Agronegócio Café: Histórico
e Tendências
Engo Agrônomo Armando Matielli
MBA em Agribusiness (FGV) e Cafeicultor _ Fazenda Jacutinga (Guapé
/ MG)
Engo Agrônomo Samir Saba Ruggiero
Analista de commodities - Departamento Técnico-Econômico
Federação da Agricultura do Estado do Paraná
- FAEP
Uma importante parte da história de nosso país deve-se
exclusivamente à produção e principalmente
exportação de um produto amplamente apreciado no
mundo: o café. O setor cafeeiro ainda é valorizado
por ter sido a principal fonte de capital durante décadas,
financiando o desenvolvimento econômico brasileiro do final
do século XIX a meados do século XX. Através
de divisas das exportações do café é
que foram constituídas as estradas de ferro, o setor de
energia elétrica, portos, ou seja, o impulso rumo à
industrialização do Brasil pode ser atribuído
ao café. Estas exportações chegaram a representar
80 % do total mundial na década de 1920 e cerca de 70 %
na década de 1950. No entanto, esta participação
foi sendo reduzida ao longo dos anos, estando atualmente em 32
%, com 27,8 milhões de sacas exportadas no ano de 2002/03.
Fato este que pode ser explicado pela regulamentação
do setor brasileiro, com a forte presença do Governo e
posteriormente do IBC _ Instituto Brasileiro do Café, nos
anos 80 e 90. Os subsídios ao café brasileiro, fizeram
com que o mercado estivesse baseado meramente numa política
de preços, deixando a qualidade completamente de lado.
Em uma entrevista do Dep. Delfim Netto para a Revista do Café
(2001), ele menciona: "... O café fez o Brasil e o
Brasil fez o café. Mas hoje não _ o café
é um produto comum".
Na linguagem econômica o café é
um produto cuja relação preço / demanda é
inelástica, ou seja, por mais que o preço do café
caia ou suba, o seu consumo mantém-se estável, desta
forma, a sua deman
da não aumenta nem diminui respectivamente com elevação
ou diminuição dos preços, mas essa demanda
vem aumentando com o crescimento da população e
os incentivos de consumo. Aliado à esta particularidade,
o surgimento de diversos tipos de refrigerantes, sucos, chás
gelados, etc... tem trazido forte concorrência ao café,
mudando os hábitos do consumo de bebidas das novas gerações.
Neste contexto, o consumo mundial de cafés tradicionais
tem crescido somente 1,5 % ao ano, sendo os principais consumidores
os EUA, Brasil, Alemanha e Japão.
Assim, os cafés de qualidade superior,
os gourmets e especiais, tem ganhado importância pela demanda
crescente em vários mercados consumidores como União
Européia, EUA e leste europeu, pois a adesão cada
vez mais forte de cafeterias, redes de fast food, restaurantes
e até supermercados à estes tipos de cafés,
refletem diretamente o desejo do consumidor. É importante
ressaltar que nos últimos anos o aumento da mistura de
café robusta nos Blends vem aumentando significativamente,
passando de 15 a 25% para 30 a 45%; isso também é
percebido nesses vários mercados consumidores supracitados,
os quais estão carentes por cafés arábica
de qualidade superior, os gourmets e especiais.
Em relação ao mercado mundial,
de modo geral, o significativo aumento da produção
não foi acompanhado pela demanda, proporcionando uma forte
retração dos preços mundiais entre 1999 e
2002, somado a isso, têm-se as últimas confirmações
sobre a manipulação dos números do mercado
cafeeiro, principalmente por parte do U.S.D.A., onde analistas
mostram claramente as evidências desses desastrosos e inconseqüentes
fatos; recentemente, devido à redução da
participação de muitos países produtores
no mercado, como Vietnã, as cotações têm
se recuperado, pois os baixos preços desestimularam muitos
produtores, tornando a atividade inviável. Têm-se
também os reflexos da atual crise nos países da
América Central, que por apresentarem economias mais fracas
que a nossa e dependerem muito mais do café em suas respectivas
pautas de exportação, "sentiram" muito
mais a crise que estamos atravessando e diminuíram suas
produções (exemplo El Salvador, Guatemala e Honduras).
É indispensável destacar que as
cotações mundiais do café arábica
tem como referência a Bolsas de Nova Iorque (CSCE) e BM&F,
e as de robusta a Bolsa de Londres (LIFFE), sendo influenciadas
efetivamente pelos players destes mercados: os grandes fundos
de commodities, especuladores, tradings, produtores e indústrias.
A alta volatilidade das cotações nestas Bolsas e
conseqüentemente no mercado spot (físico), podem ser
explicadas pela atuação destes agentes, conforme
observa-se na figura 1. Assim, o comportamento altamente volátil
presente nos preços mundiais do café, é uma
conseqüência da atuação e interação
dos players entre os mercados futuros e físicos. No mercado
futuro, nota-se um viés de alta nas cotações
de arábica nas Bolsas de Nova Iorque e BM&F, a partir
de setembro de 2002.
Figura 1: Cotações de café
arábica nas Bolsas de Nova Iorque e BM&F
Fonte: CSCE _ Coffee Sugar and Coccoa Exchange / BM&F _ Bolsa
de Mercadorias e Futuros
A correlação das cotações
entre o mercado futuro - físico são facilmente observadas
na figura 2, onde estão disponíveis as cotações
do mercado físico sob forma do Indicador Composto da OIC
_ Organização Internacional do Café. Neste
sentido, é possível notar as idênticas tendências
entre as curvas das figuras 1 e 2, comprovando a eficaz e imediata
transmissão de preços do mercado futuro para o físico,
ou seja, as Bolsas de Futuros sendo as referências em termos
de preços.
Para a safra 2003/04, tem-se uma conjuntura de
mercado onde a maioria dos países produtores apresentarão
safras reduzidas, como é o caso dos maiores produtores
de robusta e arábica do mundo: Vietnã com cerca
de 9 milhões de sacas e Brasil com aproximadamente 27,7
milhões de sacas respectivamente; a quebra de produção
desses dois importantes produtores e exportadores deverá
chegar a aproximadamente 24 milhões de sacas (±
20 milhões do Brasil e 4 milhões do Vietnã).
Somente considerando estas quebras, e mantendo o mesmo volume
da safra 2002/03 para o restante dos países produtores,
tem-se a totalidade de menos de 100 milhões de sacas, ou
seja, bem abaixo da necessidade mundial. Desta forma, espera-se
que a comercialização nos próximos anos seja
mais cadenciada e com preços mais remuneradores em comparação
ao período 1999 - 2002. Outro fato que tem "positivado"
o mercado foram às medidas político _ econômicas
conseguidas pelo bom e insistente trabalho das nossas lideranças
(CNC, CNA e outras) juntamente com os "Deputados do Café"
_ Carlos Melles e Silas Brasileiro, onde conseguiram a pré-comercialização,
preço mínimo (AGF e EGF), leilões de opções
de vendas e liberação de verbas para custeio e colheita
com opção de transformação na própria
pré-comercialização. Esperamos que com o
novo Governo tenhamos a continuidade desses inteligentes instrumentos
comerciais que, sem dúvida, profissionaliza a logística
brasileira dando uma conotação extremamente crível
ao mercado internacional, elevando os preços a patamares
"civilizados"; com conseqüência lógica
inibir a descapitalização dos produtores e impedir
o desemprego e a marginalidade de centenas de milhares de trabalhadores
rurais. Pensamos que essa continuidade e sustentação
de tais instrumentos são fatores preponderantes ao combate
da fome ("Fome Zero").
É interessante mencionar que ainda existem
muitos mercados potenciais a serem explorados, como é o
caso dos países mais populosos do mundo. Sob esta ótica
estão: a China com 1,2 bilhões de habitantes e um
consumo de 240 mil sacas/ano; a Índia com 1 bilhão
de habitantes e uma demanda de 1,1 milhões de sacas/ano
e; a Indonésia com cerca de 228 milhões de habitantes
apresentando um irrisório consumo de 1,6 milhões
de sacas por ano. Para efeito de comparação, o consumo
da China é praticamente igual ao consumo da Costa Rica,
país com pouco mais de 3,8 milhões de habitantes.
O agronegócio do café brasileiro
está, finalmente, começando a caminhar em busca
da excelência em qualidade, enfocando o upgrade dos cafés
tradicionais e a produção de cafés gourmets
e especiais. O desafio para todos os agentes da cadeia ainda reside
em mostrar ao mundo que o Brasil além de produzir quantidade,
produz "especialidades". Neste contexto, são
louváveis as iniciativas e projetos que contemplem a promoção
de nossos produtos e a prospecção de novos mercados,
destacando a atuação do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (MDIC); a APEX (Agência
de Promoção de Exportações) e o Banco
do Brasil. E, por final, não podemos deixar para trás
os projetos de marketing tão bem elaborados como o Café"s"
do Brasil.
Figura 2: Indicador Composto da OIC _ Organização
Internacional do Café
Fonte: OIC
As origens do café
Corre uma lenda sobre as origens do café contando que,
num dado momento do século III d. C., um pastor de cabras,
chamado Kaldi, certa noite ficou ansioso quando suas cabras não
retornaram ao rebanho. Quando saiu para procurá-las, encontrou-as
saltitando próximo a um arbusto cujos frutos estavam mastigando
e que obviamente foi o que lhes deu a estranha energia que Kaldi
nunca vira antes. Dizem que ele mesmo experimentou os frutos e
descobriu que eles o enchiam de energia, como aconteceu com o
seu rebanho. Kaldi evidentemente i levou essa maravilhosa "dádiva
divina" ao mosteiro local, mas as reações não
foram favoráveis e ele ateou fogo nos frutos, dizendo serem
"obra do demônio". O aroma exalado pelos frutos
torrados nas chamas atraiu todos os monges para descobrir o que
estava causando aquele maravilhoso perfume e os grãos de
café foram rastelados das cinzas e recolhidos. O abade
mudou de idéia, sugeriu que os grãos fossem esmagados
na água para ver que tipo de infusão eles davam,
e os monges logo descobriram que o preparado os mantinha acordados
durante as rezas e períodos de meditação.
Notícias dos maravilhosos poderes da bebida espalharam-se
de um monastério a outro e, assim, aos poucos espalharam-se
por todo mundo.
As evidências botânicas sugerem que a planta do café
origina-se na Etiópia Central (onde ainda crescem vários
milhares de pés acima do nível do mar). Ninguém
parece saber exatamente quando o primeiro café foi tomado
lá (ou em qualquer parte), mas os registros dizem que foi
tomado em sua terra nativa em meados do século XV Também
sabemos que foi cultivado no Iêmen (antes conhecido como
Arábia), com a aprovação do governo, aproximadamente
na mesma época, e pensa-se que talvez os persas levaram-no
para a Etiópia no século VI d.C., período
em que invadiram a região.
À medida que o café tornou-se cada vez mais popular,
salas especiais nas casas dos mais abastados foram reservadas
para se tomar café, e casas de café começaram
a aparecer nas cidades. A primeira abriu em Meca, no final do
século XV e início do XVI e, embora originalmente
fossem lugares de reuniões religiosas, esses amplos saguões
onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colchões
sobre o chão, rapidamente tornaram-se centros de música,
dança, jogos de xadrez, gamão, conversas em locais
em que se faziam negócios. A primeira abriu em Meca, no
final do século XV e início do XVI e, embora originalmente
fossem lugares de reuniões religiosas, esses amplos saguões
onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colchões
sobre o chão, rapidamente tornaram-se centros de música,
dança, jogos de xadrez, gamão, conversas em locais
em que se faziam negócios.
Sua popularidade espalhou-se por Cairo, Constantinopla e para
todas as partes do Oriente Médio, mas os muçulmanos
devotos desaprovavam todas as bebidas tóxicas, incluindo
o café, e consideravam as casas de café como uma
ameaça à observância religiosa. Às
vezes, esses centros populares de diversão eram atacados
e destruídos por fanáticos religiosos, e alguns
governantes apoiavam a proibição do café
e impunham punições aterrorizadoras: aqueles que
desobedecessem poderiam ser açoitados, presos dentro de
um saco de couro e atirados no Bósforo.
Enquanto isso, comerciantes europeus da Holanda, Alemanha e Itália
certamente estavam exportando grãos e, também, tentando
introduzir a lavoura em suas colônias. Os holandeses foram
os primeiros a iniciar o cultivo comercial no Sri Lanka, em 1658,
e então em Java, em 1699, e por volta de 1706 eles estavam
exportando o primeiro café de Java e estendendo a produção
para outras partes da Indonésia. Em 1714, os holandeses
bem-sucedidos presentearam Luís XIV da França com
um pé de café que cresceu numa estufa em Versailles
e quando deu frutos, as sementes foram espalhadas e as mudas foram
levadas para o cultivo na ilha de Réunion, na época
chamada de Ilha de Bourbon. A variedade de arbustos de café
que se desenvolveu daquela árvore em Paris tornou-se conhecida
como o café Bourbon e foi a fonte original de grãos
hoje conhecidos no Brasil como Santos e no México como
Oaxaca.
Como o café chegou ao Brasil
Em 1727 os portugueses compreenderam que a terra do Brasil tinha
todas as possibilidades que convinham à cafeicultura. Mas
infelizmente eles não possuíam nem plantas nem grãos.
O governo do Pará, encontrou um pretexto para enviar Palheta,
um jovem oficial a Guiana Francesa, com uma missão simples:
pedir ao governador M. d’Orvilliers algumas mudas. M. d’Orvilliers
seguindo ordens expressas do rei de França, não
atende o pedido de Palheta. Quanto à Mme. d’Orvilliers,
esposa do governador da Guiana Francesa, não resiste por
muito tempo aos atrativos do jovem tenente. Quando Palheta já
regressava ao Brasil, Mme. d’Orvilliers envia-lhe um ramo
de flores onde, dissimuladas pela folhagem, se encontravam escondidas
as sementes a partir das quais haveria de crescer o poderoso império
brasileiro do café – um episódio bem apropriado
para a história deste grão tão sedutor.
Do Pará, a cultura passou para o Maranhão e, por
volta de 1760, foi trazida para o Rio de Janeiro por João
Alberto Castelo Branco, onde se espalhou pela Baixada Fluminense
e posteriormente pelo Vale do Paraíba.
O surto e incremento da produção do café
foram favorecidos por uma série de fatores existentes á
época da Independência. As culturas do açúcar
e do algodão estavam em crise, batidas no mercado internacional
pela produção das Antilhas e dos EUA; por isso,
os fazendeiros precisavam encontrar outro produto de fácil
colocação no mercado internacional. Além
disso, a decadência da mineração libertou
mão-de-obra e recursos financeiros na região Centro-Sul
(Minas Gerais e Rio de Janeiro, principalmente) que podiam ser
aplicados em atividades mais lucrativas. Em nível internacional,
a produção brasileira foi favorecida pelo colapso
dos cafezais de Java (devido a uma praga) e do Haiti (devido aos
levantes de escravos e á revolução que tornou
o pais independente). Outros fatores decisivos foram a estabilização
do comércio internacional depois das guerras napoleónicas
(Tratado de Versalhes, 1815) e a expansão da demanda europeia
e americana por uma bebida barata.
A importância econômica do café refletiu-se
na sua expansão geográfica. No início, difundiu-se
pelo Vale do Paraíba (Rio de Janeiro e São Paulo),
Sul de Minas e Espírito Santo. Depois, atingiu Campinas,
no "Oeste Velho" de São Paulo; dali, expandiu-se
para o chamado "Oeste Novo" (Ribeirão Preto e
Araraquara) e passou, mais tarde, para as regiões de terra
roxa do Norte do Paraná e Mato Grosso. Hoje, as áreas
de cultivo localizam-se nos Estados de São Paulo, Minas
Gerais, Paraná, Espírito Santo e Bahia. Após
a grande geada de 1975, houve um deslocamento das principais zonas
produtoras do Norte do Paraná para áreas de clima
mais favorável, como o sul de Minas Gerais e o interior
capixaba.
A exportação brasileira do café começou
a crescer a partir de 1816. Na década de 1830-1840, o produto
assumiu a liderança das exportações do pais,
com mais de 40% do total; o Brasil tornou-se, em 1840, o maior
produtor mundial de café. Na década 1870-1880, o
café passou a representar até 56% do valor das exportações.
Começou então o período áureo do chamado
ciclo do café que durou até 1930; no final do séc.
XIX, o café representava 65% do valor das exportações
do pais, chegando a 70% na década de 1920.
Contudo, o crack da Bolsa de Nova York (1929) forçou a
queda brusca no preço internacional do café (que
caiu,em 1930, para pouco mais que a metade de seu valor em 1928),
que continuou em queda até menos de 40% em 1931, ficando
nesses níveis baixos durante muitos anos: só em
1947 é que os preços voltaram aos níveis
de 1928. Essa situação agravou a crise de superprodução
do café, cujos primeiros sinais apareceram no início
do séc. XX.
Para enfrentar essa crise, os governadores dos Estados de São
Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reuniram-se (fevereiro de
1906) no chamado Convênio de Taubaté, que definiu
uma política para a valorização do produto:
os governos estaduais comprometeram-se a comprar toda a produção
e usar os estoques como instrumentos para impedir quedas e oscilações
no preço do produto, além de proibir novos plantios.O
Convênio de Taubaté representou a primeira intervenção
oficial em defesa do café. Nos anos seguintes, o governo
federal também tomou iniciativas nesse sentido. Mais tarde,
após a crise de superprodução mundial de
1957, os países produtores e os grandes consumidores criaram
o Acordo Internacional do Café (1962), que estabeleceu
quotas de exportação para os países-membros.
O chamado "ciclo do café" teve repercussões
econômicas e sociais importantes no Brasil. A expansão
da lavoura levou à ampliação das vias férreas,
principalmente em São Paulo; os portos do Rio de Janeiro
e de Santos foram modernizados para sua exportação;
a necessidade de mão-de-obra trouxe imigrantes europeus,
principalmente depois da Abolição dos escravos;
o café foi o primeiro produto de exportação
controlado principalmente por brasileiros, possibilitando o acúmulo
de capitais no pais. Em consequência, criou-se um mercado
interno importante, principalmente no Centro-Sul, que foi o suporte
para um desenvolvimento sem precedentes das atividades industriais,
comerciais e financeiras. O café, sobretudo, consolidou
a hegemonia política e econômica do Centro-Sul, transformando-o
na região brasileira onde o desenvolvimento capitalista
foi pioneiro e mais acentuado.
Desde os anos 50, a importância do café para a economia
brasileira tem decrescido sensivelmente. Uma das conseqüências
da crise mundial de 1957 foi o início da produção
de café solúvel.
A participação do café nas exportações
do pais diminuiu; em meados dos anos 70, o valor da exportação
de manufaturados ultrapassou o do café, que, desde o início
dos anos 80, responde por cerca de 10% do valor total das exportações
brasileiras. Apesar disso, o café é ainda um dos
principais produtos isolados exportados pelo país. São
Paulo, que foi o maior produtor nacional desde o último
terço do século passado, perdeu a primazia para
o Paraná no final dos anos 50, mas sua produção
ainda era significativa: em 1966-1967, por exemplo, metade de
todos os cafeeiros do pais estava plantada nesses dois Estados.
Vinte anos depois, em 1986-1987, era Minas Gerais que tinha o
maior número de cafeeiros (mais de um terço do total
nacional), seguindo-se São Paulo, Espírito Santo,
Paraná e Bahia (que tinham juntos 92% dos 3,5 bilhões
de pés de café então existentes no país.)
Em 1996 o consumo mundial supera a barreira dos 100 milhões
de sacas. Em 1997 o Brasil atinge quase 3 bilhões de dólares
na exportação de café, tendo a Alemanha superado
os Estados Unidos como maior importador.
Em 1998 o comitê do Conselho da Bolsa de New York coloca
na pauta o café despolpado brasileiro.
Saiba Mais.
Pragas do Café
Fontes:
Grande Enciclopédia Larousse Cultural
CAFÉ-La Dolce Vita - Asa Editores Ltda.
Aroma de Café- Luiz Norberto Pascoal
Le Café - Anne Vantal