPT e o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. O projeto do plástico ecológico, iniciado no ano da realização da ECO 92, consumiu até agora investimentos de 7 milhões de Reais.

A Usina da Pedra já produz 5 toneladas do plástico biodegradável por mês. "Até o final do ano estaremos com escala comercial, fabricando 150 toneladas", comemora Luiz Roberto Kasel Cruz, diretor industrial da Usina da Pedra, que ingressou no projeto do PHB em 1993. Situada em Serrana, interior de São Paulo, a usina produz 219 mil toneladas de açúcar e 200 milhões de litros de álcool.

Em parceria com a Copersucar, a Usina da Pedra investiu 2 milhões de reais para ser a primeira a fabricar o plástico. Para colocar a produção a pleno vapor, ela desembolsará mais 1 milhão de reais. "Saímos na frente preparando-nos para quando o produto conquistar o mercado", justifica, entusiasmado, Kasel Cruz.

De fato, com o apelo estratégico do crescimento sustentável, industrias brasileiras de outros países aguardam apenas a chegada do "plástico verde" para transforma-lo nos mais diversos produtos para o consumo. Afinal, elas enfrentam mundo a fora a guerra , cada vez mais renhida, em nome da preservação do meio ambiente. A artilharia não parte apenas dos irriquietos pelotões das ONGs ambientalistas.

"No mundo inteiro estão se ampliando as leis de preservação ambiental", diz Carlos Eduardo Rossel, que comandou o projeto do PHB no Centro de Tecnologia da Copersucar. Como nova oportunidade de negócio, também para os agricultores e as usinas o produto chega num momento crucial : os preços da matéria prima estão moídos e o álcool carrega estoques excedentes de 2,5 bilhões de litros.

Desde que o Proálcool entrou em queda livre, na década de 80, a Copersucar, que reúne hoje 35 usinas associadas, passou a prospectar novos mercados para a cana. "Definimo-nos por um produto de alta tecnologia e que agrega valor à cana de açúcar", explica Carlos Rossell.

O PHB não é exatamente uma novidade científica. As bactérias que biossintetizam o polímero foram descobertas em 1930. De lá para cá, muitas empresas se lançaram ao aperfeiçoamento da tecnologia, utilizando como matéria prima vegetais como beterraba e batata. Uma das experiências bem sucedidas foi a da ICI, atual Monsanto, que me 1983 começou a fabricar o PHB a partir da beterraba.

Os projetos que tecnicamente deram certo, porém, esbarraram no fator custo - sobretudo pela escassez da matéria prima : o quilo dos demais biodegradáveis existentes não sai por menos de 7 dólares. Por isso, o campo se vislumbra para a aplicação do plástico da cana é bem mais fértil.

O plástico verde pode estar em vasilhames de defensivos agrícolas (cujo descarte é um grande problema para as indústrias e os agricultores), envasamento de mudas e plantas, embalagens de alimentos, bebidas, cosméticos, artigos de utilidade doméstica e de higiene pessoal, e uma infinidade de produtos injetados, como brinquedos, material escolar, etc.

A Coca-Cola, dona do refrigerante mais vendido no mundo, quer empregar o plástico ecológico nas tampas das garrafas. O vasilhame em plástico PET, é reciclável, mas a tampa contem diferentes materiais, o que dificulta o reaproveitamento. Além da redução do custo, o componente biodegradável no refrigerante mais vendido do planeta será um extraordinário apelo de marketing.

Outro ramo que emprega grande quantidade do plástico químico é o de higiene pessoal e medicamentos. Por isso, empresas como a gigante mundial Johnson & Johnson e a Natura, brasileira de cosméticos, vem cobiçando o PHB desde o início das pesquisas.

"O produto biodegradável não substituirá o plástico convencional", pondera Carlos Rossel, da Copersucar. "O custo do PHB é maior do que o material petroquímico, que está por volta de 1 dólar o quilo. Como seu diferencial é a biodegrabilidade, ocupará os nichos de mercado dos produtos descartáveis e com alto custo de reciclagem." E não é pouca coisa.

Esta se falando do consumo mundial 180 milhões de toneladas de resina petroquímica por ano - no Brasil, perto de 2,5 milhões de toneladas.

Esse potencial econômico entusiasma não apenas o setor usineiro, também a natureza, penhorada, agradece.

( Fonte: Revista Panorama Rural )

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